Wednesday, April 25, 2007

Home is where the heart is...


...or heart is where the home is?

Tuesday, April 24, 2007

Duas semanas em dois minutos

Não tenho dado notícias, mas estou bem. Voltei tão rapidamente à minha vida intensiva que, como é costume, não tive tempo de actualizar o blog.
Assim que comecei a sentir-me melhor há 2 semanas, passei o domingo com o Damien. Visitámos o Tour & Taxis (antigo compelxo industrial transformado em centro de exposições), onde decorria o Festival de Cinema Fantástico e uma deprimente Convenção Star Wars (que não passava dum encontro de meia dúzia de tipos mascarados, num armazém quase vazio). Andámos de barco nos canais imundos de Bruxelas e encontrámos quatro das minhas colegas de EVS, com as quais tomámos uma bebida num café de esquina num bairro muçulmano algures em Anderlecht. Passeámos por Bruxelas até o sol desaparecer e jantámos num restaurante tailandês ou tai-vietnamita ou indo-chinês ou algo do género.
Na 5ª e 6ª feira passadas participei na Conferência das Regiões Livres de OGM e conheci por lá um etíope que me quer levar para o país dele. Jantámos num restaurante lindíssimo perto da Rue Americaine, estilo industrial a caminhar para o Art Noveau, depois tomámos uns copos (suminho e cházinho no meu caso) e falámos horas a fio pela noite dentro, o que me permitiu experimentar o novo sistema de autocarros nocturnos de Bruxelas. No sábado estive numa reunião do GENET todo o dia, onde cabeceei de sono e lutei por me manter de olhos abertos. Mas no domingo em vez de ir dormir, encontrei-me com duas Anas e mais uns quantos bexpats e fomos visitar as Estufas Reais de Laeken. Lindo!!!
Depois disso tinha planeado finalmente ir para casa descansar, mas acabei por ir ficando... Almoçámos num resto mexicano no Bruparck, bebemos mais uns copos (mais cházinho) em St.Gilles, passeámos pelos lagos em Flagey e pela Abbaye de la Cambre, bebemos mais copos no Café Belga, comemos frites na Place Jourdan e quando finalmente vi as horas: "Ui, 22h! Amanhã é 2ª feira e não descansei nada!"
Depois admiro-me que me sinto de rastos e fico doente...
Hoje tive o bom senso de não sair novamente com o Damien, a Sevelina e o Patrick, porque apanhei ao de leve a constipação da Ana, mas custou-me muito impôr a razão sobre a diversão... O que me serviu de incentivo foi o facto de eu querer ir a Amesterdão no domingo que vem, o que não poderá acontecer se eu estiver doente! Foi portanto um sacrifício menor por um bem maior :)

Saturday, April 14, 2007

Por água abaixo

Afinal todos aqueles planos de ir ao Festival de Cinema e tantos outros que eu tinha para o fim-de-semana prolongado da Páscoa foram por água abaixo. Adoeci e já há uma semana que mal saio de casa. Não é muito habitual isto acontecer-me, mas muito de vez em quando até a mim acontece.
Já me sinto melhor, mas tenho que me portar bem durante mais uns tempos.
Amanhã vou a casa da Sevelina, a mais uma festa, mas tenho que permanecer muito quietinha e beber muito cházinho, nada de me meter nos copos... Vai ser uma seca quando estiverem todos a rir-se de coisa nenhuma e eu não perceber a piada por falta de álcool no sangue :)
Desta vez a festa é de despedida ao Damien. Bruxelas tem destas coisas, assim como nos dá a conhecer muita gente e a fazer muitos amigos, também nos obriga constantemente a dizer-lhes adeus.
Penso que agora percebo o que é que a cidade tem que lhe dá a personalidade: aqui vive-se numa euforia que se sustenta continuamente porque nada dura muito tempo. As pessoas chegam e partem constantemente, as relações criam-se e dissolvem-se a toda a hora e nunca se chega àquele ponto em que tudo começa a decair. Nada chega a ser suficientemente profundo, suficientemente real para que ocorram desilusões, desentendimentos, incompatibilidades. Quando quase se chega a esse ponto, muda-se de sítio, volta-se para casa, liga-se o sorriso, recomeça-se de novo.
Talvez seja só impressão minha, mas eu vejo Bruxelas mudar de máscara todos os dias.

Friday, April 06, 2007

A noite dos vegetais assassinos

O Damien levou-me a um terraço panorâmico no 10º andar dum prédio perto de St. Catherine. Uma coisa tirada de um filme. Podia ser de qualquer tipo de filme, mas decididamente tirada de um filme. Ele só me disse "Quero mostrar-te uma coisa" e entrámos num prédio cinzento e sujo, com um bar esquisito no rés-do-chão. Entrámos no elevador, subimos ao 10º andar e a porta abriu-se num terraço enorme com vista sobre quase toda a cidade: Grand Place, St. Catherine, St. Michel et Gudule, Basilique Sacré Coeur, you name it... Uma névoa ligeira cobria a cidade, uma brisa quente soprava, o sol resplandecia, a cidade gritava "I aaaaaaaam!"... Serei só eu a senti-lo ou estes momentos únicos são intrínseca e profundamente intensos? Tão intensos que não é possível dizer se são belíssimos porque se tornam dolorosos de tão insuportavelmente intensos que são.
A Sevelina juntou-se a nós mais tarde e depois de perseguirmos o sol de esplanada em esplanada, fomos ao Pure Bar, onde nos sentámos descalços em almofadas, degustámos uma infusão de rosas búlgara e jogámos Mikado - um bar fora do comum, portanto :) Après, fomos ao Cinema Nova ver um filme do Festival de Cinema Fantástico - outra experiência fora do comum. Não tínhamos cadeiras onde nos sentarmos, porque continuaram a vender bilhetes mesmo depois da sala estar cheia. Mas isso foi o mais normal. O filme foi o mais bizarro: "Matango", um filme japonês dos anos 60, sobre um grupo de náufragos que vai parar a uma ilha onde a única coisa comestível e abundante são cogumelos alucinogénicos que transformam lentamente em cogumelos gigantes quem quer que os coma. Não conseguimos deixar de rir do princípio ao fim. Já não se fazem filmes assim :) A seguir ia passar o "Ataque dos Tomates Assassinos", mas achámos que já bastava de vegetais assassinos e não ficámos.
Na 2ª feira não perco o Japanimation Day e enquanto durar o festival espero ver mais uns quantos filmes, talvez a Convenção Star Wars e o Baile dos Vampiros? O problema é encontrar alguém que me queira acompanhar a estas coisas. Talvez conheça por lá algum Wookie ou Lobisomem que me faça companhia da próxima vez que eu quiser ir a New-Tokyo ;)

Wednesday, April 04, 2007

Impermanência

A Eva vai voltar para Espanha este sábado. Após 3 anos em Bruxelas decidiu que era tempo de regressar e não pensa voltar mais. Não que esteja farta de Bruxelas, ela adora esta cidade e foi com muito sofrimento que ela percorreu a meu lado alguns locais de Bruxelas que queria ver uma última vez.
Ela diz que se vai embora para fugir da vida em que aqui se enredou. Quer começar de novo e para isso tem que deixar para trás Bruxelas, pois já não consegue desligar a cidade da sua própria existência. Voltar a Espanha será para ela um renascimento.
Quando nos despedimos no metro, como se fosse apenas até um dia destes, eu não consegui evitar perguntar se nos voltaríamos a ver e ela disse que claro que sim, que havemos de nos cruzar em Paris ou em Nova Iorque. É remotamente provável que isso aconteça, mas honestamente eu senti que não. Já estamos suficientemente ligadas para que o adeus seja doloroso como um murro no estômago, mas não o suficiente para evitarmos que daqui a uns meses nos deixemos de escrever e nos esqueçamos uma da outra.
Daqui a quatro meses poderei estar no lugar dela, a querer memorizar cada detalhe de Bruxelas, a querer trazê-la para dentro de mim. Acompanhar a Eva neste último passeio pela cidade foi como que uma pré-experiência desse sentimento de perda. Por causa disso a cidade pareceu-me ainda mais viva. Parecia-me que estava a ver Bruxelas pela primeira vez e fiquei surpreendida com a quantidade de coisas que nunca tinha visto nas ruas por onde já passei tantas vezes.
Vou ter um fim-de-semana prolongado de 4 dias e tinha pensado viajar para fora de Bruxelas, mas agora decidi ficar na cidade, pois há ainda tanto dela que eu quero viver e absorver.
Já ando a sonhar com outros destinos, na Europa, na América, na Lua talvez. Daqui a quatro meses não sei se vou ou se fico ou se volto para casa. Mas sei que todas as despedidas são difíceis e que não interessa realmente o lugar para onde se vai, o que importa é aprender a não sofrer por aquilo que se teve que deixar para trás.