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Friday, September 24, 2010

BXXL

Voltei a Bruxelas (o regresso anual obrigatório), com passagem por Ghent incluída no roteiro.
Pela primeira vez não me senti muito entusiasmada com a minha ida a Bruxelas e julguei que o "amor" já se tinha esgotado. Mas acho que era a perspectiva de muito trabalho e pouca diversão que me estava a roubar o interesse pela viagem.
No fim soube-me tão bem como de costume e na hora do regresso já queria ficar por lá novamente. Bruxelas é tão fixe! Enfim, não me ocorre algo mais profundo para a descrever - nunca me aborreço naquela cidade.
Por cancelamento de algumas reuniões de trabalho, acabei por ter dois dias livres em Bruxelas em que acabei por fazer a ronda habitual às lojas de 2ª mão, ao BOZAR, às livrarias alternativas, aos brocantes, etc... Como é da praxe, trouxe mais umas 10 caixas de chocolates belgas para a família e amigos e mesmo mesmo antes de regressar ao aeroporto passei numa típica "baraque à frites" para um engordativo pacote de crocantes batatas fritas belgas. Uma japonesa acabadinha de aterrar em Bruxelas (a sair da Gare Centrale com a mochila às costas) quase me saltou para cima e me matou de susto para me perguntar "Ihhh! Onde posso comprar disso!",  "Hãã... O quê?", "Isso, Isso!" e apontava para as batatas fritas. Ah, isto! "É só descer a rua e naquela esquina encontra um pequeno snack de cor amarela com "frites"." E lá vai ela em passo acelerado como se não pudesse aguentar nem mais um segundo para provar as famosas "frites belges". Infelizmente só desta vez descobri que o verdadeiro segredo das batatas belgas é serem fritas em gordura animal... Uma colega alemã perguntou-me se eu era assim tão "radical" que ia deixar de comer as ditas batatas por causa disso. Eu disse-lhe que talvez não, mas só porque as como uma vez ao ano. Se as comesse regularmente, com certeza deixaria de o fazer. Além do mais descobri que - pelo menos em Ghent - existem locais onde servem a versão vegetariana das famosas batatas (fritas em óleo vegetal), pelo que da próxima vez irei tentar descobrir tal coisa também em Bruxelas. Radical, com muito prazer.
Passei pelo meu antigo escritório para visitar os colegas. Não estava nos meus planos, mas a Sevelina mais ou menos arrastou-me e eu não me fiz rogada. Digamos que o ambiente que outrora existiu já se extinguiu e isso reflecte-se até na varanda que no meu tempo com os meus cuidados estava vibrante de verde e agora tem meia dúzia de plantinhas murchas e serve de arrecadação de todo o tipo de lixo. Tudo muda.


De resto o que posso contar mais? Só mesmo a minha aventura no Parlamento Europeu, que vai ficar nos anais da história.
Cheguei a uma 4ª feira à tarde a Bruxelas e fui directa ao Parlamento onde estavam já colegas meus a prepararem a conferência que estávamos a co-organizar para o dia seguinte no Parlamento. Com a autorização de uma parlamentar dos Verdes, foi-me emitido um cartão de acesso ao Parlamento para dois dias.
Estava planeado ficar até ao final da tarde e depois juntar-me a um jantar dos organizadores que teria lugar num restaurante ali perto. Acontece que toda a gente começou a desaparecer e apenas ficámos 4 pessoas no escritório com cerca de 300 capas para encher com o programa e outros documentos da conferência. Se fosse apenas isso, seria rápido, mas cada capa tinha o nome do participante, tinham que ser organizadas alfabeticamente e em cada uma deveríamos colocar uma série de facturas e/ou recibos com o nome respectivo da pessoa. Afiguravam-se horas de trabalho pela frente. 
 
Eu tinha reservado um quarto em Ghent, mas não fazia sentido nenhum ir até lá para voltar no dia seguinte a Bruxelas, pelo que perguntei à minha amiga Sevelina se podia dormir em casa dela. Ela anuiu, mas pediu-me que não chegasse depois das 0h00, pois estava doente e precisava de descansar.
O trabalho prosseguiu a bom ritmo, mas às 0h00 estava longe de estar terminado e dois outros colegas resolveram ir embora sem terminarmos a tarefa. Entretanto os últimos metros e trams estavam a partir e as minhas opções a reduzirem-se. O meu colega José (americano-mexicano) disse-me que tinha decidido dormir no Parlamento. Então liguei à Sevelina a dizer que também ia dormir no Parlamento e que ela poderia ir descansar.
Só os dois, terminámos o trabalho às 3 da manhã. Pegámos em todas as pastas e outros documentos e levámos tudo em trolleys até à sala da conferência. Subimos de elevador, descemos rampas, percorremos corredores e em todas essas voltinhas, nunca vimos vivalma. Por essa altura eu já me interrogava se haveriam alguns seguranças (ao menos um?) em todo o Parlamento. Seria assim tão normal pessoas ficarem a trabalhar lá de noite, que os seguranças que nos vissem nas câmaras de vigilância nem nos ligavam? Duas pessoas a transportar caixotes de papéis às 3 da manhã... Não despertaria a atenção da segurança? Aparentemente não.
Quando tudo estava mesmo terminado, e depois de darmos mais umas voltinhas e de tirarmos umas fotos no hemiciclo com toalha de rosto na mão e sem sapatos (ainda pensei em vestir o pijama, mas o meu colega americano receou que isso fosse ir longe demais), lá decidimos abancar nuns sofás muito confortáveis que estão na ala dos Verdes e passar pelas brasas.
Talvez passada uma hora acordei com o som de heavy metal de alguém que usava headphones mas tinha a música demasiado alta. Aproximava-se rapidamente com o bater sequencial de portas ao longo do corredor. Percebi que era um segurança que andava a fazer a ronda e percebi que a nossa aventura estava a chegar ao fim. Um segurança novinho ficou estático a olhar para nós mas depressa se descontraiu quando percebeu que éramos só uns "verdes" malucos descalços a dormir no sofá. Divertido, perguntou-nos o que raio estávamos ali a fazer. Explicámos que tínhamos ficado até às 3 da manhã a trabalhar para a conferência que iria ter lugar de manhã, e que depois era tarde demais para irmos onde quer que fosse. Mostrámos-lhe os nossos passes e perguntámos se podíamos ficar. Ele disse que por ele não havia problema, mas que o superior dele não ia gostar nada. Então surgiu o superior e passámos por uma cena do tipo "good cop, bad cop". Ele era o "polícia mau", matulão, cara de poucos amigos... "Quem são vocês e o que estão aqui a fazer?". Explicou-nos que apesar de termos passe para os dois dias (logo, supostamente 48 horas) na verdade este não nos permitia passarmos lá a noite, apesar de por acaso até haver esse tipo de autorização especial a quem a pede - mas como é que nós poderíamos ter adivinhado? E mesmo sabendo, nunca saberíamos que iríamos precisar dela.
Apesar de tudo, mesmo o segurança mais velho no fim também já sorria, divertido com o caso. Afinal de contas o trabalho deles deve ser extremamente aborrecido e quando uns malucos como nós aparecem para animá-los, eles até agradecem. 
O meu colega americano estava em pânico total. Só perguntava "Estamos metidos em apuros? O que nos vai acontecer?". Ele já estava convencido que ia para a prisão e depois como seria para voltar a casa?  Eu disse-lhe "Relaxa, estás na Europa!" Até mesmo os seguranças tentaram acalmá-lo dizendo que não ia acontecer nada. Apenas iam registar o acontecimento e desde que não fosse registado nenhum outro incidente (tipo documentos desaparecerem), não sofreríamos qualquer punição.
O segurança senior disse que compreendia perfeitamente a nossa situação, mas que também tínhamos que compreender a situação dele, que ele não podia permitir que ficássemos, sob risco de recair sobre ele a responsabilidade de algo que acontecesse. Claro que eu compreendi. Fizemos um bocadinho de choradinho, pedimos para ficarmos algures num local vigiado por eles (lá fora estava a nevar e temperaturas negativas), mas ele quis ensinar-nos uma lição e meteu-nos mesmo na rua.
Disse-nos que caminhássemos para nos mantermos quentes e que às 5 da manhã abriria a Gare du Luxembourg (subterrânea, mesmo por baixo do Parlamento) e que poderíamos refugiar-nos lá do frio. Também disse que às 6 da manhã abria lá uma pastelaria onde podíamos beber um cházinho quente e comer uns croissants fresquinhos. O meu colega estava mesmo cheio de sono e desesperado por não poder dormir, mas eu estava super-divertida e a aproveitar cada momento. Claro que tive imenso frio e fome (é que para agravar a situação, o nosso jantar tinham sido umas "gummy bears" e o meu almoço do dia anterior foi só uma sandes que os meus colegas desencantaram algures no Parlamento, uma vez que eu tinha chegado demasiado tarde para ir à cantina). Fquei com dores de tentar dormitar sentada e reclinada  nos mais diversos sítios frios e desconfortáveis onde tentámos encontrar refúgio, mas aproveitei a experiência para imaginar o sofrimento diário das pessoas sem-abrigo e me sentir ainda mais solidária com elas. Ás 7 da manhã voltámos a entrar no Parlamento. Os seguranças na entrada já eram outros, pelo que se perdeu a oportunidade de nos rirmos juntos da situação. Uma lavagem à gato na casa-de-banho, uma muda de roupa e lá estava eu de pé a entregar as pastas aos participantes que chegaram a partir das 8h, sem imaginarem a aventura vivida por trás do meu olhar cansado.

Tuesday, November 18, 2008

Bruxelloise au coeur

Um ano depois, regressei a Bruxelas. Uma emoção surda instalou-se assim que vi ao longe o perfil da cidade. Enquanto lá estive tentei analisar os porquês daquilo que sinto e excluí coisas concretas como casos mal-resolvidos dentro dos seus limites. Concluí que, para além do sentimento que terei para sempre associado a esta cidade, por ter sido o local do meu renascimento, a cidade tem um je-ne-sais-quoi que se escapa por todos os seus poros e que me invade.


Quando estava pela madrugada na varanda do Palais de Justice sobre os Maroles, a ver a cidade em silêncio e coberta por uma névoa espessa, convenci-me de que estava suspensa numa bolha fora da qual nada mais existia. Naquele momento só a cidade era real e nada mais existia para lá do nevoeiro. Quando estou nesta cidade, não existe nada para lá dela. Apodera-se de mim uma melancolia que nem em Lisboa sinto.
Noutra ocasião sentei-me no parapeito da sala redonda das estufas do Botanique e ali fiquei a ver anoitecer. O jardim oitocentista lá em baixo rodeado pelos prédios altos envidraçados das avenidas que o rodeiam, pareceu-me partilhar comigo os meus sentimentos. Sentimentos de nostalgia pela inevitabilidade do passar do tempo, da mudança, do adeus, dum romantismo sempre ansiado mas nunca vivido.
No metro do Botanique há um painel de azulejos de homenagem a Fernando Pessoa. Um esboço dele meio pensativo, debruçado sobre um rapaz que lhe engraxa os sapatos. Sempre achei muito adequado encontrá-lo ali quando saio do Botanique. Porque ali a poesia torna-se real.

Les feuilles jaunes des arbres tombent l'une après l'autre, comme je tombe d'amour et ensuite je tombe du haut de mes illusions.

Soube que nas Caves de Cureghem estava a exposição Körperwelten e não resisti a ir dar uma espreitadela. Tinha ouvido rumores de que o mentor da exposição era um tipo um bocado manhoso - tem fama de nazi e de usar corpos de chineses executados para as suas experiências de plastinação de corpos - mas apesar disso achei que devia ir ver com os meus próprios olhos tão polémica exibição.
Ao longo da exposição é repetido incessantemente o quanto esta revela a beleza escondida por baixo da nossa pele. É discutível. Há quem diga que "beauty is skin deep". De facto não somos tão atraentes sem pele e com os orgãos à mostra, mas também não senti qualquer tipo de repulsa. Somos como somos, tão bonitos ou tão repulsivos, por dentro ou por fora, consoante mudemos de perspectiva e nos desprendamos de preconceitos.
A maior parte das pessoas que vê esta exposição de certeza que fica uma semana sem vontade de comer carne, mas no meu caso, ao olhar para uma coluna vertebral com os músculos e tendões agarrados, de repente senti desejo de costeletas. Tudo é relativo.

Estive em casa da Sevelina, num dos inúmeros e memoráveis jantares que se realizam na rua Hôtel de la Monnaie e ela disse que não queria ver tal coisa, que se sentiria mal. Eu disse-lhe que é importante confrontarmo-nos com a nossa própria mortalidade e aceitá-la com naturalidade, mas um coro de vozes se levantou - ninguém em meu redor parecia querer sequer pensar nisso. É mesmo verdade que estamos cada vez mais desligados da morte e convencidos de que vamos viver para sempre, frescos e radiantes. Apercebi-me de que nunca vi nenhuma pessoa morrer. Já morreram nos meus braços animais não-humanos, mas nunca vi sequer um cadáver humano - excepto agora os plastinados. Fazemos de tudo para afastar e esconder a morte que ela já nem sequer faz parte da equação da vida. É algo de que não queremos falar até ao dia em que nos acontecer. E porquê? Porque as pessoas acomodaram-se à ideia de que a matéria, tal como os seus sentidos iludidos a apercebem, é tudo o que existe e sentem-se agoniadas perante a perspectiva do vazio da não-existência. Esse é o triste legado da nossa civilização materialista. Felizmente eu não herdei esse legado e tenho uma perspectiva diferente, logo a morte não me angustia.
Muitas vezes penso que a única coisa que me faria agarrar com unhas e dentes à vida se me visse às portas da morte, seria o querer evitar a todo o custo o sofrimento daqueles que deixaria para trás. Porque sei que eles sentiriam imensa agonia e é só isso que eu não suporto.

Também fui ver a exposição "Le sourire de Bouddha" no BOZAR. Como sempre no BOZAR, uma exposição lindíssima. Uma viagem pela história do budismo na Coreia através de estátuas e pinturas impressionantes.
Durante a minha estadia em Bruxelas tive ainda possibilidade de jantar no trendy Belgo-belge, almoçar no acolhedor Imagin'air, beber kriek num pub anónimo, tomar vodka com ananás no Calabriego e viver um serão multicultural com um artesão argentino, um dançarino do Burkina Faso, uma escriturária alemã e uma empregada de bar espanhola. L'habituel à Bruxelles

Wednesday, August 08, 2007

Je parle français comme une vache espagnole!

Eis uma expressão francesa verdadeiramente interessante e com a qual eu me identificava completamente. Mas aparentemente o meu francês é muito melhor do que eu julgo, pois acabei de dar uma entrevista para uma televisão local de Mons e a jornalista disse-me que o meu francês é excelente. Enfim, não é excelente, mas tendo em conta que eu lhe dizia que não estava muito segura quanto a falar francês, ela ficou surpreendida por afinal eu até ser capaz de passar umas horinhas na conversa en français.
C'était vraiment chouette!

Além da entrevista propriamente dita, que foi demasiado rápida e não me deu tempo para desenvolver ideias nenhumas de jeito, fartei-me de fazer teatro: "vamos fazer de conta que acabaste de chegar ao escritório", "agora conversa qualquer coisa de trabalho com os teus colegas", "agora faz de conta que estás a cuidar das plantas", "agora faz de conta que estás a chegar d'algures à loja bio para fazeres as tuas compras".
Sou uma péssima actriz. Foi difícil fazer de conta que era a sério. Tive que repetir a minha entrada na loja bio umas 3 vezes. E a maior parte do tempo tive que me esforçar para não me desatar a rir.
Também desestabilizei um pouco o dia-a-dia no escritório da IFOAM EU, mas acho que toda a gente se divertiu com a quebra de rotina e por isso pas de problème.
No total, tudo isto durou umas 3h, mas a minha história será resumida a 4 minutos na reportagem final. Uau, nem sequer chegam a ser 15 minutos de fama...
E apesar de ser realizada por uma televisão local, a reportagem será transmitida em toda a Walónia (zona sul francófona da Bélgica), mas só lá para Novembro/Dezembro. Antes disso eles ficaram de me enviar a gravação como souvenir :) Se o resultado final não for muito embaraçoso, vou tentar partilhá-lo aqui em formato digital.
Et voilà, c'est tout pour le moment :)

Friday, July 20, 2007

Bolos e desertos

A língua oficial não-oficial do "quartier européen" em Bruxelas é cada vez mais o inglês. E talvez por isso o Exki aqui da esquina, tem uma placa à porta com a descrição em inglês do que lá se pode comer. Cada dia que por lá passo rio-me sozinha quando leio que entre as soups e as tarts, também lá servem cakes & deserts. (Para os mais distraídos, eles pretendiam dizer desserts=sobremesas e não deserts=desertos). Apetece-me pegar numa caneta e acrescentar lá o "s" que falta, mas ao mesmo tempo acho que a placa tal como está acrescenta uma pitada de poesia surrealista à vida. Não consigo evitar pensar que bolos e desertos é uma descrição adequada para o cenário da minha vida nestes últimos dias.
A 15 dias de terminar o meu trabalho e a mês e meio de deixar Bruxelas, as pessoas olham para mim quase como que preocupadas com o meu estado emocional, mas não é o fim do mundo, não vou ficar deprimida por deixar Bruxelas, apenas saudosista. E o futuro é um livro à espera de ser escrito, por isso quem sabe se não voltarei em breve a Bruxelas ou irei para algum outro local ainda mais fantástico?
No entanto todas as fases de transição se parecem um pouco com uma travessia do deserto e eu não consigo evitar sentir um pouco isso. Felizmente este é um deserto cheio de bolos!
Todos os dias alguém faz anos, alguém chega a ou parte de Bruxelas, alguém espirra e decide comemorá-lo, por isso todos os dias há festas e bolos! No fim-de-semana passado fui a um festival de música em Gent, onde dividi o meu tempo entre 2 grupos diferentes de amigos que não se quiseram juntar para me facilitar a vida; durante a semana fui várias vezes ao cinema, com amigos e desconhecidos; ontem houve um lanche de aniversário no escritório e bolo de morangos com chantilly; hoje vou a uma festa de mudança de casa; amanhã vou a outra festa de um aniversário que já teve lugar há 2 semanas - não importa!
Todos os dias devemos celebrar o simples facto de estarmos vivos e em Bruxelas parece que isso é realmente posto em prática!
O tempo é que não tem sido muito amigo das festas. Durante breves momentos, por vezes alguns dias, é possível apercebemo-nos de que já estamos no Verão, mas a maior parte das vezes parece que ainda estamos presos no Inverno.
Voltei a calçar as botas e mesmo a vestir o meu casaco mais quente em alguns destes últimos dias. Este está a ser oficialmente o pior mês de Julho de que tenho memória.
Mas é melhor não me queixar muito, pois parece que na América do Sul está um frio polar e que na América do Norte se debatem com 40ºC. Perante isso Bruxelas é um paraíso de temperaturas amenas.
Ainda hoje vi uma escuridão fora do normal aproximar-se por cima das nossas cabeças e passado um bocado um relâmpago caiu no pára-raios do prédio em frente, basicamente a 50 metros de distância da minha secretária. Parecia que uma bomba estava a explodir à minha frente. O estrondo foi simultâneo ao relâmpago e ressoou nas minhas entranhas todas. O flash de luz branca só não me deixou meio cega porque eu tinha as cortinas parcialmente corridas, mas foi pena porque na verdade eu gostava de ter visto o espectáculo todo...

Tuesday, April 24, 2007

Duas semanas em dois minutos

Não tenho dado notícias, mas estou bem. Voltei tão rapidamente à minha vida intensiva que, como é costume, não tive tempo de actualizar o blog.
Assim que comecei a sentir-me melhor há 2 semanas, passei o domingo com o Damien. Visitámos o Tour & Taxis (antigo compelxo industrial transformado em centro de exposições), onde decorria o Festival de Cinema Fantástico e uma deprimente Convenção Star Wars (que não passava dum encontro de meia dúzia de tipos mascarados, num armazém quase vazio). Andámos de barco nos canais imundos de Bruxelas e encontrámos quatro das minhas colegas de EVS, com as quais tomámos uma bebida num café de esquina num bairro muçulmano algures em Anderlecht. Passeámos por Bruxelas até o sol desaparecer e jantámos num restaurante tailandês ou tai-vietnamita ou indo-chinês ou algo do género.
Na 5ª e 6ª feira passadas participei na Conferência das Regiões Livres de OGM e conheci por lá um etíope que me quer levar para o país dele. Jantámos num restaurante lindíssimo perto da Rue Americaine, estilo industrial a caminhar para o Art Noveau, depois tomámos uns copos (suminho e cházinho no meu caso) e falámos horas a fio pela noite dentro, o que me permitiu experimentar o novo sistema de autocarros nocturnos de Bruxelas. No sábado estive numa reunião do GENET todo o dia, onde cabeceei de sono e lutei por me manter de olhos abertos. Mas no domingo em vez de ir dormir, encontrei-me com duas Anas e mais uns quantos bexpats e fomos visitar as Estufas Reais de Laeken. Lindo!!!
Depois disso tinha planeado finalmente ir para casa descansar, mas acabei por ir ficando... Almoçámos num resto mexicano no Bruparck, bebemos mais uns copos (mais cházinho) em St.Gilles, passeámos pelos lagos em Flagey e pela Abbaye de la Cambre, bebemos mais copos no Café Belga, comemos frites na Place Jourdan e quando finalmente vi as horas: "Ui, 22h! Amanhã é 2ª feira e não descansei nada!"
Depois admiro-me que me sinto de rastos e fico doente...
Hoje tive o bom senso de não sair novamente com o Damien, a Sevelina e o Patrick, porque apanhei ao de leve a constipação da Ana, mas custou-me muito impôr a razão sobre a diversão... O que me serviu de incentivo foi o facto de eu querer ir a Amesterdão no domingo que vem, o que não poderá acontecer se eu estiver doente! Foi portanto um sacrifício menor por um bem maior :)

Saturday, April 14, 2007

Por água abaixo

Afinal todos aqueles planos de ir ao Festival de Cinema e tantos outros que eu tinha para o fim-de-semana prolongado da Páscoa foram por água abaixo. Adoeci e já há uma semana que mal saio de casa. Não é muito habitual isto acontecer-me, mas muito de vez em quando até a mim acontece.
Já me sinto melhor, mas tenho que me portar bem durante mais uns tempos.
Amanhã vou a casa da Sevelina, a mais uma festa, mas tenho que permanecer muito quietinha e beber muito cházinho, nada de me meter nos copos... Vai ser uma seca quando estiverem todos a rir-se de coisa nenhuma e eu não perceber a piada por falta de álcool no sangue :)
Desta vez a festa é de despedida ao Damien. Bruxelas tem destas coisas, assim como nos dá a conhecer muita gente e a fazer muitos amigos, também nos obriga constantemente a dizer-lhes adeus.
Penso que agora percebo o que é que a cidade tem que lhe dá a personalidade: aqui vive-se numa euforia que se sustenta continuamente porque nada dura muito tempo. As pessoas chegam e partem constantemente, as relações criam-se e dissolvem-se a toda a hora e nunca se chega àquele ponto em que tudo começa a decair. Nada chega a ser suficientemente profundo, suficientemente real para que ocorram desilusões, desentendimentos, incompatibilidades. Quando quase se chega a esse ponto, muda-se de sítio, volta-se para casa, liga-se o sorriso, recomeça-se de novo.
Talvez seja só impressão minha, mas eu vejo Bruxelas mudar de máscara todos os dias.

Friday, April 06, 2007

A noite dos vegetais assassinos

O Damien levou-me a um terraço panorâmico no 10º andar dum prédio perto de St. Catherine. Uma coisa tirada de um filme. Podia ser de qualquer tipo de filme, mas decididamente tirada de um filme. Ele só me disse "Quero mostrar-te uma coisa" e entrámos num prédio cinzento e sujo, com um bar esquisito no rés-do-chão. Entrámos no elevador, subimos ao 10º andar e a porta abriu-se num terraço enorme com vista sobre quase toda a cidade: Grand Place, St. Catherine, St. Michel et Gudule, Basilique Sacré Coeur, you name it... Uma névoa ligeira cobria a cidade, uma brisa quente soprava, o sol resplandecia, a cidade gritava "I aaaaaaaam!"... Serei só eu a senti-lo ou estes momentos únicos são intrínseca e profundamente intensos? Tão intensos que não é possível dizer se são belíssimos porque se tornam dolorosos de tão insuportavelmente intensos que são.
A Sevelina juntou-se a nós mais tarde e depois de perseguirmos o sol de esplanada em esplanada, fomos ao Pure Bar, onde nos sentámos descalços em almofadas, degustámos uma infusão de rosas búlgara e jogámos Mikado - um bar fora do comum, portanto :) Après, fomos ao Cinema Nova ver um filme do Festival de Cinema Fantástico - outra experiência fora do comum. Não tínhamos cadeiras onde nos sentarmos, porque continuaram a vender bilhetes mesmo depois da sala estar cheia. Mas isso foi o mais normal. O filme foi o mais bizarro: "Matango", um filme japonês dos anos 60, sobre um grupo de náufragos que vai parar a uma ilha onde a única coisa comestível e abundante são cogumelos alucinogénicos que transformam lentamente em cogumelos gigantes quem quer que os coma. Não conseguimos deixar de rir do princípio ao fim. Já não se fazem filmes assim :) A seguir ia passar o "Ataque dos Tomates Assassinos", mas achámos que já bastava de vegetais assassinos e não ficámos.
Na 2ª feira não perco o Japanimation Day e enquanto durar o festival espero ver mais uns quantos filmes, talvez a Convenção Star Wars e o Baile dos Vampiros? O problema é encontrar alguém que me queira acompanhar a estas coisas. Talvez conheça por lá algum Wookie ou Lobisomem que me faça companhia da próxima vez que eu quiser ir a New-Tokyo ;)

Wednesday, April 04, 2007

Impermanência

A Eva vai voltar para Espanha este sábado. Após 3 anos em Bruxelas decidiu que era tempo de regressar e não pensa voltar mais. Não que esteja farta de Bruxelas, ela adora esta cidade e foi com muito sofrimento que ela percorreu a meu lado alguns locais de Bruxelas que queria ver uma última vez.
Ela diz que se vai embora para fugir da vida em que aqui se enredou. Quer começar de novo e para isso tem que deixar para trás Bruxelas, pois já não consegue desligar a cidade da sua própria existência. Voltar a Espanha será para ela um renascimento.
Quando nos despedimos no metro, como se fosse apenas até um dia destes, eu não consegui evitar perguntar se nos voltaríamos a ver e ela disse que claro que sim, que havemos de nos cruzar em Paris ou em Nova Iorque. É remotamente provável que isso aconteça, mas honestamente eu senti que não. Já estamos suficientemente ligadas para que o adeus seja doloroso como um murro no estômago, mas não o suficiente para evitarmos que daqui a uns meses nos deixemos de escrever e nos esqueçamos uma da outra.
Daqui a quatro meses poderei estar no lugar dela, a querer memorizar cada detalhe de Bruxelas, a querer trazê-la para dentro de mim. Acompanhar a Eva neste último passeio pela cidade foi como que uma pré-experiência desse sentimento de perda. Por causa disso a cidade pareceu-me ainda mais viva. Parecia-me que estava a ver Bruxelas pela primeira vez e fiquei surpreendida com a quantidade de coisas que nunca tinha visto nas ruas por onde já passei tantas vezes.
Vou ter um fim-de-semana prolongado de 4 dias e tinha pensado viajar para fora de Bruxelas, mas agora decidi ficar na cidade, pois há ainda tanto dela que eu quero viver e absorver.
Já ando a sonhar com outros destinos, na Europa, na América, na Lua talvez. Daqui a quatro meses não sei se vou ou se fico ou se volto para casa. Mas sei que todas as despedidas são difíceis e que não interessa realmente o lugar para onde se vai, o que importa é aprender a não sofrer por aquilo que se teve que deixar para trás.

Sunday, March 11, 2007

As iludências aparudem

Na 6ª feira à noite jantei em casa da Lena e aproveitámos para discutir os meus primeiros 6 meses de EVS. Chegámos a muitas conclusões interessantes que irão constar dum relatório que estamos a escrever, mas o mais interessante foi aquilo que ela me disse sobre as expectativas iniciais que ela e o Marco tinham de mim.
Ela disse que literalmente não esperavam muito de mim. Enfim, tive que me rir, porque afinal escolheram-me de entre dezenas de candidatos e mesmo assim não estavam muito convencidos das minhas capacidades. Ela explicou-me que não só eu superei as expectativas em termos intelecto-profissionais (também não era preciso muito... considerando o nível de expectativa) como superei as expectativas em termos de resistência psicológica e emocional. Estavam ambos convencidos que ao fim do primeiro mês eu quereria desistir ou pelo menos precisaria de apoio psicológico para me aguentar por cá mais tempo.
Fiquei tão surpeendida com isso que perguntei porquê. Ela disse-me que nos primeiros 6 meses em Bruxelas ela não conseguiu arranjar amigos, estava sempre enfiada no quarto a chorar, que odiava tudo e queria voltar para casa e que partindo do pressuposto que eu era mais nova, que nunca tinha saído do país, que nunca tinha estado longe da família por tanto tempo, que vinha fazer algo que nunca fiz na vida e que tinha que aprender a falar outra língua (além de ser portuguesinha e vir dum "país de 3º mundo" para uma "metrópole europeia") só poderiam esperar que eu desatasse a chorar e a chamar pela mamã.
Mas eu já estou habituada a ser menosprezada. As pessoas baseiam-se nas aparências e nas suas próprias vivências e não imaginam nem sonham o que se esconde debaixo daquilo que projetam em mim.  Tão calada, tão sossegada, nunca foi a lado nenhum, não tem ambições, não deve saber nada da vida, deve ser tão ingénua, não se irá safar lá fora no mundo...
Tempos idos eu costumava dizer que tinha a experiência de mil vidas dentro de mim e o meu paizinho ficava imensamente chateado quando ao querer ensinar-me sobre as pessoas e o mundo eu alegava sempre que já sabia tudo isso e mais. Ele achava que eu estava a ser arrogante, mas eu não estava apenas a teimar, eu sabia mesmo. Hoje continuo certa daquilo que eu afirmava. 

Friday, March 02, 2007

Bonjour mademoiselle

Gostava de ter coisas para contar, juro, mas tenho passado o tempo a fazer yoga, a estudar francês, a trabalhar e a tentar dormir alguma coisa e é difícil ter tempo para fazer algo digno de ser aqui contado.
Este sábado vou à festa de anos da Nocas e no domingo vou passear com a Eva aqui por Bruxelas em busca de coisas que ainda não tenhamos visto. Pode ser que então tenha algo para contar, se não ou terei de falar do meu trabalho ou de temas altamente importantes e filosóficos e sinceramente não me apetece escrever nem sobre uma coisa nem sobre a outra.
Só para não ficarem com a impressão de que escrevi um post sobre absolutamente nada, posso contar uma pequenina historieta.
Há um italiano que toca viola ali na saída do metro em Arts-Loi e a quem uma vez dei uma moedinha. No dia seguinte quando lá passei ele desatou aos berros "Bonjour mademoiselle! I know you! And I love you! I love you!" e começou a dedicar-me uma canção de amor qualquer. Entretanto deve ter ficado à espera que eu lhe desse mais moedinhas, mas como não dei ele ficou carrancudo durante uns dias. Agora voltou a estar sorridente e todos os dias me cumprimenta. Por causa disso já pensei voltar a dar-lhe outra moedinha, mas tenho medo que se o fizer ele ande uma semana a gritar "I love you" sempre que eu por lá passar.

Friday, February 09, 2007

Línguas de gato

Acabei de atender um telefonema da Al-Jazeera. Sim, da Al-Jazeera!
Parece que querem realizar uma reportagem sobre OGM e Agricultura Biológica e querem falar com o meu Director sobre o assunto. E tive que falar en français, porque o senhor que me contactou ne se sentait pas a l'aise pour parler en anglais.
E a propósito de francês, estou a frequentar 2 aulinhas por semana de 3h cada, na EPFC. O teste de admissão colocou-me no nível 6 de 11, mas a professora que é desconfiada e diz que os testes vão ser redesenhados porque não são de fiar, sujeitou-nos a outro teste só para ter a certeza de que estávamos no nível certo. E tanto ela como eu ficámos surpreendidas. Parece que toda a gente passou o teste com distinção e eu só cometi 2 pequeníssimos erros de ortografia e um erro mais feio de conjugação verbal que ela achou perdoável. Por isso continuo no nível 6.
Pode não parecer um nível por aí além, mas é o último nível do grau intermédio. Depois deste seguem-se os níveis de aprofundamento da língua, por isso não fiquei nada mal colocada. Agora tenho que me portar à altura e evitar dar barraca.
Entretanto a professora já me deu nas orelhas porque eu li num texto mille neuf-cent quatre-vingt quatorze em vez de mille neuf-cent nonante quatre! Perguntou-me se eu tinha aprendido francês na Alliance Française ou em Paris, com algum desprezo na voz. Cá na Bélgica não se usam essas antiguidades linguísticas, q'hórrôr! Cá diz-se nonante! Curiosamente, os belgas também dizem quatre-vingt em vez de octante, por isso não percebo a razão de tanto escândalo. Se são assim tão mais evoluídos que os franceses, ao menos levavam isso até às últimas consequências.
Ainda relacionado com línguas, o meu professor de yoga julgava que eu era inglesa, porque acha que eu tenho "sotaque", não me explicou é se tenho sotaque de inglesa a falar inglês ou sotaque de inglesa a falar francês. Habitualmente dizem-me é que tenho sotaque americano, o que me parece mais lógico, devido à influência dos filmes e séries americanos na minha aprendizagem de inglês. Influência essa que se mostrou em todo o seu esplendor há dias, quando conversava com uma colega inglesa do escritório aqui do lado. Descrevi-lhe o padrão da minha camisola, de grandes bolas brancas sob fundo castanho, como big balls. Ela olhou para mim com aquele ar tão chocado mas ao mesmo tempo contido que só os britânicos conseguem fazer e corrigiu-me: "polka dots, we call it polka dots". OK, eu sabia que big balls tinha um significado completamente diferente e potencialmente chocante, mas não me ocorreu outra descrição...
E para finalizar, no sábado passado um iraniano perguntou-me se eu era indiana. Diz que desde a minha cara, ao meu cabelo, à minha roupa e maneira de estar, tudo indicava que eu era indiana. Essa eu ainda não tinha ouvido...

La blanche neige

Eh pá e não é que nevou mesmo?
Ontem de manhã, estava eu muito estremunhada a lavar a cara na casa-de-banho, quando reparo numa estranha luminosidade branca vinda da janela (o vidro é fosco e não me permitiu perceber logo o que era). Abri a janela ainda meio a dormir e POW, fiquei instantaneamente com ar de desenho animado japonês - olhos esbugalhados, queixo caído, um guincho atravessado na garganta! Estava a nevar!!! Imeeeenso! Estava tudo branquinho e caíam flocos quase do tamanho da palma da mão. Como disse a Lena: "This is how snow is supposed to be!"
Acho que estive uma hora à janela no escritório completamente absorta pela neve a cair. Nas traseiras do prédio há um pátio interior delimitado por prédios altos, que tem uma pequena passagem de ar exterior que provoca uma corrente de ar circular. Graças a este efeito e aos flocos de neve serem perfeitos como bolinhas de algodão, a neve dançou em círculos e espirais antes de finalmente assentar no chão. Lá pelo meio, consoante a corrente de ar variava, por vezes a neve voltava a subir e depois descia novamente e como por magia, por vezes ficava simplesmente suspensa no ar, pairando em frente ao meu nariz ou deslizava na horizontal vindo toda de encontro à minha cara. O efeito foi espectacular e as sensações indescritíveis!

Wednesday, February 07, 2007

Portugueses

Pois é, andei a fugir aos tugas, mas acabei por lhes cair nas garras :)
Encontrei a Nocas por acaso quando me fui inscrever no curso de francês na EPFC e ficou logo resolvida a questão de nos encontrarmos para nos conhecermos. E como atrás dum português vêem logo dois ou três, no fim-de-semana passado ela apresentou-me a mais uns quantos amigos tugas em Bruxelas.
Eu tinha razão acerca dos portugueses - não se calam com o futebol!!! - mas também ninguém é perfeito ;)))))
De resto não tenho muito para contar.
Esta noite nevou um poucochinho, mas quando cheguei à rua já só havia neve em cima dos carros, no chão nada... Se eu soubesse tinha ido fazer um estágio para a Covilhã, pelo menos lá via neve de certeza.
Ok, assim se vê que estou mesmo sem assunto....

Friday, January 26, 2007

Não há grandes novidades

Não tenho dado notícias, porque ao contrário de antes do Natal, em que a sensação de novidade permanente me inspirava a escrever acerca de tudo e de nada, agora são poucas as coisas que me apetece contar-vos.
Já estabeleci uma rotina, já me sinto habituada ao sítio, já nem tenho tanta vontade de correr todas as festas e eventos e estou muito mais virada para o interior e para o aprofundamento da minha paz mental. Sinto-me feliz ainda, talvez ainda mais do que antes e continuo a ter aquela sensação de deslumbramento por estar aqui a fazer o que faço, mas a excitação que me corria nas veias está muito mais controlada. Ir a casa no Natal contribuiu muito para isso, mas não é fácil explicar-vos porquê. Tal como disse num post anterior, ajudou-me a relativizar uma série de coisas na minha cabeça e a focar-me muito mais nos meus objectivos.
O meu francês melhorou mais um pouquinho e já consigo ter conversas mais longas do que 5 minutos, mas ainda preciso de melhorar muito e por isso vou começar um curso de nível intermédio no início de Fevereiro.
Troquei as aulas do Friskis-Svettis por aulas de Yoga num centro budista. Pensei muito no assunto e concluí que apesar do Friskis-Svettis ser baratinho e eficaz a manter a forma física, o que eu queria mesmo desde que cá cheguei era praticar yoga ou tai-chi ou qualquer outra actividade física que além de exercitar o corpo também exercitasse a mente. O preço no centro budista era de 90 euros por cada 11 lições (o que já é bastante barato comparado com outros locais), mas eu aleguei que estou a fazer trabalho voluntário e que tenho pouco dinheiro e como estas lições não têm um propósito puramente comercial mas são também para o benefício das pessoas, o professor aceitou fazer-me um preço especial de 65 euros. Já fui a 2 lições e estou a adorar. Na 1ª vez não percebi metade do que o professor dizia (é tudo em francês), não consegui aguentar-me nem metade do tempo a fazer certas posturas e não havia meio de acertar com o ritmo da respiração, mas à 2ª vez já fui bem sucedida em tudo isso, o que me deu confiança para continuar.
De resto, não há grandes novidades.
Está um frio danado, mas não há meio de nevar...

Saturday, December 16, 2006

É uma casa portuguesa, concerteza

Já estou em Portugal!
Na verdade comecei a estar em Portugal no momento em que entrei no vôo da TAP e tive que aturar um grupo de portugueses que passaram a viagem toda a atirar chocolates, guardanapos e jornais por cima da cabeça das outras pessoas, a comunicarem aos berros duma ponta para a outra do avião, a beberem cervejas umas atrás das outras, a discutirem futebol fervorosamente, a queixarem-se que somos um país de falhados (percebe-se porquê) e a desrespeitarem todas as regras de segurança e pedidos insistentes das hospedeiras ao passearem pelo corredor nos momentos de descolagem e aterragem. Sim, comecei aí a lembrar-me do que era estar em Portugal...

Não falei ainda da festa da Sevelina, mas foi uma noite completamente doida. Depois de muitos copos e muita cavaqueira na casa dela, decidimos ir dançar noite dentro. Começámos por ir a um clube de salsa, mas passado nem meia hora fomos expulsos, porque só eu é que estava a beber (uma coca-cola!) e duas das outras raparigas adormeceram nos sofás (o que não estava a dar muito bom aspecto...). Mas depois disso ainda encontrámos um bar africano de onde conseguimos não ser expulsos e lá abanámos o traseiro com a batucada até de manhã. Pelo meio tivémos mil oportunidades de nos rirmos que nem perdidos e acabou por ser uma das noites mais divertidas de que tenho memória.

Ah, ia-me esquecendo! Participei num casting para um filme! Mas dessa brilhante experiência não tenho fotos para mostrar.
No mesmo bar onde me encontro com a Eva para jogarmos o New Amigos estavam a decorrer audições para um filme e depois de muito discutirmos e nos incentivarmos mutuamente, eu e os meus companheiros de jogo (éramos 4 naquela mesa) decidimos tentar a nossa sorte (a Eva recusou-se...diz que é tímida; eu pelos vistos já não sou!!?).
A audição era para uma curta-metragem em língua inglesa, supostamente a propósito da comemoração dos 50 anos da União Europeia. Queriam que improvisássemos um conflito entre 4 passageiros numa carruagem de comboio. O Stuart deveria fazer o papel dum fumador que não respeitava os outros passageiros e eu era uma passageira muito nervosa que lhe atirava os cigarros janela fora. A partir daí improvisámos uma bela duma guerra, mas os meus colegas de improviso estavam sempre a lixar-me em vez de entrarem no jogo de faz de conta comigo. Foi difícil manter-me séria e apesar de ter começado muito bem, às tantas já não conseguia parar de rir.
Está bem que fomos lá pelo gozo de termos esta história para contar aos nossos netos, mas mesmo assim não custava muito eles terem levado a experiência mais a sério. Quem sabe não nos revelámos excelentes actores e começávamos ali uma brilhante carreira? ;)
Já foi quase há duas semanas e não me telefonaram, por isso acho que posso dizer que não gostaram da minha representação :)

Sunday, December 10, 2006

Portugal genuíno

A Sevelina acha que eu tenho algo contra Portugal, porque estou sempre a criticá-lo. E eu reconheci que "Sim, tenho algo contra Portugal, mas apenas contra um certo Portugal, pois há um outro Portugal que eu amo, mas esse quase não se vê nem se ouve."
Fui até Antuérpia com ela e uma amiga dela espanhola, a Elena, e encontrámos por lá um Café-Restaurante Lisboa que elas quiseram conhecer por dentro. Eu não percebo nada de café, pelo que pedi no balcão um café e um café com leite para elas, mas a senhora que me atendeu fez questão de me corrigir que o que eu queria era uma bica e uma meia-de-leite. "Sim, isso..."
Sentámo-nos a beber a bica e discutimos sobre a cultura portuguesa. A Sevelina adora o "ordinary" e fica fascinada com sítios como aquele, tipicamente portuga, com uma árvore de Natal de plástico numa ponta do balcão e uma águia gigante na outra, Pais-Natal da loja dos trezentos a espreitar por entre garrafas de vinho tinto, posters do SLB por todo o lado e uma televisão gigante de plasma a passar um filme na SIC. Ela acha que isto é o Portugal genuíno e eu tenho que reconhecer que infelizmente ela está correcta. Mas disse-lhe que apesar de genuíno, não é o tradicional, é apenas a versão moderna da cultura portuguesa, despida de profundidade, assente nos valores do futebol, do mal-dizer, da conformidade e da quadrilhice.
Eu não detesto Portugal, gosto do Alentejo e de Trás-os-Montes, da tristeza amargurada de Lisboa e da vivacidade do Porto, da luz e da cor de Portugal, dos pastéis de feijão e de noz (não sou fã de pastéis de nata), da couve-portuguesa e das sopas portuguesas, do azeite e da cortiça, dos Madredeus e do Sérgio Godinho, do Fernando Pessoa e da Florbela Espanca e das pessoas maravilhosas que aí habitam e que eu tive a sorte imensa de terem cruzado a minha vida. Mas não gosto da mentalidade dominante do povo português, nem das expressões dessa mentalidade que decoram um café ou uma tasca perdidos algures numa Antuérpia ou numa Bruxelas. Acho vulgares e de mau gosto.
Mas compreendo que para alguém doutro país possam ser fascinantes. Acho que ficamos sempre fascinados com o kitsch doutros povos e culturas, porque não levámos com uma dose maciça dele ao longo de toda a nossa vida. Por exemplo, ando fascinada com o folclore búlgaro, que acho místico e profundo, mas a Sevelina torce-lhe o nariz.

Thursday, November 16, 2006

Conectada!

Finalmente tenho internet em casa! E estou tão contente que a ocasião merece um "post" dedicado exclusivamente a ela.
Depois de um mês à espera de linha telefónica da Belgacom, lá vieram os técnicos instalá-la depois de muitas peripécias. Depois de mais 15 dias à espera da activação da internet da EDPNET, ontem lá a activaram. Mas eu ainda não tinha modem, porque o que a EDPNET vendia custava cerca de 70 euros e eu resolvi que isso era caro demais para mim. Procurei na MediaMarkt e na FNAC, mas ou só haviam routers wireless (parece que anda tudo a mudar-se para o sem-fios) ou eram tão caros como o da EDPNET. Então lembrei-me de ir ver ao ebay se havia alguma pechincha de ocasião e não é que havia mesmo? Alguém de Etterbeek (!) a leiloar um exactamente como eu queria (!!), pelo preço base de 10 euros (!!!) e cujo leilão acabava dali a 3 horas (!!!!!!!!). Claro que eu licitei, ganhei pelo preço final de 16.75 euros, marquei encontro com a pessoa, fizémos o negócio e vim a correr para casa instalar o modem. Em 5 minutos a net já estava a funcionar. E em 10 minutos estava a escrever-vos estas linhas.
Quando tudo se encaixa assim tão perfeitamente, sinto-me feliz :)
Mas comigo este tipo de coisas acontece muito frequentemente. Tenho pena que não muitas pessoas conheçam a sensação de se viver imerso em coincidências.
Ainda ontem o meu colega Damien ficou curioso sobre algo de que lhe falei e lhe prometi arranjar mais informação. Entretanto eu tinha comigo uma revista que não tinha ainda aberto e cujo conteúdo desconhecia e ele pediu-ma emprestada. No dia seguinte ele estava espantadíssimo com a coincidência de que nessa revista vinha um artigo precisamente sobre aquilo de que tínhamos falado e que lhe esclareceu as dúvidas todas. Ele estava abismado com a coincidência, porque sabia que eu não tinha olhado sequer para a revista e por isso foi mesmo pura coincidência que tenhamos falado do assunto, mas para mim foi perfeitamente normal e por isso sorri com um ar compreensivo "Sim, é giro não é, quando elas acontecem." Mas para mim as coincidências já não são apenas acasos engraçados, são sinal de que estou no caminho certo para chegar aonde é suposto chegar. Mas isso já é muito filosófico para hoje. Hoje só queria falar da internet...

Tuesday, November 14, 2006

Música

Nos primeiros dias que ouvi rádio por aqui, não suportava ouvir canções em francês. Pareciam-me todas tão lamechas. Assim que começavam a tocar, mudava logo de estação. Mas aos poucos comecei a descobrir coisas interessantes e agora já cantarolo algumas chansons. Por exemplo, descobri esta menina - Olivia Ruiz - que tem umas cançõezinhas deliciosas e apaixonei-me assolapadamente pela Charlotte Gainsbourg. Há outras músicas porreiras em francês a passar na rádio, o problema é que raramente os locutores radiofónicos dizem quem é quem e eu fico sem saber o nome dos cantores ou grupos. Lá descobri a Olivia Ruiz, porque procurei pelo nome duma canção dela, que extrapolei a partir do refrão da canção - puro acaso, portanto.
Costumo ouvir a BXL La City Radio (Bê Ix Éle, Lá Cití Rádiôô!), que é uma espécie de Antena 3 belga, mas com mais bom gosto. Também há por cá a Radio Nostalgie, que é exactamente como a Rádio Nostalgia em Portugal - até o jingle da rádio é o mesmo (Nôôôs-tál-giiii!). Todos os dias em que não vou ao Friskis-Svettis, oiço a Radio Vibration ao fim da tarde, pois só passa música de dança e é por isso excelente para fazer exercício de forma divertida, dançando até cair pó lado ;)

Monday, November 13, 2006

Portuguesa ou assim-assim

O meu francês melhorou um pouco, já não tenho receio de ir ter com as pessoas e falar com elas se for necessário. Nos primeiros dias tinha de estudar bem as deixas e consultar o dicionário mil vezes antes de sair de casa para ter a certeza daquilo que ia dizer quando ia aos correios, ao cinema ou ao supermercado. Pelo menos isso já ultrapassei, mas ainda estou longe de conseguir ter grandes conversas em francês. Se for sobre algum tema em que esteja à vontade, como quando tive que explicar o meu trabalho no seminário EVS, consigo arranhar uma conversa, mas se tiver que pensar depressa para responder a alguma questão sobre um tema inesperado, geralmente bloqueio.
Para compensar, toda a gente acha que o meu inglês é perfeito. Enfim, está longe de ser perfeito, mas desenrasco-me. E ficam sempre surpreendidos quando sabem que é a primeira vez que estou a viver fora do meu país, porque parece que não é habitual alguém falar bem inglês ou francês quando nunca teve que o praticar diariamente num país estrangeiro. Mas já há anos que eu penso em inglês e por vezes até sonho em inglês. Devo ter falado inglês numa vida anterior... Para mim é tão mais natural falar inglês que agora quando tenho que falar português com alguém, soa-me a língua estrangeira.
No sábado conheci a Vanessa, uma portuguesa colega de apartamento da Sevelina. Falámos um bocado e às tantas dei por ela a olhar para mim com ar estranho e lá percebi que estava a responder-lhe em inglês e nem me estava a aperceber disso. Não tive nenhuma consciência de que o estava a fazer. Pedi-lhe muitas desculpas e ela acabou por achar piada. Uma outra portuguesa, a Fernanda, tem estado estes últimos dias a ajudar-nos com a candidatura a uns financiamentos e sempre que ela começa a falar português comigo eu não a entendo, porque não estou à espera de ouvir português e o meu cérebro demora algum tempo a desligar do modo inglês. Voltando ao sábado, um senhor que estava a pintar as paredes interiores do prédio da Sevelina, queria pendurar um quadro na parede da sala-de-jantar, mas nós estávamos a almoçar e, como eu disse, o meu francês ainda não me permite grandes argumentações, pelo que foi difícil chegarmos a acordo. Depois de termos acabado o almoço ele lá veio pendurar o quadro e ouviu-me falar portugês com a Vanessa. Então virou-se para mim com um ar quase escandalizado "Atão, mas tu também falas português!!?"
É costume por aqui as pessoas fazerem esforços incríveis para se entenderem em inglês ou francês para no fim chegarem à conclusão de que falam ambos português, espanhol ou alemão.
Outro dia um brasileiro passou por mim e atirou-me um piropo original, tipo "Ai que lindo passarinho!". Eu desatei-me a rir e ele ficou embaraçado, porque não devia estar à espera que eu o entendesse.
Se calhar devíamos passar a usar bandeirinhas do nosso país para os outros saberem de onde somos e evitavam-se muitas confusões e embaraços.
Curiosamente, há dias pela primeira vez, alguém me identificou imediatamente como sendo mediterrânica. Um homem no metro aproximou-se de mim, muito muito sorridente. Primeiro fitou-me algum tempo sem me dizer nada e eu troquei uns olhares com um belga ao meu lado que se mostrou solidário, pensando como eu que o homem era maluquinho. Mas por fim ele lá abriu a boca para me perguntar "Ah! Tu es itallienne!?", ao que eu respondi "Non...". "Espagnole?", "Non...", "Ah, je sais! Morocaine!!!". Eh eh eh, acabei por lhe achar piada e lá lhe disse que era "portugaise". Ele ficou com um ar satisfeito, pois parecia ter a certeza de que eu era algures do mediterrâneo.
Depois fiquei intrigada, a pensar no que teria ele visto em mim para ter esse pressentimento certeiro. Concerteza que não foi pela minha pele bronzeada... Mas não tive tempo para mais conversas porque o metro chegou, eu entrei e ele ficou para trás.

Wednesday, November 08, 2006

Viver mais saudável

Outra razão (além da falta de tempo), porque não tenho escrito tanto, é que desde o aumento do nosso grupo de trabalho, eu tenho usado o meu portátil no escritório para trabalhar (por questões orçamentais, só no fim deste mês vão comprar um computador novo para mim) e por isso nos meus tempos livres em casa não tenho o portátil disponível para escrever. Só posso escrever emails e blogs se vier mais cedo para o escritório ou ficar mais tarde depois do trabalho, mas geralmente não tenho muita disposição para isso.
Comecei a frequentar aulas de Jimpa - é ginástica como outra qualquer, mas com um nome muito mais cool - da Friskis Svettis, uma organização sueca que pretende que todos tenham acesso ao exercício físico de qualidade por pouco dinheiro. E de facto é bem baratinho: 85 euros por 5 meses ou 170 euros por 10 meses. Em muitos sítios isso é o que se paga por um ou dois meses. A Lena é "hostess" (não estou a ver qual a melhor tradução para a palavra) da Friskis-Svettis e convidou-me para participar. Fui um bocado desconfiada, porque a Jimpa é basicamente aeróbica e eu estou farta de aeróbica, mas há uma turma de Ki-Jimpa, dada por uma professora japonesa, que mistura movimentos de yoga, tai-chi e artes marciais em geral no meio da aeróbica e eu decidi experimentar para ver se era realmente diferente. Foi bastante divertido e não me custou por aí além, embora a Lena pensasse que eu ia ficar de rastos, porque a turma é de nível de dificuldade médio. Mas eu tenho feito ginástica em casa todos os dias de manhã e por isso não estava completamente enferrujada pelo que aguentei perfeitamente a aula e nada me doía no dia seguinte.
Este fim-de-semana conheci o Parc Wolluwe e o Parc du Cinquantenaire (por onde só tinha passado de fugida), fui ao Musée Royal d'Art et Histoire, participei na Global Action On Climate Change, conheci uma biblioteca pública perto da Place de la Monnaie e fui à Bioshop fazer umas comprinhas. No resto do tempo fartei-me de dormir - 12 horas de sábado para domingo e 11 horas de domingo para 2ª. Devia estar mesmo cansada!
Para terminar, quero só informar duma decisão que tomei para começar este mês (espero que para continuar, mas isso só depois de um balanço o saberei): comprar apenas produtos ecológicos e biológicos. os mercados de pechinchas são óptimos, mas decidi continuar a frequentá-los apenas para roupas e outros bens em 2ª mão, pois a comida, produtos de limpeza e cosmética são algo demasiado importante para serem de má qualidade e cheios de químicos. Já tinha esta ideia quando cá cheguei, mas comecei a pensar mais seriamente nisto quando ao dar restos de comida ao meu rato, ele se recusava sempre a comer a comida do mercado, até estar mesmo a morrer de fome obviamente, mas comia sempre com gosto os meus restos de comida biológica. Há estudos e relatos anedóticos sobre o instinto dos animais para a qualidade dos alimentos, mas é sempre mais marcante quando vemos com os nossos próprios olhos isso acontecer à nossa frente. Pensei "Se o rato se recusa a comer estes vegetais, porque haveriam de ser bons para mim?" Então tomei a decisão de tentar comer apenas biológico.
OK, sei o que vão pensar "És maluca, não tens dinheiro para isso! Sai muito caro!", mas eu só tomei esta decisão depois de comparar os preços dos alimentos ao longo de 2 meses e de ver que a diferença é suportável e que os benefícios para mim e para o mundo são incalculáveis. Claro que serei obrigada a comprar apenas o estritamente necessário - ou seja, o que realmente alimenta e não pizzas e lasanhas congeladas e sanduíches no fast-food - mas isso não é um ponto negativo, é apenas mais um ponto positivo a favor desta opção. Já passou uma semana em que só comi biológico (no fim do mês apresento a conta) e além de não ter sido muito caro, reparei que me alimentei muito melhor do que habitualmente já tento fazer, porque me esforcei muito mais para não comer "porcarias" em snacks e cafés. Se lá pelas 3 semanas vir que começo a não ter dinheiro para o resto do mês, que remédio senão ir ao mercado, mas eu estou convencidíssima que isso não irá acontecer e vou prová-lo a toda a gente.