"Barcelona - It was the first time that we met
Barcelona - How can I forget
The moment that you stepped into the room you took my breath away
Barcelona - La música vibró
Barcelona - Y ella nos unió
And if God willing we will meet again someday"
Barcelona - Freddie Mercury & Montserrat Caballé
Estive uma semana em Barcelona. Enfim, não foi uma experiência tão arrebatadora como a que canta a música, mas gostei muito de lá estar e espero regressar se as causas e condições se reunirem.
Na verdade fiquei alojada em casa de um amigo em Castellterçol, uma terrinha encantadora na serra, a 45 minutos de Barcelona. Inicialmente senti-me frustrada por isso não me permitir visitar a cidade quando e como me apetecesse, mas rapidamente me rendi aos ares do campo. Passeámos pelo bosque, atravessámos quintas, bebemos de nascentes, fizemos amizade com as borboletas...
Quando finalmente visitei Barcelona, tive mais um déjà vu onírico, como sempre tem acontecido quando viajo a um sítio novo. Uma ruela inclinada e com um certo ângulo de convergência com uma praça trouxe-me à memória um sonho que tinha tido meses antes sobre um local que então não me dizia nada. Na altura pensei: não faço ideia onde seja, mas ao chegar àquela rua em Barcelona, não tive dúvida nenhuma de que era aquele local. Até a densidade de pessoas que subiam e desciam a rua era idêntica à do sonho, a praça onde desaguavam idem e tudo o resto do sonho se encaixava agora na perfeição, incluindo o pormenor de ter sonhado que ficaria alojada fora da cidade e de estar numa paragem de autocarro à espera que alguém me viesse buscar. Enquanto todas essas imagens voltavam vívidas à minha memória, eu devia estar a fazer uma cara absolutamente chocada com a experiência, porque os turistas que passavam olhavam para mim com preocupação "será que ela está bem?"
Mas deixando estas coisas incredíveis de lado, vamos aos pontos de interesse na cidade: a arquitectura de Gaudi (dica: visitar La Pedrera depois de uma caipirinha tomada no Tijuana, ajuda a entrar no espírito da coisa); as construções modernistas que pululam pela cidade; a zona velha da cidade e o antigo bairro piscatório; as praias um tanto ou quanto sujas mas extremamente concorridas e com uma água deliciosamente calma e quente; e claro os museus, mas confesso que não vi nem um.
Na verdade não vi nem metade do que poderia ter visto, pois os meus recentes amigos catalães não me deram qualquer chance de vaguear livremente pela cidade e caminhar de sol a sol como é meu costume. Antes me arrastaram de esplanada em esplanada, de restaurante em restaurante, de convívio em convívio, obrigando-me a entrar nos estranhos horários que eles seguem.Pequeno-almoço? Tive alguma dificuldade, pois não é coisa em que os meus amigos invistam muito. Uma caneca de chá com um fiozinho de leite de espelta e lá tinha que aguentar com isso até à hora de almoço. Almoço às 13h da tarde? Isso era o meu sonho. Na verdade levavam-me a beber uma orxata de xufa e ali ficávamos até às 15h, altura em que, se eu tivesse sorte, eles lá decidiam ir comer qualquer coisa. Por essa hora tudo o que eu queria era enfardar um bom prato de comida, mas estes meus amigos vivem na terra das tapas. Por isso levavam-me invariavelmente a um restaurante onde se pagava em média 20 EUR e se comia primeiro uma saladinha, depois um crepe, depois uma batata recheada ou outras combinações que apesar de deliciosas nem sempre me conseguiam deixar a barriga feliz e contente. À hora de jantar (no meu horário) correspondia (no deles) uma nova visita a um bar ou esplanada para mais uma orxata ou um granizado ou uma cervejola. Jantar mesmo, só lá para as 22-23h, se por acaso eles tivessem fome.
Não aderi de coração às orxatas porque eram incrivelmente doces, mas tarde demais percebi que era graças a elas que os meus amigos aguentavam horas a fio sem comer - andavam movidos a açúcar.
Dos poucos passeios guiados que os meus amigos me proporcionaram constaram uma visita ao estádio olímpico e ao exterior do estádio do Barça. Mesmo depois de eu repetir dezenas de vezes que não podia ter menos interesse em futebol e em estádios, ainda me convidaram a entrar no museu do Barça, dizendo entusiasmados que é o museu de Barcelona que recebe mais visitantes. Lá concluímos mais tarde que afinal estávamos perdidos na tradução. Quando eu dizia "chega! chega!" eles entendiam "siga! siga!" e por isso davam-me mais...

