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Tuesday, July 28, 2009

O sole mio!

A convite da minha amiga Fernanda, que vive num simpático "monte alentejano" na região italiana de Marche, eu e o meu namorado demos um pulinho à Itália para uns dias de repouso e aprendizagem.
Conheci a Fernanda em Bruxelas. Ela é daquelas pessoas que ilumina uma sala quando entra e que põe os mortos a mexer, mas é preciso não lhe tocar em certos nervos ou poderão ouvir das boas, que ela não tem papas na língua! Mas é uma kriiiiida :)
Pois bem, neste montezinho (quase) à beira-mar plantado, a Fernanda e o seu valente companheiro de caminhada Mário, tentam esforçadamente voltar às raízes, aprender como fazer, como viver, como estar, produzindo aquilo que é necessário e eliminando aquilo que é supérfluo.

Durante a minha estadia pude conhecer a família alargada da Fernanda, composta por um gato e uma gata, um cão e uma cadela, um cavalo e uma égua, um peixe e uma tartaruga e uns galitos que os vizinhos proprietários de um bed and breakfast querem ver bem longe dali porque incomodam os hóspedes com o seu cócóricó às 5h da manhã. Fica a questão: se não querem ouvir os bichos do campo, porque é que as pessoas não ficam no barulho da cidade? Desejarão também exterminar as cigarras que fazem um barulho ensurdecedor todo o dia? Qual é o limite de ruído campestre aceitável em redor de um turismo rural? Será que existem normas comunitárias com valores-limite de décibeis que os bichos podem fazer? Horário padrão que deverão respeitar?
Conheci os velhotes queridos da quinta mais próxima, com os seus 70 e tal anos de vida agrícola bem impregnados nos corpos rijos. Uma delegação de meninas, na sua maioria neo-campestres, vegetarianas e pró-biológicas invadiu-lhes a casa e eles ofereceram de imediato e com orgulho uma mão-cheia de garrafas de coca-cola para matarmos a sede. A Fernanda explicou que eles julgam ser esse o tipo de coisa que nós bebemos e apreciamos e sentem orgulho em mostrar que têm dinheiro para o comprar e oferecer às visitas. Estranharam por isso a nossa recusa e o pedido de vinho de produção caseira ou sumos biológicos ou até mesmo só água. Ficaram confusos com os nossos pedidos absurdos. Afinal o que os jovens bebem hoje em dia não é coca-cola? Por que raio haveriam de querer beber vinho feito em casa, sem cuidados nenhuns, sem aqueles químicos todos que os tornam merecedores de figurar no supermercado? Água? Mas de que planeta viríamos nós? Isso era dantes, quando não havia coca-cola!!! Acabámos a conversar sobre os problemas da industrialização da agricultura, da exploração e tratamento desumano dos animais, do porquê de preferirmos não comer carne e preferirmos consumir biológico, uma vez que não temos a sorte que eles têm de produzir de forma sustentável o nosso próprio alimento. Aí eles deviam estar a pensar "Sorte!???". Mas depois de todas as explicações, eles acharam que até fazia sentido. Guardaram as coca-colas e bebemos sumos de fruta.
Foram dias ricos em aprendizagem sobre cooperação, desenvolvimento, gestão, sustentabilidade e autonomia. E histórias que davam para não sei quantos filmes.
Pelo meio visitámos algumas terreolas em volta (Monsampolo del Tronto, Acquaviva Picena, Ascoli Piceno, Grottamare), passámos uma tarde na praia mais paradisíaca das nossas vidas banhada pelo Adriático (20ºC às 22h, sem ondulação), almoçámos na associação de produtores biológicos Aurora, comemos como só em Itália se consegue comer delícias de revirar os olhos e ainda tivémos oportunidade de passar por Bolonha e Veneza.
Podia falar muito mais de Bolonha e Veneza, mas não sinto que tenham sido os pontos principais de interesse desta viagem.
Bolonha "La Rossa" merece uma visita às suas infidáveis arcadas, aos palácios em cada esquina transformados em condomínios privados e à sua torre inclinada. Pois é, não é só Pisa que tem uma, existem várias na Itália!
E claro, escusado será dizer que Veneza merece uma visita. Não me deixou boquiaberta como vários amigos me tinham dito que ia deixar, porque quando as expectativas são elevadas, a realidade fica sempre aquém. Mas é bellissima. E se ignorarmos os milhões de turistas que se acotovelam nas ruas principais e mais estreitas, quase se diria que é uma cidade pacata. A não perder: o gueto judeu com as suas lojas de arte e um fantástico restaurante kosher que serve o melhor cappucino do mundo com leite de soja!
Como cereja no topo do bolo, no vôo de regresso reconheci uma das assistentes de bordo como sendo a minha colega Patrícia do curso de alemão, que nos ofereceu a possibilidade de nos sentarmos no cockpit durante a descida e aterragem do avião. Fiquei nas nuvens!!!!!

Tuesday, June 03, 2008

Luzes da cidade

Estou a frequentar um curso de Agricultura Biológica da AGROBIO, que já andava há anos para fazer. Até agora não aprendi muito - ainda andam a explicar a fotossíntese, as características dos solos, enfim, "basic stuff" - mas eu insisti em fazer este curso porque sinto necessidade de sistematizar os conhecimentos livrescos e dispersos que tenho, num todo coerente.
Vou e venho no carro da minha mãe todos os dias, o que me pesa na consciência, mas considerando que saio do curso lá pelas 22h00-22h30, nem pensem que vou sozinha apanhar comboio a Alcântara-Terra a essas horas da noite para reduzir a minha pegada ecológica. Espero que os conhecimentos adquiridos me permitam um dia mais tarde cultivar hectares e hectares biológicos e compensar estas emissões de CO2 ;)
Estou a falar nisto porque ultimamente penso muito no impacto que passei a ter com as minhas viagens regulares de avião. Já ouvi umas bocas duns amigos puristas que atravessam o mundo de comboio e autocarro se for caso disso, mas outros há que argumentam que o meu trabalho em prol de um mundo melhor é suficientemente compensador das emissões de CO2 que emito para a atmosfera. É um argumento discutível. Eu diria que é mais na base do potencial do meu trabalho em contribuir para um mundo melhor que os impactos poderão vir a ser compensados, mas se falarmos em termos imediatos, então de facto não estou a compensá-los muito.
Mas quando os meus amigos anti-avião me apertam os calos, eu digo que antes de se pedir aos ecologistas que deixem de viajar de avião para defenderem o ambiente global, devem pedir isso a quem viaja de avião de Nova Iorque à China apenas para apertar a mão a alguém e fechar um qualquer negócio poluidor. Não estou a sacudir a água do capote dizendo que outros se esforcem em vez de mim, apenas estou a dizer que se o esforço que me pedem para fazer me impede de fazer o meu trabalho em prol dum melhor ambiente, então nesse ponto deveriam passar a pedir esforço semelhante a alguém que possa fazê-lo sem prejuízo para o mundo e chatear-me um pouco menos com o assunto. Busco alternativas, mas para mim não é alternativa gastar 500 EUR e vários dias em vários comboios, numa viagem de trabalho, quando de avião gastaria 200 EUR e 4-5 horas para chegar ao mesmo destino. O que achas, Ritinha?



Quando venho de carro à noitinha - o brilho das luzes da cidade, o reflexo dos vidros e espelhos, a beleza crua dos prédios iluminados contra o céu escuro - ao som de swing e blues da Marginal ;), não consigo evitar amar a beleza deste mundo artificial, denso, complexo e musical que criámos. Uma das imagens mais belas que povoam a minha memória é a das luzes da cidade de Lisboa vistas de avião. Parece algo tirado dum livro de ficção científica, um monumento às capacidades sobre-humanas do ser humano. É pena que tenhamos enveredado por um caminho em que temos tudo isto às custas de um anunciado fim-do-mundo tal como o conhecemos. Podíamos ter tudo isto de forma sustentável. A única razão porque não o temos é o facto da ignorância de alguns prevalecer sobre o engenho de muitos. Oxalá as luzes da cidade iluminem as mentes obscurecidas deste mundo e as coisas mudem. Até lá faço o que posso, mas não me peçam para ser perfeita.

Friday, May 23, 2008

Diversidade planetária

Foi para mim um momento especial estar em Bonn, no Festival Planet Diversity e ouvir a Vandana Shiva em palco falar de um dia, há um ano atrás, em que um grupo de pessoas ambicionaram realizar este evento sentadas na relva do convento Chant d'Oiseau em Bruxelas.
Há um ano atrás eu estava sentada nessa mesma relva, observando esse mesmo grupo, pensando no privilégio que era estar entre aquelas pessoas e desejando dali a um ano estar a participar nesse evento também.
Nunca me ocorreu gastar do meu dinheiro para isso. Teriam que ser as circunstâncias da vida a conspirar para que eu fosse lá como parte do meu trabalho. Et voilá! If you believe, you can achieve!
Como quando noite dentro numa esplanada em Bonn com colegas, eu disse que tinha fome, mas nada do que me sugeriam comprar ali em redor era aquilo que eu queria. "O que eu quero mesmo é uma maçã!" e alguém mete a mão à mala e diz "Olha, eu por acaso tenho aqui uma maçã. Toma."
A vida é assim mágica, dá-nos tudo aquilo que desejamos e precisamos, desde que não tenhamos sombras de dúvida no nosso coração.
A maior parte do tempo desta viagem estive ocupada com preparativos do Congresso e Festival Planet Diversity em Bonn e com uma reunião da UNECE em Köln. Aconteceu tanta coisa! Impossível resumir.
Mas como sempre, reservei algum tempo para turismo, pois queria conhecer melhor estas duas cidades, que afinal são mais bonitas do que me pareceram da outra vez.
Visitei os Jardins Botânicos de Bonn e Köln (o de Bonn tem exemplares do famoso Amorphophalus titanum!!!! Biólogos, sabem do que estou a falar! O raio do coiso é mesmo grande!).
Em Bonn visitei a casa onde nasceu e viveu alguns aninhos o menino Beethoven, comprei uma linda estatueta de Buda numa feira da ladra em Rheinauer Freizeitpark, apaixonei-me pelos quadros de James Rizzi que vi no museu de arte.
Em Köln vi 4 coelhos a saltitar num pequeno terreno entalado entre 3 vias rápidas e 2 linhas de comboio e junto ao Reno, ovelhas pastando bucolicamente ao lado da ponte do tram e das pessoas que patinavam, corriam e andavam de bicicleta no parque ali ao lado. Fui apanhada numa festa popular na Frankfurter strasse onde ficava o hotel e procurei infrutiferamente por todo o lado sandálias Birkenstocks (a pedido de alguém obcecado pelas ditas cujas...) para as encontrar numa loja que tinha fechado 2 minutos antes, na minha última noite na cidade.
Um casal alemão meteu-se comigo por eu estar vestida com as cores da Alemanha. Ri-me, porque não tinha reparado nisso. Parecia a bandeira alemã com pernas. Disse-lhes que estava a prestar homenagem ao seu maravilhoso país, mas a verdade é que não teria notado se eles não me tivessem dito.
Cheguei há dois dias, mas ainda estou cansada. Preciso de processar centenas de fotografias. Ambiciono o dia em que possa fazer download das minhas memórias directamente para o computador.

Monday, February 19, 2007

Nuremberga biológica

Cheguei hoje de madrugada de Nuremberga, onde estive desde 4ª feira na Biofach 2007. Estou de rastos. Seis a sete horas de automóvel, soterrada debaixo de malas e sacos e caixotes de produtos biológicos de oferta. Quatro dias de correria dum lado para o outro na feira. Passeios matutinos em passos largos, na tentativa de ver o máximo possível da cidade antes de ir cada manhã para a feira. Festas de arromba noite dentro organizadas para os participantes da feira.
Fiquei com os pés desfeitos e até tive que comprar botas novas que as que eu levei comigo não aguentaram tanto uso e morreram prematuramente - buracos e rasgões e solas soltas... Devia ter tirado fotografia antes de as ter deitado fora, mas não me lembrei disso.
Nuremberga é lindíssima. Pelo menos os 2/3 que eu consegui ver do centro histórico. Tive a sorte de ficar na Pousada da Juventude no Castelo de Nuremberga, com vista sobre a cidade! Tirei um milhão de fotografias, claro.
A feira era enorme: 150.000 m² de área de exibição e 76.000 m² de área exterior. Cada vez que eu estava num pavilhão e me chamavam de urgência para outro no lado oposto, demorava sempre pelo menos 10 minutos em passo acelerado para lá chegar.
Falei com imensa gente, conheci a Comissária da Agricultura e o pessoal da sede da IFOAM. Adorei ver aquela diversidade de pessoas de todos os cantos do mundo, unidas pela agricultura biológica. Na Biofach vê-se que isto não é coisa de meia dúzia de hippies malucos - é um movimento global com pernas fortíssimas para andar e saltar e correr a maratona!