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Saturday, September 15, 2007

"Volta ao mundo em 80 dias"

Ora bem, por onde começar? Tinha planeado umas férias bem catitas em Agosto que incluíam estadia em Berlim, Hamburgo, Amesterdão entre outras. Arranjei dormida gratuita nessas cidades e boleia até Berlim, mas na hora da partida os impedimentos sucederam-se e perdi as oportunidades (que estavam todas encadeadas): não conseguia levantar dinheiro da minha conta, uma das pessoas que me ia acolher teve que cancelar a oferta por razões pessoais, fiquei com uma dor na perna que me obrigou a ficar no sofá 3 dias... Mas eu tinha um plano B, que se baseava em viagens mais curtas com regresso a casa pelo meio em vez de um tour prolongado. E assim que melhorei da perna e consegui levantar algum dinheiro, lá parti à aventura.

Lille e Tournai
Lille fica na França, perto da fronteira com a Bélgica e Tournai fica na Bélgica no caminho para lá. Gostei de Lille, mas Tournai é bem mais encantadora.
Já posso acrescentar mais uma grande cidade francesa à minha lista de visitas, mas quase valia mais a pena ter-me ficado por Tournai e tê-la explorado mais a fundo.
Nesta viagem apercebi-me de que já me considerava mais belga que portuguesa, porque alguém me perguntou a minha nacionalidade e eu ia dizer belg... ups. Mais tarde na viagem de regresso senti uma pontinha de ofendimento quando um francês no banco da frente que claramente ia à Bélgica pela 1ª vez, insistia que a Bélgica é 5 ou 6 vezes mais pequena que o Luxemburgo e que nem devia ser um país. "Pegue num mapa, homem!!!"

Amesterdão e Roterdão
Amesterdão é quase de certeza a cidade mais feliz do mundo, pelo menos dentre aquelas que eu já tive o privilégio de conhecer. A liberdade que as pessoas usufruem em Amesterdão para se exprimirem, para serem o que são, sem complexos, sem tabus, dá origem a uma alegria e a uma criatividade que se sentem no ar. O ar vibra de sentimentos positivos e deve ser difícil não ser contagiado por eles. A seguir a Bruxelas, se tivesse que escolher outra cidade onde viver seria Amesterdão.
No regresso passei por Roterdão, mas fiz a asneira de sair pelo lado errado da estação de comboios - fui para o interior em vez de ir para o lado do porto e acabei por perder as vistas mais espectaculares da cidade. Vi a câmara municipal, uma igreja e mais uns quantos locais históricos, mas não vi a Roterdão mais característica. Quando me apercebi do erro (não tinha um mapa da cidade comigo) já não tinha tempo para o corrigir, porque tinha mesmo que apanhar o comboio. A culpa foi do meu entusiasmo por Amesterdão que me levou a ficar lá mais horas do que tinha planeado em detrimento da visita a Roterdão.

Luxembourg e Namur
No caminho para o Luxemburgo passei por Namur, outra bela cidadezinha belga, na Walónia. Descobri que as coisas mais interessantes desta cidade ficam nos arredores, mas mais uma vez por falta de tempo não pude vê-las e fiquei-me pelo centro da cidade. Quando cheguei ao Luxemburgo já estava de rastos depois de vários dias de caminhadas intensas e decidi gastar um pouco de dinheiro naquelas viagens de autocarro de 2 andares e de comboiozinho para turistas. Acabou por ser bem divertido e útil, porque vi as tais belezas dos arredores da cidade que a pé nunca teria tempo nem energia para explorar. No final ainda tive tempo para percorrer a pé o centro da cidade.
Fiquei surpreendida com o Luxemburgo, não era nada do que eu estava à espera, muito menos impressionante do que eu imaginava, mas é possível que fazer turismo em série até ao ponto da exaustão tenha dado cabo da minha capacidade de apreciar verdadeiramente as paisagens.
Algumas das principais atracções do Luxemburgo: Instituto Camões, Banco Totta, CGD... Just kidding ;) Mas é estranho notar que apesar da forte presença portuguesa que, aliás, estes bancos e institutos realçam bastante bem, não se ouve falar português nas ruas. Parece haver muito mais portugueses em Bruxelas que no Luxemburgo, possivelmente porque os portugueses no Luxemburgo já há muito tempo que não falam português a não ser quando vêm de férias a Portugal (e mesmo nessas alturas, geralmente preferem falar em francês ou alemão, para mostrarem "que não são de cá").

Mais Bruxelas e Brugge
Entretanto a minha mamã foi até Bruxelas ajudar-me a empacotar a tralha e eu preparei uma semaninha de divertimento intenso para ela. Revisitei com ela os principais locais de Bruxelas e levei-a a uns quantos sítios que eu própria ainda não conhecia. Fomos também a Brugge, onde assistimos a um desfile anual fantástico.

Fartei-me de tirar fotos memoráveis. Umas boas centenas.
Recebi algumas críticas pela minha opção de passar perto de 3 semanas a correr dum lado para o outro que nem uma maluca em vez de relaxar num único local como se faz numas verdadeiras férias. Mas não me arrependo da opção. Andei metade do tempo com dores nas pernas e bolhas nos pés e muitas vezes ao fim do dia já não conseguia apreciar nada com o desejo de voltar para casa e ir dormir, mas eu queria ver o máximo possível enquanto tinha a oportunidade ali à mão. Acredito que oportunidades não faltarão, mas isso não é razão para desperdiçar uma que seja.
Em 26 anos só tinha estado em Portugal, em Espanha e um dia e meio em Paris, mas num só ano conheci mais 8 países (mesmo que nem todos com grande profundidade...). A riqueza dessa experiência valeu bem as dores físicas.

Saturday, June 23, 2007

Que é feito das túlipas e dos moinhos?

Voltei de Warmonderhof em Dronten e está confirmado: os "netherlandeses" são mesmo perfeccionistas com jardins e verdes afins.
Não parece um país real, parece feito à medida. Aliás, que estou para aqui a dizer! É mesmo um país feito à medida!
Estive numa zona que fica 4 metros abaixo do nível do mar, que já foi mar e agora é uma zona agrícola com um ar tão geométrico e perfeito que parece que foi planificada ao milímetro. Nenhuma erva parece crescer sem seguir um plano bem definido quanto à altura que deve ter e o lugar em que deve crescer. Parece que alguém desenrolou uma carpete com uma paisagem instantânea desenhada por engenheiros.
Planície sem fim, campos geometricamente delimitados, beira da estrada com relva imaculadamente cortada, aerogeradores (os novos moinhos de vento da Holanda) em todas as direcções no horizonte, girando hipnoticamente. É uma paisagem muito pacífica, senti-me capaz de me deitar na relva e ali ficar eternamente a ver as nuvens passar, mergulhada no vazio.
Mas os nativos não são muito conviviais, falam o que têm a falar e vão à vida deles. Não parecem muito curiosos ou interessados em falar com "turistas". E as refeições deles são bizarras. Fiz a asneira de encomendar almoço completo e apenas uma sopinha para o jantar, pois quando lá cheguei e descobri que ao almoço é que comem apenas sopinha e pão e que ao jantar é que se empanturram, fiquei a pensar que ia passar fome. Afinal o que aconteceu é que eles ignoraram completamente o meu pedido e chegado o jantar eu tinha o equivalente a dois pratos cheios de comida à minha espera. E como tinham feito um menu vegetariano especialmente para mim, não pude recusar e pedir uma sopinha, senão eles ficavam ofendidos. Então comi uma espécie de enorme lasanha de batata, uma imensa omolete com verduras recheada de lentilhas, uma enorme salada crua e outra de cenouras cozidas com um molho bem engordativo. No final, quando já não aguentava mais, ainda me puseram uma sobremesa de iogurte, mel, frutos vermelhos e biscoito à frente. Tudo biológico, é claro! Tentei explicar que não como produtos lácteos, mas isso para eles é coisa desconhecida - comem queijo e carne em todas as 3 refeições, iogurtes e sei lá mais quantos derivados do leite na forma de sobremesas, copos de leite a acompanhar o almoço... Eles bebem leite como o resto do mundo bebe água.
Pedi-lhes frutas para o pequeno-almoço e disseram-me: já pusemos um cesto com maçãs na vossa cozinha. Ya, ok. Para quem está habituada a comer 5 a 10 peças de fruta por dia, pelo menos de 4 ou 5 variedades diferentes, era como condenarem-me à fome! Lá comi algumas maçãs, mas ao fim de 3 ou 4 já não aguentava mais e acabei a comer pão com queijo como toda a gente... Se eu tivesse que lá ficar mais dias sujeita à comida deles, acho que não sobrevivia muito tempo. Eles devem ter uns genes muito bem selecionados que lhes conferem adaptação àquele estilo de vida. Se eu tivesse que o seguir, ficaria redonda que nem uma baleia e com as artérias todas entupidas, mais depressa do que uma túlipa demora a crescer.

Thursday, May 10, 2007

Wageningen

Pois é, não fui a Amesterdão como tinha dito, mas no sábado seguinte (logo, passado) fui a Wageningen. O Damien tinha que lá ir despedir-se duns amigos, antes de voltar para França e depois partir para a Turquia, e convidou-me, à Sevelina e à Mari - para irmos com ele.
A Universidade de Wageningen é a principal atracção, mas neste sábado havia algo mais com que nos entretermos.
A cidade estava mergulhada na comemoração do Dia da Libertação, uma festa de arromba que se estende literalmente por todas as ruas da cidade.
Parece que o fim da 2ª Guerra Mundial teve lugar nesta cidade a 5 de Maio de 1945. Por isso organizam por lá um desfile com pessoal trajado a rigor, jipes a condizer, veteranos hiper-medalhados e B52s a cruzar os ares, com aquele roncar de motores fascinante que nos transporta para os filmes de época.
Foi uma sensação estranha, observar aquele desfile. Havia no ar um sentimento contagiante de entusiasmo pela guerra, que sentimos que se propagava até a nós e o qual comentámos com algum desconforto.
Além do desfile, vimos toda a cidade e passeámos pelo incrivelmente bonito arboretum, conheci as famosas torres residenciais universitárias de Wageningen, dançámos até cair para o lado (bem, pelo menos eu dancei) e aproveitámos o lindo dia de sol e passámos também alguns bons momentos deitadinhos nos inúmeros relvados à beira rio. Soube-me a um dia no paraíso.
O Pedro perguntou-me se aproveitei o facto de estar na Holanda (perdão, nos Países Baixos, que Holanda é apenas uma região deste país) para fumar umas coisas... Como sempre, nem tal coisa me passou pela cabeça. Eu bem queria, juro que queria! Mas sou tão santinha que essas coisas nem me ocorrem. A certa altura eles foram todos para a tenda da shisha e dos narguilés e perguntaram-me se eu também queria ir, mas não vi qual era o interesse de ir com eles quando estava um DJ no palco a dar um show fabuloso. Então fiquei a dançar, debaixo das árvores e do sol radiante e no final penso que alcancei um estado de transe psicadélico bem mais intenso que algum deles experienciou fumando umas coisas.
Já tenho planos para voltar aos Países Baixos outras duas vezes, incluindo uma passagem por Amesterdão, pelo que irei ter oportunidade de aprofundar mais a minha impressão deste país que tem nome de vários países.
Por enquanto posso adiantar que os holandeses têm bom gosto para a música, sabem fazer festas de arromba que arrombam mesmo, pareceram-me todos muito parecidos (desculpem o pleonasmo, mas até parece que vestem todos a mesma roupa) e são ainda mais obcecados e perfeccionistas com os seus jardins que os belgas.