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Wednesday, December 03, 2008

Vá para fora cá dentro mas lá fora

Já era tempo de visitar também um pouco do que não conheço no meu próprio país, vai daí dei um pulinho aos Açores, à Ilha Terceira.

Sobre os habitantes e os seus estranhos costumes, ninguém melhor para falar do assunto do que a minha amiga Rita, que já faz parte da paisagem daquelas bandas.
Da minha parte só acrescento que:
- tive uma sensação estranha ao voar 2 horas sobre o oceano para aterrar novamente em Portugal. Decididamente tenho que viajar mais para as ilhas e territórios lusófonos...
- por alguma razão igualmente estranha o oceano pareceu-me muito maior visto de uma ilha do que do continente - como hei-de dizer... parecia-me que tinha mais água!!!?
- ao contrário do que pensava que aconteceria, não senti claustrofobia por estar num pedaço de terra ao qual se dá a volta em hora e meia de carro. Afinal, como diz a Rita, a ilha não tem 3 metros por 4, por isso há espaço para esticar as pernas.
- pela 1ª vez fui proibida (mas não impedida, "if you know what I mean") de tirar fotos aéreas quando nos aproximávamos da ilha. Perguntei à hospedeira se era por a paisagem estar protegida por direitos de autor, ao que ela respondeu que era para evitar a espionagem. Não nos esqueçamos que a Terceira é uma base americana rodeada de alguns portugueses, não uma ilha portuguesa com uma base americana ;)
E pronto, que posso dizer mais... Gostei daquilo. Achei pacato, apesar da Rita discordar de mim. As pessoas param os carros abruptamente no meio da via rápida para observarem as vacas a pastar. Fiquei com vontade de ficar por lá e cultivar qualquer coisa. Ou talvez juntar-me às vacas e pastar. Afinal verdura é coisa que não falta por lá.

Monday, August 25, 2008

Entre um pézinho de dança e uma remadela

As minhas férias foram curtas mas enriquecedoras. Depois de tanta indecisão quanto aos festivais (vou? não vou?), lá acabei por - numa decisão de última hora - ir ao Festival Andanças com a Rita.
Confesso que o que pesou mais na minha decisão foi o facto de pelo menos para o Andanças eu ter companhia e a certeza de lá encontrar mais umas quantas caras conhecidas, enquanto que se tivesse ido ao Sudoeste sozinha ia acabar por ser invadida pela melancolia entre um concerto e outro, desperdiçando o gozo sentido pelo meio.
O Andanças é mesmo fixe. O ambiente é electrizante, as pessoas irradiam alegria, mesmo o mais tímido dá por si a suar em bica ao som de ritmos tribais africanos ou a dançar músicas belgas com um perfeito estranho que lhe surgiu pela frente, para depois dar por si numa roda a fazer dança do ventre.
Desconfio que vou passar a ser frequentadora habitual destas "andanças".



Logo de seguida passei uns diazinhos com o Pedro em Belver/Gavião, perto de Abrantes, e em Coutada, perto da Covilhã. Quanto à Coutada, nada a assinalar - terra de emigrantes, chalés kitsch em cada colina, língua oficial: frantuguês, paisagem totalmente degradada à base de plantações de eucalipto e pinheiro alternadas por áreas queimadas e desertificadas... Nem me dei ao trabalho de tirar fotos. Já a zona de Belver e Gavião vale bem a pena uma visitinha. Até canoagem fizémos.


Tuesday, July 22, 2008

Pastel Cultural de Belém

Para aí há duas semanas fui com a minha mãe ao CCB para o aniversário do Museu Colecção Berardo. Ainda não tinha lá ido e como anunciavam entrada gratuita e festa toda a noite achei que devia aproveitar. Mas afinal era golpe publicitário porque só me deixaram ver a primeira e a última sala do museu - trial-version com limitações...
Mesmo assim foi instrutivo porque, do pouco que vi, pude aperceber-me que, ao contrário das minhas expectativas - de que iria achar tudo demasiado "artístico" (meaning: sem pés nem cabeça, nem ponta por onde se lhe pegasse) - até apreciei grande parte das obras. Mesmo o bizarro espectáculo silencioso de dança moderna em câmara lenta que se repetia ad infinitnum numa das salas, me pareceu estranhamente hipnotizante.
Penso que tenho sido muito influenciada pelos quantos amigos artistas que fui arranjando neste último ano - estava a precisar duns e foram-me providenciados ;)
Graças a eles, começo a apreciar mais a arte, mesmo aquela que me parecia totalmente absurda e/ou ridícula. Mas atenção, ainda tenho os meus limites - guinchos de violino com ruídos electrónicos dum laptop (memória duma tarde de Verão no Bacalhoeiro) sai um bocado fora do meu conceito de música e nem todos os riscos pretos numa tela vazia conquistam o meu respeito.
Voltando ao CCB, o ambiente estava quente, havia boa música no ar, mas eu estava com a mãezinha e por isso não fiquei a curtir a night. Tirei umas quantas fotos (espero eu) artísticas e fui comer uns pastéis de Belém por volta da meia-noite. Não sou fã de Pastéis de Belém, mas estes souberam-me especialmente bem.


Monday, March 10, 2008

Lisboa

Ah, Lisboa.
Voltei a sentir-te.
Como uma estaca no coração.
Quero chorar contigo.
O fado. O nosso triste fado.
Abandonada à amargura doce do amor sentido, adiado, reprimido, renunciado.
Assistes indolente ao nascer e ao pôr-do-sol.
Anseias por algo prisioneiro na matriz da melancolia e da saudade.
E o meu coração é o teu.

Saturday, November 17, 2007

Conexões

As pessoas no Porto são mais simpáticas. Pelo menos diz-se que sim e eu também tenho essa impressão. Mas ainda ontem ajudei um senhor a carregar as suas pesadas malas até à hospedaria onde ia ficar instalado e ele agradeceu-me, dizendo precisamente que as pessoas aqui são mais simpáticas, não são como em Lisboa. Ao que eu lhe respondi "Pois, mas eu não sou de cá, eu sou de Lisboa." O senhor ficou sem resposta para me dar.
Às tantas a ideia de que por aqui se é mais simpático acaba por contagiar quem cá chega e a simpatia cresce e multiplica-se, não é que esteja de facto incutida nos genes.
Por falar em pessoas simpáticas... o António descobriu que o café da esquina, aqui perto de casa, tem wi-fi gratuito. Que simpáticos! Pelo que agora somos frequentadores habituais do sítio, juntamente com os nossos laptops. Claro que tenho que consumir alguma coisa para poder cá estar, mas mesmo assim sai mais barato do que ir a um ciber-café. E é sem dúvida mais agradável. O espaço é amplo e quando consigo lugar junto à janela, apanho um belo solinho e tenho uma vista bastante interessante sobre a rua.
Só tem um problema, as opções de bebida e comida não são muito veggie-friendly. Perguntei à senhora do café se tinha leite de soja e ela disse "Não menina, eu só uso meio-gordo." Achei adorável a sua candura :) Resolvi pedir um chá, mas perante a minha pergunta sobre que chás tinham, ela disse que não sabia, porque os nomes estavam todos em inglês. Por isso tive que ser eu a informá-la sobre os chás que tinha. Será que nunca ninguém pediu um chá neste café antes de mim?
Aaaaah, sábado à tarde, sentada no café, ligada à net. Pode parecer estúpido, mas sinto-me bem com isso. Já me tinha adaptado a uma vida "desligada", mas confesso que o vício é grande e agora que o recuperei, sinto-me nas nuvens :) Ontem li cerca de 500 emails que deixei acumular na mailbox e percebi o quanto me faz falta estar "ligada" para manter aquela minha tão característica capacidade de "saber tudo" antes dos outros :) Já andava a ouvir bocas do tipo "então não leste o email que eu te mandei?", "então não soubeste do que se passou?". Isso não costumava acontecer! Senti que estava a ficar para trás. Maldita sociedade da informação! Se quero desligar-me, tenho mesmo que me refugiar numa gruta na montanha...

Friday, October 19, 2007

Pasta al forno

O António (o italiano simpático com quem co-habito de momento), decidiu fazer um jantarinho para uns amigos ontem à noite. Ajudei a cortar os tomates e as beringelas, mas ele é que fez o resto, uma deliciosa pasta al forno - vegetariana, claro!
Fez-me lembrar um pouco as festas em Bruxelas, com a diferença de que em vez de diversidade (cultural, de nacionalidades, de profissões) reinou a uniformidade. Basicamente estiveram presentes uma dúzia de arquitectos (ou aspirantes a...) e uma ave rara (pelo menos era isso que eu parecia no meio deles).
Aprendi que os arquitectos são uns tipos muita estranhos que dizem coisas incompreensíveis e que têm grande inclinação para entornarem garrafas de cerveja no chão. Pelo meio também aprendi umas bases de poker.
All in all, foi um bom ensaio para festanças futuras no chez moi.

Wednesday, October 03, 2007

Na terra dos dragões

Naum. Naum fui pá China, carago. Tou no Puorto e atão num é que já peinso cum suotaque? Falar é qu'inda naum, mas lá se há-de chegare que esta cuoisa peiga-se, pá.
Para quem ainda não sabia, eu ainda mal tinha assentado em Alhandra e já estava de partida para o Porto. Estou a trabucar no Grupo de Estudos Ambientais na ESB-UCP.
Para variar ainda não tive tempo para respirar e escrever coisas bonitas para o blog, mas quando a poeira assentar eu volto a dar notícias. Até lá, fiqueim beim, carago!

Monday, September 10, 2007

De volta à Tugalândia

Já estou em Portugal há 10 dias. Adaptei-me depressa, mas não sinto que estou em casa. A toda a hora tudo me lembra de como em Bruxelas era melhor - sei que nem tudo é melhor lá, mas como já vesti a camisola daquela equipa, é difícil evitar esse sentimento.
Ando um bocado ocupada e ainda não tive tempo para contar as aventuras do meu último mês - estive por França, Holanda, Luxemburgo e dei mais umas voltinhas na Bélgica! Em breve contarei detalhes.
Se alguém me quiser contactar, emailem-me ou usem o meu número de telemóvel 96 (o 91 foi reciclado para outro utilizador por estar muito tempo sem utilização). Também estou contactável via o meu número belga, mas esse está em roaming, por isso não abusem, mandem só sms.
Ah, hoje faço anos, mas não ligo nenhuma a isso. Abraços!

Sunday, December 10, 2006

Portugal genuíno

A Sevelina acha que eu tenho algo contra Portugal, porque estou sempre a criticá-lo. E eu reconheci que "Sim, tenho algo contra Portugal, mas apenas contra um certo Portugal, pois há um outro Portugal que eu amo, mas esse quase não se vê nem se ouve."
Fui até Antuérpia com ela e uma amiga dela espanhola, a Elena, e encontrámos por lá um Café-Restaurante Lisboa que elas quiseram conhecer por dentro. Eu não percebo nada de café, pelo que pedi no balcão um café e um café com leite para elas, mas a senhora que me atendeu fez questão de me corrigir que o que eu queria era uma bica e uma meia-de-leite. "Sim, isso..."
Sentámo-nos a beber a bica e discutimos sobre a cultura portuguesa. A Sevelina adora o "ordinary" e fica fascinada com sítios como aquele, tipicamente portuga, com uma árvore de Natal de plástico numa ponta do balcão e uma águia gigante na outra, Pais-Natal da loja dos trezentos a espreitar por entre garrafas de vinho tinto, posters do SLB por todo o lado e uma televisão gigante de plasma a passar um filme na SIC. Ela acha que isto é o Portugal genuíno e eu tenho que reconhecer que infelizmente ela está correcta. Mas disse-lhe que apesar de genuíno, não é o tradicional, é apenas a versão moderna da cultura portuguesa, despida de profundidade, assente nos valores do futebol, do mal-dizer, da conformidade e da quadrilhice.
Eu não detesto Portugal, gosto do Alentejo e de Trás-os-Montes, da tristeza amargurada de Lisboa e da vivacidade do Porto, da luz e da cor de Portugal, dos pastéis de feijão e de noz (não sou fã de pastéis de nata), da couve-portuguesa e das sopas portuguesas, do azeite e da cortiça, dos Madredeus e do Sérgio Godinho, do Fernando Pessoa e da Florbela Espanca e das pessoas maravilhosas que aí habitam e que eu tive a sorte imensa de terem cruzado a minha vida. Mas não gosto da mentalidade dominante do povo português, nem das expressões dessa mentalidade que decoram um café ou uma tasca perdidos algures numa Antuérpia ou numa Bruxelas. Acho vulgares e de mau gosto.
Mas compreendo que para alguém doutro país possam ser fascinantes. Acho que ficamos sempre fascinados com o kitsch doutros povos e culturas, porque não levámos com uma dose maciça dele ao longo de toda a nossa vida. Por exemplo, ando fascinada com o folclore búlgaro, que acho místico e profundo, mas a Sevelina torce-lhe o nariz.