Wednesday, April 30, 2008

Eu-ropeia

Como diz a Fernanda, ser europeu pode ser muito bem resumido na minha experiência de ter provado verdadeiro mozzarella pela primeira vez em Bruxelas através duma amiga búlgara. Ser europeu é excitante, é fashion e tem "montes" de estilo ;)
Mas eu interrogo-me por quanto tempo se conseguirá ser europeu assim.
Por agora encontram-se muitos italo-gregos casados com alemãs-belgas, cujos amigos mais chegados vivem todos no mínimo a 2h de avião de distância e cujos filhos nascidos na França falam pelo menos quatro línguas e não sabem bem que nacionalidade preencher nos formulários.
Esta diversidade tenderá a desvanecer-se com o desvanecimento das fronteiras e o alargamento dos nossos horizontes. Ser europeu terá tendência a tornar-se um bocado amorfo - uma só eurolíngua, uma só eurogastronomia, uma só eurocultura.
Deixaremos de poder gozar com os franceses dizendo que são uns enfants terribles, com os italianos que são uns engatatões, com os espanhóis que são uns egocêntricos e com os alemães que são uma experiência de condicionamento mal acabada. Seremos todos europeus e teremos todos esses defeitos.
Eu sinto-me felizarda por estar a viver o momento em que a osmose começou e o equilíbrio ainda não foi atingido. Mas quando o "equilíbrio" for atingido e nos tornarmos os Estados Unidos da Europa, muito terá sido perdido. Mas a vida é impermanência, não podemos esperar que as coisas se mantenham sempre no mesmo estado. Há é que aproveitar o melhor possível cada estado enquanto duram.

Tuesday, April 22, 2008

A história das coisas

Celebrem o dia da Terra libertando-se da tralha que consome as vossas vidas. Dêem o que não precisam, reutilizem o que pode ser reutilizado, reciclem o que não tiver mais uso, não vivam para comprar, não desejem possuir, vivam vidas simples e preenchidas com "valores" em vez de "bens".


Thursday, April 10, 2008

Arrivederci Roma

A semana passada estive em Roma. Passei a maior parte do tempo em reunião, enfiada numa sala que nem janelas tinha, mas assim que tive um tempinho livre, pernas para que vos quero!
Passeei com uns novos amigos franceses, jantei em casa dum novo amigo italiano, conheci o lado urbano e caseiro de Roma, mas também vi finalmente o Coliseu por dentro, o museu do Vaticano, a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro.
Diz-se que não se pode ir a Roma e não se ver o Papa. Eu dispenso ver o Papa, não é propriamente um deleite para os olhos, mas achava que não se podia ir a Roma e não se ver o Vaticano e a Basílica. Não é que tenha grande respeito por aquilo que representam, muito pelo contrário, mas apesar disso (ou talvez mesmo por isso) não podia deixar de ir ver aquilo por dentro.
Paguei a módica quantia de 15 euros para poder ver o museu e a Capela Sistina e mais 5 euros para poder subir à cúpula da Basílica.
Governam-se bem estes senhores! O que aliás é bem notório quando se entra lá dentro e nos deparamos com aquela obscenidade opulenta, aquela pornografia ostentatória, enfim, aquele exagero palaciano cujas únicas palavras capazes de o descrever são as que usaríamos para descrever uma náusea causada por saturação dos sentidos.
A subida à Cúpula custava 7 euros para quem quisesse subir de elevador, mas eu fui estóica (ou terei sido forreta?) e decidi subir a pé. Já subi muitas torres, algumas bem mais altas, como a da Catedral de Köln, mas por alguma razão esta foi a que me pareceu mais interminável.
Eu já estava a alucinar, ali sozinha (todos os outros milhares de visitantes parecem preferir pagar mais 2 euros), sempre a subir, à roda, à roda, à roda... Às tantas já não sabia quem era nem onde estava, apenas que tinha de continuar a andar à roda, à roda... A vista lá de cima compensa o esforço, mas acho que acabei por apreciar mais o ar fresco do que propriamente a vista, uma vez que esta também tirava o fôlego.
Ao contrário dos museus habituais, no museu do Vaticano são as paredes e os tectos as verdadeiras obras de arte enquanto que as esculturas e quadros não passam de acessórios secundários. Os turistas atropelam-se todos para a Capela Sistina que só surge no fim do percurso, o que deixa bastante espaço para vermos o museu nas calmas. É vê-los passar aos magotes, atropelando-se corredores fora na esperança de lá chegarem antes dos outros todos e deixando as restantes salas praticamente a pedirem "por favor, visitem-nos". Curiosamente, depois de ter feito todo o percurso nas calmas e de ter ficado boquiaberta com cada uma das salas e corredores - e com um torcicolo de olhar para os tectos - ao chegar à Capela Sistina, a minha reacção foi "Ya, mais um tecto pintado. E então?"
Depois de toda aquela agitação de turistas chineses e japoneses a atropelarem-se com as máquinas fotográficas em punho, foi uma sensação bizarra entrar na Capela Sistina quase sem luz nenhuma e ver um mar de gente totalmente imóvel, silenciosa e compactada. Pareciam totalmente esmagados por uma força superior, totalmente rendidos. De vez em quando ouvia-se uma voz gritar "No noise! No pictures!" e lá estava toda aquela gente na semiobscuridade, quase que com medo de respirar, quanto mais sair do lugar e desafiar as ordens proferidas.
Eu confesso que tenho um problema com a autoridade, especialmente quando a autoridade é a igreja católica (lolol) e por isso tirei fotos (sem flash, que sei que isso danifica as pinturas) perante os olhares incrédulos dos outros turistas cumpridores. Até tirei uma com o telemóvel para ter a Capela Sistina como fundo do dito cujo. Sim, não tenho respeito nenhum e vou certamente parar ao Inferno ;) De facto aquilo é bonito, mas quando as pessoas levam as coisas demasiado a sério, perdem-se. Afinal de contas, é só um tecto pintado :)
Já na Basílica fiquei encantada com a zona dedicada às confissões. Afinal a igreja católica anda a modernizar-se! Dispostos em semi-círculo estão diversos confessionários, cada um com uma luzinha verde ou vermelha indicando a sua disponibilidade e com plaquinhas referindo as línguas em que cada um dos respectivos padres pode ouvir a confissão. Eu tentei fotografar um que estava com luzinha verde, a portinha entreaberta e um padre lá dentro com um livro (O Livro?) na mão e que anunciava "Espanhol/Inglês/Italiano". Infelizmente logo fui impedida por um segurança que me pediu com ar de poucos amigos que mostrasse um pouco de respeito. Ok, ok, porque será que ficam tão ofendidos com umas fotozinhas? Será que é porque receiam admitir a ironia de tudo aquilo ao deixarem que alguém o capte em imagem?
Quando saí do Vaticano admirei-me de não ter sido levada por uns guardazinhos suiços para os calabouços da Inquisição depois dos meus comportamentos tão inusitados.
Que mais posso dizer? O Astérix tinha razão, os romanos são loucos. Apesar disso, pizza de batata é uma surpresa surpreendentemente boa.
Baci a tutti!