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Friday, May 23, 2008

Diversidade planetária

Foi para mim um momento especial estar em Bonn, no Festival Planet Diversity e ouvir a Vandana Shiva em palco falar de um dia, há um ano atrás, em que um grupo de pessoas ambicionaram realizar este evento sentadas na relva do convento Chant d'Oiseau em Bruxelas.
Há um ano atrás eu estava sentada nessa mesma relva, observando esse mesmo grupo, pensando no privilégio que era estar entre aquelas pessoas e desejando dali a um ano estar a participar nesse evento também.
Nunca me ocorreu gastar do meu dinheiro para isso. Teriam que ser as circunstâncias da vida a conspirar para que eu fosse lá como parte do meu trabalho. Et voilá! If you believe, you can achieve!
Como quando noite dentro numa esplanada em Bonn com colegas, eu disse que tinha fome, mas nada do que me sugeriam comprar ali em redor era aquilo que eu queria. "O que eu quero mesmo é uma maçã!" e alguém mete a mão à mala e diz "Olha, eu por acaso tenho aqui uma maçã. Toma."
A vida é assim mágica, dá-nos tudo aquilo que desejamos e precisamos, desde que não tenhamos sombras de dúvida no nosso coração.
A maior parte do tempo desta viagem estive ocupada com preparativos do Congresso e Festival Planet Diversity em Bonn e com uma reunião da UNECE em Köln. Aconteceu tanta coisa! Impossível resumir.
Mas como sempre, reservei algum tempo para turismo, pois queria conhecer melhor estas duas cidades, que afinal são mais bonitas do que me pareceram da outra vez.
Visitei os Jardins Botânicos de Bonn e Köln (o de Bonn tem exemplares do famoso Amorphophalus titanum!!!! Biólogos, sabem do que estou a falar! O raio do coiso é mesmo grande!).
Em Bonn visitei a casa onde nasceu e viveu alguns aninhos o menino Beethoven, comprei uma linda estatueta de Buda numa feira da ladra em Rheinauer Freizeitpark, apaixonei-me pelos quadros de James Rizzi que vi no museu de arte.
Em Köln vi 4 coelhos a saltitar num pequeno terreno entalado entre 3 vias rápidas e 2 linhas de comboio e junto ao Reno, ovelhas pastando bucolicamente ao lado da ponte do tram e das pessoas que patinavam, corriam e andavam de bicicleta no parque ali ao lado. Fui apanhada numa festa popular na Frankfurter strasse onde ficava o hotel e procurei infrutiferamente por todo o lado sandálias Birkenstocks (a pedido de alguém obcecado pelas ditas cujas...) para as encontrar numa loja que tinha fechado 2 minutos antes, na minha última noite na cidade.
Um casal alemão meteu-se comigo por eu estar vestida com as cores da Alemanha. Ri-me, porque não tinha reparado nisso. Parecia a bandeira alemã com pernas. Disse-lhes que estava a prestar homenagem ao seu maravilhoso país, mas a verdade é que não teria notado se eles não me tivessem dito.
Cheguei há dois dias, mas ainda estou cansada. Preciso de processar centenas de fotografias. Ambiciono o dia em que possa fazer download das minhas memórias directamente para o computador.

Friday, February 22, 2008

Almstadtstrasse 24

Como prometido, voltei a Berlim. Infelizmente, devido ao temporal que atingiu a zona de Lisboa há alguns dias, perdi o avião que me ia dar um dia inteiro para turismo e tive que me contentar com poucas horinhas livres para passear por zonas ainda não exploradas e visitar o Deutsche Bundestag
Além da impressionante e inovadora cúpula que se encontra no topo deste edifício, a vista de Berlim que de lá se vê é um "müss sehen".
Apesar de curta, esta viagem foi mais produtiva que a anterior no que toca a mergulhar no espírito de Berlim. Fiquei alojada numa casa comunitária, die Hausprojekt ALMstadtstr. 24, muito "berliner" segundo me explicaram, com mais 14 habitantes trabalhadores independentes, estudantes Erasmus e aventureiros de toda a espécie.
A Charlotte e o Christophe, dois franceses temporariamente a ganhar a vida em Berlim, convidaram-me a ficar por lá. Convidaram-me também a entrar mais no espírito da casa juntando-me à reunião semanal das 4ªs feiras na sala comum. As línguas oficiais da reunião foram o alemão e o castelhano, mas também se lhe misturavam o francês, o português (havia lá um espanhol que falava português!), o italiano e raramente um pouco de inglês. Como pano de fundo ouvia-se chanson française e música senegalesa. Alguns dos espanhóis menos envolvidos na discussão surpreenderam-nos com uma enorme tortilla feita ali ao lado na cozinha sem que ninguém tivesse dado por isso e um italiano (presumo eu) fez umas massas com molho de tomate e ali se improvisou uma refeição que dificilmente encheu a barriga a alguém e que gerou olhares recriminatórios por parte dos que não tiveram coragem de se alambazar como outros menos preocupados com o que pensariam deles.
A minha passagem por Almstadtstr aconteceu num momento chave, uma vez que todos os seus habitantes tinham acabado de receber ordem de despejo, dando-se assim por terminado aquele projecto de 15 anos.
Explicaram-me que os prédios daquela zona, anteriormente propriedade da RDA, ficaram entregues às comunidades que os habitavam após a queda do muro de Berlim, até lhes serem encontrados os donos originais. Aqueles que demoraram a aparecer permitiram que comunidades como esta continuassem a existir e a renovar-se. Mas aos poucos foram sendo devolvidos aos donos ou comprados por meia dúzia de patacas. Agora que dão por si inseridos em Berlim-Mitte (centro de Berlim) cada vez mais uma zona chique e cara, estas comunidades que pagam rendas reduzidas estão a ser postas a andar para dar lugar a quem possa pagar preços exorbitantes.
Na reunião discutiam-se conhecimentos de outras comunidades em Berlim ou de locais para onde esta se pudesse mudar, mas o desânimo era grande perante a falta de perspectivas. Haverão muitas casas partilhadas por grupos de jovens, mas esta parece ser a última do seu género e dimensão. E eu tive a honra de assistir aos seus últimos momentos.

Friday, January 25, 2008

Ich war ein Berliner

Tanta água passou por baixo da ponte desde o meu último contacto.
Já não estou no Porto. O meu estágio por lá não foi além dos 2 meses.

Em compensação comecei um novo trabalho para a GENET. É o emprego que eu andava a desejar: pode ser feito onde quer que que tenha acesso à net, o horário sou eu que defino, assim como o tempo que trabalho, tenho que viajar frequentemente pela Europa, cooperar com todas as pessoas interessantes que comecei a admirar durante o meu ano em Bruxelas e a quem eu aspiro igualar profissionalmente. Só espero fazer tudo por merecer esta oportunidade.
O primeiro docinho do meu trabalho foi a oportunidade de ir a Berlim. Curiosamente (há muitos curiosamentes na minha vida, n'est-ce pas?) Berlim era a cidade europeia que eu queria visitar em seguida. Tinha ficado triste de não ter conseguido lá ir durante as férias.
Berlim não é linda, em termos arquitectónicos não tem muito que se veja, mas a história dela assalta-nos em cada esquina. Estranhamente não senti a opressão de todos os acontecimentos que lá tiveram lugar. É uma cidade completamente nova que nasceu por cima dos escombros das guerras e conflitos, sem sentimentos de culpa ou de recriminação. Ou pelo menos assim me pareceu.
Daqui a menos de um mês tenho que lá voltar. Mais uma cidade na qual me sinto em casa.

Sunday, March 18, 2007

Köln

Ontem fui a Köln com a Eva. Ela atrasou-se uma hora e perdemos o comboio internacional. Para lá chegarmos tivémos que apanhar regionais e intercidades e mudar 3 vezes de comboio. Qualquer outra pessoa ter-se-ia "passado dos carretos" com ela, mas eu aproveitei a oportunidade para desenvolver a minha tolerância e compaixão e excepto naquele minuto em que vi o nosso comboio chegar e partir e em que senti o estômago às voltas, senti-me sempre perfeitamente calma. Afinal poderia ter-me acontecido a mim.
Ela vinha extremamente nervosa, com receio da minha reacção, mas quando viu que eu estava calma e sorridente, tirei-lhe um peso tão grande de cima que ela desatou a rir e a chorar ao mesmo tempo, enquanto dizia disparates atrás de disparates.
Em Liège, onde fizémos uma das mudanças de comboio, tive que ir ao wc - estava mesmo necessitada. À porta do wc estavam 3 raparigas a conferenciar em inglês se entravam se não entravam, que custava 50 cts e se valia a pena. Uma delas finalmente decidiu-se a entrar, mas as outras ficaram especadas frente à porta aberta. Eu que já estava nos meus limites, simplesmente passei-lhes à frente, aproveitei a porta aberta e entrei. Ouço então uma das raparigas a barafustar em português "Olha-me só esta gaja! Aproveitou-se e entrou!". Eu virei-me para trás, pedi desculpa pela minha lata e disse que eu pretendia partilhar a despesa. Mas ela ficou tão embaraçada que nem quis saber do dinheiro para nada e me pediu desculpa não sei quantas vezes pelo que tinha dito. Mas eu queria mesmo partilhar a despesa! Enfim... Os portugueses estão em todo o lado!!! Nunca podemos confiar que ninguém vai perceber o que estamos a dizer.
Chegámos a Köln 2 horas mais tarde que o previsto, mas ainda assim tivémos tempo para ver tudo o que era importante e ainda beber um café, fazer um pic-nic, apreciar as vistas dum banquinho de jardim.
O centro das atenções de Köln é decididamente a catedral. Eu e a Eva comentámos que o gótico não é suposto ser perfeito, não procura a simetria, mas que os alemães com a sua mania das perfições, tinham que construir uma catedral gótica perfeita e simétrica, porque simplesmente não conseguiriam evitá-lo, é compulsivo para eles. Bem, não somos peritas nestas coisas, mas foi o sentimento com que ficámos :)
Subimos a torre da catedral - 10 minutos a subir uma escada em caracol e mais uma pequena subida numas escadas em metal no topo da torre, aonde comecei a sentir algumas vertigens. Uma vista impressionante (lembrou-me a Torre Eiffel), mas fiquei aliviada quando voltei a estar perto do chão.
Tivémos tempo para também percorrer a enorme zona comercial da cidade. O pormenor mais engraçado do dia: uma banca de bonequinhos de peluche, duma colecção entitulada "Little Thinkers", aonde haviam peluches de Gandhi, Shakespeare, Karl Marx, Sherlock Holmes ou Mozart. Brinquedos para as criancinhas intelectuais ou para os intelectuais criancinhas?


Monday, February 19, 2007

Nuremberga biológica

Cheguei hoje de madrugada de Nuremberga, onde estive desde 4ª feira na Biofach 2007. Estou de rastos. Seis a sete horas de automóvel, soterrada debaixo de malas e sacos e caixotes de produtos biológicos de oferta. Quatro dias de correria dum lado para o outro na feira. Passeios matutinos em passos largos, na tentativa de ver o máximo possível da cidade antes de ir cada manhã para a feira. Festas de arromba noite dentro organizadas para os participantes da feira.
Fiquei com os pés desfeitos e até tive que comprar botas novas que as que eu levei comigo não aguentaram tanto uso e morreram prematuramente - buracos e rasgões e solas soltas... Devia ter tirado fotografia antes de as ter deitado fora, mas não me lembrei disso.
Nuremberga é lindíssima. Pelo menos os 2/3 que eu consegui ver do centro histórico. Tive a sorte de ficar na Pousada da Juventude no Castelo de Nuremberga, com vista sobre a cidade! Tirei um milhão de fotografias, claro.
A feira era enorme: 150.000 m² de área de exibição e 76.000 m² de área exterior. Cada vez que eu estava num pavilhão e me chamavam de urgência para outro no lado oposto, demorava sempre pelo menos 10 minutos em passo acelerado para lá chegar.
Falei com imensa gente, conheci a Comissária da Agricultura e o pessoal da sede da IFOAM. Adorei ver aquela diversidade de pessoas de todos os cantos do mundo, unidas pela agricultura biológica. Na Biofach vê-se que isto não é coisa de meia dúzia de hippies malucos - é um movimento global com pernas fortíssimas para andar e saltar e correr a maratona!