Wednesday, March 28, 2007

Ciao a tutti!!!

Cheguei ontem de Itália onde estive uma semana a participar num seminário da IFOAM-EU. O seminário teve lugar em Bari, no sudeste de Itália, na região de Puglia, mas apesar de haver um aeroporto em Bari eu fui até Roma e de lá apanhei comboio para Bari. Desta forma pude conhecer Roma! E que bem que valeu a pena!!! Vi o Coliseu, o Fórum Romano, a Praça de São Pedro, a Fontana di Trevi e mais, muito mais!!!
O dia em que visitei Roma foi provavelmente o dia mais intensivo da minha vida. Esta foi a minha agenda do dia:
4h - táxi para a Gare du Midi
4h30 - autocarro da Gare du Midi para o aeroporto Charleroi a 1h de Bruxelas
5h30 - check-in no aeroporto
7h - avião para Roma-Ciampino
10h - autocarro para o centro de Roma a 1h de distância
11h - deixar a bagagem na estação Roma Termini
11h30 - começar a percorrer Roma a pé e de metro
15h30 - regresso à estação de comboios e partida para Bari
20h30 - chegada a Bari e táxi para o Instituto Agronómico de Bari
21h - mini-bus do Instituto para o hotel
21h30 - jantar no hotel com os outros participantes (nem sei como ainda consegui chegar a tempo do jantar!!!)
22h - últimos preparativos para o seminário
23h - acho que finalmente caí na cama, mas no dia seguinte às 7h já estava de pé
Uau, mas valeu a pena. Roma é lindíssima!!!
Durante os outros dias, apesar da participação no seminário, houve oportunidade de ver muita coisa em Puglia. Bari só é bonita no seu centro histórico que é de cortar a respiração. Nos arredores pude ver outras coisas bem interessantes:
- as áreas protegidas de olivais centenários com oliveiras que são verdadeiras obras de arte,
- Alberobello e os seus trullis (casinhas típicas muito bizarras com telhados cónicos) classificados como Património da Humanidade pela Unesco),
- o Castel del Monte (outro Património da Humanidade)
- as grutas de Castellana que me fazem acreditar que de facto é possível viver-se debaixo da terra...,
- as inúmeras terrinhas do sudeste italiano, onde é muito fácil entrar, mas de onde é impossível sair (não há quaisquer indicações de saída e as ruas formam labirintos que nos fazem andar em círculos durante horas)
- as inúmeras igrejas, palácios e becos incrivelmente bonitos e cheios de charme.
Em Bari tive ainda a oportunidade de visitar o castelo, onde jantámos numa das noites do seminário e de ver uma exposição de ovos Fabergé que por acaso anda a correr o mundo e sabe-se lá porquê parou no castelo de Bari. Dois seguranças fortemente armados e com coletes à prova de balas deixavam entrar 5 pessoas de cada vez na exposição e vigiavam cada movimento que fazíamos, mas apesar do desconforto de tanto controlo, foi excelente ter aquela oportunidade (gratuita para nós!) de ver os famosos ovinhos num castelo à noite - foi mágico.
Falta dizer que fiquei alojada num hotel de 4 estrelas. Chateia-me um bocado as coisas parvas que fazem nestes hotéis como substituírem todos os dias um sabonete que mal utilizámos, mas confesso que me soube muito bem ser tão bem tratada, como uma princesa!! E a comida, ai a comida!!! Acho que só 1 ou 2 outras vezes na minha vida comi coisas tão deliciosas. Tivémos direito a buffet vegetariano cozinhado no céu.
A única impressão negativa que trouxe de Itália foi a do seu horrível tráfego que, acreditem, consegue ser bem pior que o português. Total desrespeito pelos sinais vermelhos - os italianos simplesmente ignoram-nos e se alguém por acaso decide parar num, toda a gente o ultrapassa e segue caminho; linhas duplamente contínuas - é igual quer existam quer não; stops, limites de velocidade, passadeiras para peões, tudo isso é paisagem para os italianos. Em Roma, inicialmente estranhei que os semáforos não exibissem luz verde para os peões, apenas vermelho ou amarelo. Cinco minutos depois percebi porquê: é que não interessa realmente que sinal está luminoso, os condutores não olham para eles de qualquer maneira.
O guia italiano que nos guiou nas grutas de Castellana disse por entre várias piadas sobre os italianos e o Berlusconi, que a única regra de trânsito existente em Itália é "manter-se em movimento, não interessa quais as circunstâncias".

Sunday, March 18, 2007

Köln

Ontem fui a Köln com a Eva. Ela atrasou-se uma hora e perdemos o comboio internacional. Para lá chegarmos tivémos que apanhar regionais e intercidades e mudar 3 vezes de comboio. Qualquer outra pessoa ter-se-ia "passado dos carretos" com ela, mas eu aproveitei a oportunidade para desenvolver a minha tolerância e compaixão e excepto naquele minuto em que vi o nosso comboio chegar e partir e em que senti o estômago às voltas, senti-me sempre perfeitamente calma. Afinal poderia ter-me acontecido a mim.
Ela vinha extremamente nervosa, com receio da minha reacção, mas quando viu que eu estava calma e sorridente, tirei-lhe um peso tão grande de cima que ela desatou a rir e a chorar ao mesmo tempo, enquanto dizia disparates atrás de disparates.
Em Liège, onde fizémos uma das mudanças de comboio, tive que ir ao wc - estava mesmo necessitada. À porta do wc estavam 3 raparigas a conferenciar em inglês se entravam se não entravam, que custava 50 cts e se valia a pena. Uma delas finalmente decidiu-se a entrar, mas as outras ficaram especadas frente à porta aberta. Eu que já estava nos meus limites, simplesmente passei-lhes à frente, aproveitei a porta aberta e entrei. Ouço então uma das raparigas a barafustar em português "Olha-me só esta gaja! Aproveitou-se e entrou!". Eu virei-me para trás, pedi desculpa pela minha lata e disse que eu pretendia partilhar a despesa. Mas ela ficou tão embaraçada que nem quis saber do dinheiro para nada e me pediu desculpa não sei quantas vezes pelo que tinha dito. Mas eu queria mesmo partilhar a despesa! Enfim... Os portugueses estão em todo o lado!!! Nunca podemos confiar que ninguém vai perceber o que estamos a dizer.
Chegámos a Köln 2 horas mais tarde que o previsto, mas ainda assim tivémos tempo para ver tudo o que era importante e ainda beber um café, fazer um pic-nic, apreciar as vistas dum banquinho de jardim.
O centro das atenções de Köln é decididamente a catedral. Eu e a Eva comentámos que o gótico não é suposto ser perfeito, não procura a simetria, mas que os alemães com a sua mania das perfições, tinham que construir uma catedral gótica perfeita e simétrica, porque simplesmente não conseguiriam evitá-lo, é compulsivo para eles. Bem, não somos peritas nestas coisas, mas foi o sentimento com que ficámos :)
Subimos a torre da catedral - 10 minutos a subir uma escada em caracol e mais uma pequena subida numas escadas em metal no topo da torre, aonde comecei a sentir algumas vertigens. Uma vista impressionante (lembrou-me a Torre Eiffel), mas fiquei aliviada quando voltei a estar perto do chão.
Tivémos tempo para também percorrer a enorme zona comercial da cidade. O pormenor mais engraçado do dia: uma banca de bonequinhos de peluche, duma colecção entitulada "Little Thinkers", aonde haviam peluches de Gandhi, Shakespeare, Karl Marx, Sherlock Holmes ou Mozart. Brinquedos para as criancinhas intelectuais ou para os intelectuais criancinhas?


Thursday, March 15, 2007

É preciso ter lata

Ganhei dois convites para visitar o Salão Life2, sobre saúde, alimentação, bem-estar e forma física, no Expo Palais de Bruxelles.
Fui ver o programa do salão no website que vem indicado nos convites e qual não é o meu espanto quando vejo que durante toda a tarde de sexta-feira, irão haver sessões contínuas da seguinte apresentação:
"Choix en connaissance de cause chez McDonald's - Fun, exercise et alimentation variée: un engagement pour l'équilibre" - Dhr. Stephan De Brouwer (McDonald's)
Para quem não percebeu, um "doutor" vai falar sobre como ter uma vida saudável e uma alimentação saudável com o McDonalds! E eu que me tenho andado a enganar a fazer yoga e a ter uma alimentação vegetariana biológica quando afinal a fast food do MacDonalds é que é o caminho para uma vida saudável! A partir de amanhã só como hamburguers, mcnuggets, sundaes e batatas fritas e o único exercício que vou fazer será caminhar até ao McDonalds mais próximo 3 vezes ao dia.
É realmente maravilhoso que haja pessoas tão altruístas no mundo que tenham a bondade infinita de nos mostrar desinteressadamente o que verdadeiramente é melhor para a nossa saúde e qualidade de vida! (ironia)

Sunday, March 11, 2007

As iludências aparudem

Na 6ª feira à noite jantei em casa da Lena e aproveitámos para discutir os meus primeiros 6 meses de EVS. Chegámos a muitas conclusões interessantes que irão constar dum relatório que estamos a escrever, mas o mais interessante foi aquilo que ela me disse sobre as expectativas iniciais que ela e o Marco tinham de mim.
Ela disse que literalmente não esperavam muito de mim. Enfim, tive que me rir, porque afinal escolheram-me de entre dezenas de candidatos e mesmo assim não estavam muito convencidos das minhas capacidades. Ela explicou-me que não só eu superei as expectativas em termos intelecto-profissionais (também não era preciso muito... considerando o nível de expectativa) como superei as expectativas em termos de resistência psicológica e emocional. Estavam ambos convencidos que ao fim do primeiro mês eu quereria desistir ou pelo menos precisaria de apoio psicológico para me aguentar por cá mais tempo.
Fiquei tão surpeendida com isso que perguntei porquê. Ela disse-me que nos primeiros 6 meses em Bruxelas ela não conseguiu arranjar amigos, estava sempre enfiada no quarto a chorar, que odiava tudo e queria voltar para casa e que partindo do pressuposto que eu era mais nova, que nunca tinha saído do país, que nunca tinha estado longe da família por tanto tempo, que vinha fazer algo que nunca fiz na vida e que tinha que aprender a falar outra língua (além de ser portuguesinha e vir dum "país de 3º mundo" para uma "metrópole europeia") só poderiam esperar que eu desatasse a chorar e a chamar pela mamã.
Mas eu já estou habituada a ser menosprezada. As pessoas baseiam-se nas aparências e nas suas próprias vivências e não imaginam nem sonham o que se esconde debaixo daquilo que projetam em mim.  Tão calada, tão sossegada, nunca foi a lado nenhum, não tem ambições, não deve saber nada da vida, deve ser tão ingénua, não se irá safar lá fora no mundo...
Tempos idos eu costumava dizer que tinha a experiência de mil vidas dentro de mim e o meu paizinho ficava imensamente chateado quando ao querer ensinar-me sobre as pessoas e o mundo eu alegava sempre que já sabia tudo isso e mais. Ele achava que eu estava a ser arrogante, mas eu não estava apenas a teimar, eu sabia mesmo. Hoje continuo certa daquilo que eu afirmava. 

Banda sonora underground

Comprei um leitor de mp3 baratinho no ebay que também lê ebooks e vídeos, toca rádio, grava aúdio, mostra fotografias, tem jogos... Enfim, só não me massaja os pés quando chego a casa cansada, de resto faz tudo. Já estava farta de ver toda a gente no metro com os fonezinhos nos ouvidos, imersos na sua própria banda sonora enquanto eu tinha que ouvir os artistas do metro que, verdade seja dita, são mais inventivos que os do metro de Lisboa, mas mesmo assim não são assim tão bons que eu os queira ouvir. Há um italiano (outro), que carrega consigo um carrinho de ir às compras com um aparelho de karaoke e colunas no interior e que pega num microfone e enche a carruagem do metro com as suas musiquinhas pirosas e românticas. É uma cena bizarra ver um tipo a cantar para um microfone a sair dum carrinho de compras.
Mas dizia eu... Ao vir para casa com o meu novo brinquedinho, reparei que em 10 pessoas que partilhavam a carruagem de metro comigo, 5 delas (sem exagero) também tinham um brinquedinho como o meu. De repente senti-me estúpida e que tinha comprado aquilo só porque toda a gente tem um. Mas a verdade é que a vida é mesmo diferente quando temos banda sonora. Por exemplo, quando em final de hora de ponta eu observava as pessoas vagueando no metro com ar ausente, começou a tocar a música Ring of Fire do Jonhy Cash no mp3. De repente tive a clara sensação de estar dentro dum filme do Tarantino e comecei a rir-me sozinha. Se calhar sou maluca, mas estas pequenas coisas divertem-me à brava.

Friday, March 02, 2007

Bonjour mademoiselle

Gostava de ter coisas para contar, juro, mas tenho passado o tempo a fazer yoga, a estudar francês, a trabalhar e a tentar dormir alguma coisa e é difícil ter tempo para fazer algo digno de ser aqui contado.
Este sábado vou à festa de anos da Nocas e no domingo vou passear com a Eva aqui por Bruxelas em busca de coisas que ainda não tenhamos visto. Pode ser que então tenha algo para contar, se não ou terei de falar do meu trabalho ou de temas altamente importantes e filosóficos e sinceramente não me apetece escrever nem sobre uma coisa nem sobre a outra.
Só para não ficarem com a impressão de que escrevi um post sobre absolutamente nada, posso contar uma pequenina historieta.
Há um italiano que toca viola ali na saída do metro em Arts-Loi e a quem uma vez dei uma moedinha. No dia seguinte quando lá passei ele desatou aos berros "Bonjour mademoiselle! I know you! And I love you! I love you!" e começou a dedicar-me uma canção de amor qualquer. Entretanto deve ter ficado à espera que eu lhe desse mais moedinhas, mas como não dei ele ficou carrancudo durante uns dias. Agora voltou a estar sorridente e todos os dias me cumprimenta. Por causa disso já pensei voltar a dar-lhe outra moedinha, mas tenho medo que se o fizer ele ande uma semana a gritar "I love you" sempre que eu por lá passar.