Depois da manhã de 6ª feira a ler documentos de preparação para o meu trabalho, o Marco deu-me a tarde livre e disse-me que gozasse bem o fim-de-semana prolongado.
Fui comprar um telemóvel, um mapa detalhado, alguns bens essenciais de que necessitava e ainda passei pelos correios para fazer um recado ao Marco. Como cheguei cedo a casa, fui dar uma volta pelos arredores. Fiquei pasmada com as moradias e jardins que por aqui se sucedem. Esta é sem dúvida uma zona muito in.
Perguntei à Lena se este apartamento não custa os olhos da cara, mas ela diz que não, porque apesar de estar numa boa zona, é bastante pequeno e por isso tem um preço acessível. Custa cerca de 300 euros por mês, mas isso por aqui é do mais barato que se arranja em termos de quartos ou mini-apartamentos como este. O espaço mede 2x3 mts, mas segundo o que o Stylanos me disse, posso dar-me por feliz, pois consta que a maioria dos quartos e mini-apartamentos para alugar em Bruxelas, custam bastante mais que o meu e são bem mais pequenos. Por exemplo, o quarto dele custa 400 e tal euros por mês e segundo ele é basicamente uma despensa com uma cama. O meu apartamentozito simpático com vista para o jardim é mesmo uma rara excepção.
No sábado de manhã fui conhecer uma loja de artigos em 2ª mão, na Rue Amerikaine, que a Lena me disse ser a melhor de Bruxelas. Parece a Pollux, na Rua dos Fanqueiros, mas na versão velharias. No rés-do-chão há um departamento de roupas e calçado e outro de móveis, no 1º andar há mais móveis e no 3º há de tudo um pouco: brinquedos, artigos para bebé, utensílios de cozinha, loiças, tachos e panelas, vidros, relógios, quadros, sei lá. Trouxe um saco enorme de coisas por cerca de 12 euros: 2 peças de roupa, 2 tigelas de vidro, 2 saladeiras, 1 escorredouro de loiça, 1 colher de pau, 1 concha de sopa, 1 relógio de mesa, 1 fruteira, 1 alguidar, 1 frigideira, 1 fervedouro e 1 tabuleiro. Só não trouxe mais coisas, porque já não conseguia carregar mais.
Depois disso encontrei-me com o Stylanos que me levou de carro ao IKEA. Era suposto termos comprado uma cama para mim, para substituir o sofá-cama horrível em que durmo, mas acabámos por não trazer nada, porque surgiram dúvidas quanto às dimensões do meu quarto.
Demos um passeiozito de carro muito útil porque passámos por vários sítios que pretendo visitar mais tarde com calma, como por exemplo o Kinepolis (o maior complexo de cinemas da Europa e que tem um IMAX), o Brupark e o Atomium.
No Domingo o Marco convidou-nos para fazermos um brunch em casa dele em jeito de comemoração pela minha chegada e pelo meu aniversário. A querida da Lena cozinhou um bolo de gengibre, o Marco arranjou uma velinha, mas felizmente ninguém cantou os parabéns. O Marco preparou uns petiscos, maioritariamente com produtos biológicos (como não podia deixar de ser) e depois estivémos umas horitas a encher a pança e a conversar animadamente. Por entre panquecas, bolo de gengibre, pão com doce e outros petiscos interessantes que ele preparou, fiquei a saber que o Marco e a Lena têm histórias parecidas à minha relativamente ao seu percurso profissional e à reacção das pessoas que os conhecem. Também eles foram alvo da descrença, da desconfiança e do gozo por estudarem e praticarem agricultura biológica, mas assim que foram para Bruxelas toda a gente ficou automaticamente impressionada e encantada. "Sim senhora, Bruxelas!" As pessoas assumem automaticamente que trabalhar em Bruxelas é prestigioso e dá muito dinheiro. Até podíamos andar a lavar escadas, porque raramente nos perguntam concretamente o que fazemos, basta que seja em Bruxelas e de repente tem por nós um imenso respeito. Eu pensava que isso só tinha acontecido comigo gracas à mentalidade obtusa dos portugueses, mas aparentemente os alemães não são muito diferentes nesse aspecto. O Stylanos não passou por isso, mas o percurso dele foi um pouco diferente.
Depois do brunch, fui com a Lena e o Stylanos em busca de uma feira anual de artigos baratos vintage e de design, sobre a qual eu tinha lido no jornal. Consegui entusiasmá-los de tal forma com a feira que eles cancelaram a visita ao Jardim Botânico que tinham planeado para este dia. Depois de muitas voltinhas para chegarmos ao local que eu lhes indiquei, não havia lá nada a decorrer. Acontece que há duas praças em Bruxelas com o mesmo nome e quem escreveu o tal artigo que eu tinha comigo, não deve ter feito o trabalho de casa todo, pois dava indicações de como chegar de metro, mas relativamente à praça errada.
Felizmente a praça onde fomos fica mesmo perto do Atomium, pelo que acabámos por aproveitar para tirar umas fotos em frente a ele. Mesmo assim desfiz-me em desculpas, pois não pude deixar de sentir que lhes tinha arruinado a tarde.
Decidimos então ir a um café simpático que o Stylanos sugeriu e acabámos por ter a sorte de encontrar uma "feira da ladra" lá mesmo ao lado. A feira valia mesmo a pena pois não só o ambiente era bastante festivo, com direito a uma banda a tocar feira fora, como acabei por comprar dois pares de botas por 6 euros, que eram exactamente o que eu procurava. No café bebemos um belo Thé à la Menthe (chá verde com folhas de menta) que não parece nada de especial mas que se revelou uma verdadeira delícia.
Tenho encontrado muitos portugueses por cá, mas evito o contacto com eles. Como disse aos meus novos amigos, quero aproveitar a oportunidade de estar num sítio como este, com tanta gente de tantas nacionalidades, para conhecer pessoas diferentes e não mais portugueses, que a esses já eu conheço de gingeira. Tinha acabado de lhes explicar que os portugueses estão sempre a queixar-se de tudo quando passou por nós um bando deles na feira, queixando-se muito aborrecidos que não encontravam nada de jeito para comprar, que só lá havia trapos. Well, I rest my case...
Fui comprar um telemóvel, um mapa detalhado, alguns bens essenciais de que necessitava e ainda passei pelos correios para fazer um recado ao Marco. Como cheguei cedo a casa, fui dar uma volta pelos arredores. Fiquei pasmada com as moradias e jardins que por aqui se sucedem. Esta é sem dúvida uma zona muito in.
Perguntei à Lena se este apartamento não custa os olhos da cara, mas ela diz que não, porque apesar de estar numa boa zona, é bastante pequeno e por isso tem um preço acessível. Custa cerca de 300 euros por mês, mas isso por aqui é do mais barato que se arranja em termos de quartos ou mini-apartamentos como este. O espaço mede 2x3 mts, mas segundo o que o Stylanos me disse, posso dar-me por feliz, pois consta que a maioria dos quartos e mini-apartamentos para alugar em Bruxelas, custam bastante mais que o meu e são bem mais pequenos. Por exemplo, o quarto dele custa 400 e tal euros por mês e segundo ele é basicamente uma despensa com uma cama. O meu apartamentozito simpático com vista para o jardim é mesmo uma rara excepção.
No sábado de manhã fui conhecer uma loja de artigos em 2ª mão, na Rue Amerikaine, que a Lena me disse ser a melhor de Bruxelas. Parece a Pollux, na Rua dos Fanqueiros, mas na versão velharias. No rés-do-chão há um departamento de roupas e calçado e outro de móveis, no 1º andar há mais móveis e no 3º há de tudo um pouco: brinquedos, artigos para bebé, utensílios de cozinha, loiças, tachos e panelas, vidros, relógios, quadros, sei lá. Trouxe um saco enorme de coisas por cerca de 12 euros: 2 peças de roupa, 2 tigelas de vidro, 2 saladeiras, 1 escorredouro de loiça, 1 colher de pau, 1 concha de sopa, 1 relógio de mesa, 1 fruteira, 1 alguidar, 1 frigideira, 1 fervedouro e 1 tabuleiro. Só não trouxe mais coisas, porque já não conseguia carregar mais.
Depois disso encontrei-me com o Stylanos que me levou de carro ao IKEA. Era suposto termos comprado uma cama para mim, para substituir o sofá-cama horrível em que durmo, mas acabámos por não trazer nada, porque surgiram dúvidas quanto às dimensões do meu quarto.
Demos um passeiozito de carro muito útil porque passámos por vários sítios que pretendo visitar mais tarde com calma, como por exemplo o Kinepolis (o maior complexo de cinemas da Europa e que tem um IMAX), o Brupark e o Atomium.
No Domingo o Marco convidou-nos para fazermos um brunch em casa dele em jeito de comemoração pela minha chegada e pelo meu aniversário. A querida da Lena cozinhou um bolo de gengibre, o Marco arranjou uma velinha, mas felizmente ninguém cantou os parabéns. O Marco preparou uns petiscos, maioritariamente com produtos biológicos (como não podia deixar de ser) e depois estivémos umas horitas a encher a pança e a conversar animadamente. Por entre panquecas, bolo de gengibre, pão com doce e outros petiscos interessantes que ele preparou, fiquei a saber que o Marco e a Lena têm histórias parecidas à minha relativamente ao seu percurso profissional e à reacção das pessoas que os conhecem. Também eles foram alvo da descrença, da desconfiança e do gozo por estudarem e praticarem agricultura biológica, mas assim que foram para Bruxelas toda a gente ficou automaticamente impressionada e encantada. "Sim senhora, Bruxelas!" As pessoas assumem automaticamente que trabalhar em Bruxelas é prestigioso e dá muito dinheiro. Até podíamos andar a lavar escadas, porque raramente nos perguntam concretamente o que fazemos, basta que seja em Bruxelas e de repente tem por nós um imenso respeito. Eu pensava que isso só tinha acontecido comigo gracas à mentalidade obtusa dos portugueses, mas aparentemente os alemães não são muito diferentes nesse aspecto. O Stylanos não passou por isso, mas o percurso dele foi um pouco diferente.
Depois do brunch, fui com a Lena e o Stylanos em busca de uma feira anual de artigos baratos vintage e de design, sobre a qual eu tinha lido no jornal. Consegui entusiasmá-los de tal forma com a feira que eles cancelaram a visita ao Jardim Botânico que tinham planeado para este dia. Depois de muitas voltinhas para chegarmos ao local que eu lhes indiquei, não havia lá nada a decorrer. Acontece que há duas praças em Bruxelas com o mesmo nome e quem escreveu o tal artigo que eu tinha comigo, não deve ter feito o trabalho de casa todo, pois dava indicações de como chegar de metro, mas relativamente à praça errada.
Felizmente a praça onde fomos fica mesmo perto do Atomium, pelo que acabámos por aproveitar para tirar umas fotos em frente a ele. Mesmo assim desfiz-me em desculpas, pois não pude deixar de sentir que lhes tinha arruinado a tarde.
Decidimos então ir a um café simpático que o Stylanos sugeriu e acabámos por ter a sorte de encontrar uma "feira da ladra" lá mesmo ao lado. A feira valia mesmo a pena pois não só o ambiente era bastante festivo, com direito a uma banda a tocar feira fora, como acabei por comprar dois pares de botas por 6 euros, que eram exactamente o que eu procurava. No café bebemos um belo Thé à la Menthe (chá verde com folhas de menta) que não parece nada de especial mas que se revelou uma verdadeira delícia.
Tenho encontrado muitos portugueses por cá, mas evito o contacto com eles. Como disse aos meus novos amigos, quero aproveitar a oportunidade de estar num sítio como este, com tanta gente de tantas nacionalidades, para conhecer pessoas diferentes e não mais portugueses, que a esses já eu conheço de gingeira. Tinha acabado de lhes explicar que os portugueses estão sempre a queixar-se de tudo quando passou por nós um bando deles na feira, queixando-se muito aborrecidos que não encontravam nada de jeito para comprar, que só lá havia trapos. Well, I rest my case...

