Friday, February 09, 2007

Línguas de gato

Acabei de atender um telefonema da Al-Jazeera. Sim, da Al-Jazeera!
Parece que querem realizar uma reportagem sobre OGM e Agricultura Biológica e querem falar com o meu Director sobre o assunto. E tive que falar en français, porque o senhor que me contactou ne se sentait pas a l'aise pour parler en anglais.
E a propósito de francês, estou a frequentar 2 aulinhas por semana de 3h cada, na EPFC. O teste de admissão colocou-me no nível 6 de 11, mas a professora que é desconfiada e diz que os testes vão ser redesenhados porque não são de fiar, sujeitou-nos a outro teste só para ter a certeza de que estávamos no nível certo. E tanto ela como eu ficámos surpreendidas. Parece que toda a gente passou o teste com distinção e eu só cometi 2 pequeníssimos erros de ortografia e um erro mais feio de conjugação verbal que ela achou perdoável. Por isso continuo no nível 6.
Pode não parecer um nível por aí além, mas é o último nível do grau intermédio. Depois deste seguem-se os níveis de aprofundamento da língua, por isso não fiquei nada mal colocada. Agora tenho que me portar à altura e evitar dar barraca.
Entretanto a professora já me deu nas orelhas porque eu li num texto mille neuf-cent quatre-vingt quatorze em vez de mille neuf-cent nonante quatre! Perguntou-me se eu tinha aprendido francês na Alliance Française ou em Paris, com algum desprezo na voz. Cá na Bélgica não se usam essas antiguidades linguísticas, q'hórrôr! Cá diz-se nonante! Curiosamente, os belgas também dizem quatre-vingt em vez de octante, por isso não percebo a razão de tanto escândalo. Se são assim tão mais evoluídos que os franceses, ao menos levavam isso até às últimas consequências.
Ainda relacionado com línguas, o meu professor de yoga julgava que eu era inglesa, porque acha que eu tenho "sotaque", não me explicou é se tenho sotaque de inglesa a falar inglês ou sotaque de inglesa a falar francês. Habitualmente dizem-me é que tenho sotaque americano, o que me parece mais lógico, devido à influência dos filmes e séries americanos na minha aprendizagem de inglês. Influência essa que se mostrou em todo o seu esplendor há dias, quando conversava com uma colega inglesa do escritório aqui do lado. Descrevi-lhe o padrão da minha camisola, de grandes bolas brancas sob fundo castanho, como big balls. Ela olhou para mim com aquele ar tão chocado mas ao mesmo tempo contido que só os britânicos conseguem fazer e corrigiu-me: "polka dots, we call it polka dots". OK, eu sabia que big balls tinha um significado completamente diferente e potencialmente chocante, mas não me ocorreu outra descrição...
E para finalizar, no sábado passado um iraniano perguntou-me se eu era indiana. Diz que desde a minha cara, ao meu cabelo, à minha roupa e maneira de estar, tudo indicava que eu era indiana. Essa eu ainda não tinha ouvido...

La blanche neige

Eh pá e não é que nevou mesmo?
Ontem de manhã, estava eu muito estremunhada a lavar a cara na casa-de-banho, quando reparo numa estranha luminosidade branca vinda da janela (o vidro é fosco e não me permitiu perceber logo o que era). Abri a janela ainda meio a dormir e POW, fiquei instantaneamente com ar de desenho animado japonês - olhos esbugalhados, queixo caído, um guincho atravessado na garganta! Estava a nevar!!! Imeeeenso! Estava tudo branquinho e caíam flocos quase do tamanho da palma da mão. Como disse a Lena: "This is how snow is supposed to be!"
Acho que estive uma hora à janela no escritório completamente absorta pela neve a cair. Nas traseiras do prédio há um pátio interior delimitado por prédios altos, que tem uma pequena passagem de ar exterior que provoca uma corrente de ar circular. Graças a este efeito e aos flocos de neve serem perfeitos como bolinhas de algodão, a neve dançou em círculos e espirais antes de finalmente assentar no chão. Lá pelo meio, consoante a corrente de ar variava, por vezes a neve voltava a subir e depois descia novamente e como por magia, por vezes ficava simplesmente suspensa no ar, pairando em frente ao meu nariz ou deslizava na horizontal vindo toda de encontro à minha cara. O efeito foi espectacular e as sensações indescritíveis!

Wednesday, February 07, 2007

Portugueses

Pois é, andei a fugir aos tugas, mas acabei por lhes cair nas garras :)
Encontrei a Nocas por acaso quando me fui inscrever no curso de francês na EPFC e ficou logo resolvida a questão de nos encontrarmos para nos conhecermos. E como atrás dum português vêem logo dois ou três, no fim-de-semana passado ela apresentou-me a mais uns quantos amigos tugas em Bruxelas.
Eu tinha razão acerca dos portugueses - não se calam com o futebol!!! - mas também ninguém é perfeito ;)))))
De resto não tenho muito para contar.
Esta noite nevou um poucochinho, mas quando cheguei à rua já só havia neve em cima dos carros, no chão nada... Se eu soubesse tinha ido fazer um estágio para a Covilhã, pelo menos lá via neve de certeza.
Ok, assim se vê que estou mesmo sem assunto....