Friday, February 22, 2008

Almstadtstrasse 24

Como prometido, voltei a Berlim. Infelizmente, devido ao temporal que atingiu a zona de Lisboa há alguns dias, perdi o avião que me ia dar um dia inteiro para turismo e tive que me contentar com poucas horinhas livres para passear por zonas ainda não exploradas e visitar o Deutsche Bundestag
Além da impressionante e inovadora cúpula que se encontra no topo deste edifício, a vista de Berlim que de lá se vê é um "müss sehen".
Apesar de curta, esta viagem foi mais produtiva que a anterior no que toca a mergulhar no espírito de Berlim. Fiquei alojada numa casa comunitária, die Hausprojekt ALMstadtstr. 24, muito "berliner" segundo me explicaram, com mais 14 habitantes trabalhadores independentes, estudantes Erasmus e aventureiros de toda a espécie.
A Charlotte e o Christophe, dois franceses temporariamente a ganhar a vida em Berlim, convidaram-me a ficar por lá. Convidaram-me também a entrar mais no espírito da casa juntando-me à reunião semanal das 4ªs feiras na sala comum. As línguas oficiais da reunião foram o alemão e o castelhano, mas também se lhe misturavam o francês, o português (havia lá um espanhol que falava português!), o italiano e raramente um pouco de inglês. Como pano de fundo ouvia-se chanson française e música senegalesa. Alguns dos espanhóis menos envolvidos na discussão surpreenderam-nos com uma enorme tortilla feita ali ao lado na cozinha sem que ninguém tivesse dado por isso e um italiano (presumo eu) fez umas massas com molho de tomate e ali se improvisou uma refeição que dificilmente encheu a barriga a alguém e que gerou olhares recriminatórios por parte dos que não tiveram coragem de se alambazar como outros menos preocupados com o que pensariam deles.
A minha passagem por Almstadtstr aconteceu num momento chave, uma vez que todos os seus habitantes tinham acabado de receber ordem de despejo, dando-se assim por terminado aquele projecto de 15 anos.
Explicaram-me que os prédios daquela zona, anteriormente propriedade da RDA, ficaram entregues às comunidades que os habitavam após a queda do muro de Berlim, até lhes serem encontrados os donos originais. Aqueles que demoraram a aparecer permitiram que comunidades como esta continuassem a existir e a renovar-se. Mas aos poucos foram sendo devolvidos aos donos ou comprados por meia dúzia de patacas. Agora que dão por si inseridos em Berlim-Mitte (centro de Berlim) cada vez mais uma zona chique e cara, estas comunidades que pagam rendas reduzidas estão a ser postas a andar para dar lugar a quem possa pagar preços exorbitantes.
Na reunião discutiam-se conhecimentos de outras comunidades em Berlim ou de locais para onde esta se pudesse mudar, mas o desânimo era grande perante a falta de perspectivas. Haverão muitas casas partilhadas por grupos de jovens, mas esta parece ser a última do seu género e dimensão. E eu tive a honra de assistir aos seus últimos momentos.

Friday, January 25, 2008

Ich war ein Berliner

Tanta água passou por baixo da ponte desde o meu último contacto.
Já não estou no Porto. O meu estágio por lá não foi além dos 2 meses.

Em compensação comecei um novo trabalho para a GENET. É o emprego que eu andava a desejar: pode ser feito onde quer que que tenha acesso à net, o horário sou eu que defino, assim como o tempo que trabalho, tenho que viajar frequentemente pela Europa, cooperar com todas as pessoas interessantes que comecei a admirar durante o meu ano em Bruxelas e a quem eu aspiro igualar profissionalmente. Só espero fazer tudo por merecer esta oportunidade.
O primeiro docinho do meu trabalho foi a oportunidade de ir a Berlim. Curiosamente (há muitos curiosamentes na minha vida, n'est-ce pas?) Berlim era a cidade europeia que eu queria visitar em seguida. Tinha ficado triste de não ter conseguido lá ir durante as férias.
Berlim não é linda, em termos arquitectónicos não tem muito que se veja, mas a história dela assalta-nos em cada esquina. Estranhamente não senti a opressão de todos os acontecimentos que lá tiveram lugar. É uma cidade completamente nova que nasceu por cima dos escombros das guerras e conflitos, sem sentimentos de culpa ou de recriminação. Ou pelo menos assim me pareceu.
Daqui a menos de um mês tenho que lá voltar. Mais uma cidade na qual me sinto em casa.

Friday, December 14, 2007

As iludências aparudem

Depois de ouvir alguns comentários sobre os meus últimos posts fui lê-los para confirmar se era verdade que tinham um certo "tom". Por acaso o último pareceu-me bastante "convencido" e o outro anterior um pouco "amargo" demais, mas a vida é assim, nem todos os dias temos a mesma disposição e isso transparece. Em essência eu sou sempre igual, mas à superfície tenho mudanças de humor que por acaso gosto de explorar literariamente. Mas não se deixem chocar, eu sou o que sou e não aquilo que pareço.
Aproveito para deixar uma mensagem não de boas festas mas de não-consumismo. Vou tentar não dar prendas a ninguém e vocês deviam fazer o mesmo. Se tiverem um impulso irresistível de gastar dinheiro, então façam-se sócios de alguma organização ambientalista ou humanitária, ofereçam algo essencial aos que disso necessitam, etc. Não comprem mais tralha que isso não faz ninguém feliz. O Natal consumista dos nossos dias é uma deturpação duma festa católica de celebração do nascimento dum homem que por sua vez não passa duma deturpação da festa da celebração do nascimento do deus sol após o solstício do inverno, por isso vão para a rua apanhar sol e honrem aquele que dá vida a tudo nesta Terra :)