Friday, September 24, 2010

BXXL

Voltei a Bruxelas (o regresso anual obrigatório), com passagem por Ghent incluída no roteiro.
Pela primeira vez não me senti muito entusiasmada com a minha ida a Bruxelas e julguei que o "amor" já se tinha esgotado. Mas acho que era a perspectiva de muito trabalho e pouca diversão que me estava a roubar o interesse pela viagem.
No fim soube-me tão bem como de costume e na hora do regresso já queria ficar por lá novamente. Bruxelas é tão fixe! Enfim, não me ocorre algo mais profundo para a descrever - nunca me aborreço naquela cidade.
Por cancelamento de algumas reuniões de trabalho, acabei por ter dois dias livres em Bruxelas em que acabei por fazer a ronda habitual às lojas de 2ª mão, ao BOZAR, às livrarias alternativas, aos brocantes, etc... Como é da praxe, trouxe mais umas 10 caixas de chocolates belgas para a família e amigos e mesmo mesmo antes de regressar ao aeroporto passei numa típica "baraque à frites" para um engordativo pacote de crocantes batatas fritas belgas. Uma japonesa acabadinha de aterrar em Bruxelas (a sair da Gare Centrale com a mochila às costas) quase me saltou para cima e me matou de susto para me perguntar "Ihhh! Onde posso comprar disso!",  "Hãã... O quê?", "Isso, Isso!" e apontava para as batatas fritas. Ah, isto! "É só descer a rua e naquela esquina encontra um pequeno snack de cor amarela com "frites"." E lá vai ela em passo acelerado como se não pudesse aguentar nem mais um segundo para provar as famosas "frites belges". Infelizmente só desta vez descobri que o verdadeiro segredo das batatas belgas é serem fritas em gordura animal... Uma colega alemã perguntou-me se eu era assim tão "radical" que ia deixar de comer as ditas batatas por causa disso. Eu disse-lhe que talvez não, mas só porque as como uma vez ao ano. Se as comesse regularmente, com certeza deixaria de o fazer. Além do mais descobri que - pelo menos em Ghent - existem locais onde servem a versão vegetariana das famosas batatas (fritas em óleo vegetal), pelo que da próxima vez irei tentar descobrir tal coisa também em Bruxelas. Radical, com muito prazer.
Passei pelo meu antigo escritório para visitar os colegas. Não estava nos meus planos, mas a Sevelina mais ou menos arrastou-me e eu não me fiz rogada. Digamos que o ambiente que outrora existiu já se extinguiu e isso reflecte-se até na varanda que no meu tempo com os meus cuidados estava vibrante de verde e agora tem meia dúzia de plantinhas murchas e serve de arrecadação de todo o tipo de lixo. Tudo muda.


De resto o que posso contar mais? Só mesmo a minha aventura no Parlamento Europeu, que vai ficar nos anais da história.
Cheguei a uma 4ª feira à tarde a Bruxelas e fui directa ao Parlamento onde estavam já colegas meus a prepararem a conferência que estávamos a co-organizar para o dia seguinte no Parlamento. Com a autorização de uma parlamentar dos Verdes, foi-me emitido um cartão de acesso ao Parlamento para dois dias.
Estava planeado ficar até ao final da tarde e depois juntar-me a um jantar dos organizadores que teria lugar num restaurante ali perto. Acontece que toda a gente começou a desaparecer e apenas ficámos 4 pessoas no escritório com cerca de 300 capas para encher com o programa e outros documentos da conferência. Se fosse apenas isso, seria rápido, mas cada capa tinha o nome do participante, tinham que ser organizadas alfabeticamente e em cada uma deveríamos colocar uma série de facturas e/ou recibos com o nome respectivo da pessoa. Afiguravam-se horas de trabalho pela frente. 
 
Eu tinha reservado um quarto em Ghent, mas não fazia sentido nenhum ir até lá para voltar no dia seguinte a Bruxelas, pelo que perguntei à minha amiga Sevelina se podia dormir em casa dela. Ela anuiu, mas pediu-me que não chegasse depois das 0h00, pois estava doente e precisava de descansar.
O trabalho prosseguiu a bom ritmo, mas às 0h00 estava longe de estar terminado e dois outros colegas resolveram ir embora sem terminarmos a tarefa. Entretanto os últimos metros e trams estavam a partir e as minhas opções a reduzirem-se. O meu colega José (americano-mexicano) disse-me que tinha decidido dormir no Parlamento. Então liguei à Sevelina a dizer que também ia dormir no Parlamento e que ela poderia ir descansar.
Só os dois, terminámos o trabalho às 3 da manhã. Pegámos em todas as pastas e outros documentos e levámos tudo em trolleys até à sala da conferência. Subimos de elevador, descemos rampas, percorremos corredores e em todas essas voltinhas, nunca vimos vivalma. Por essa altura eu já me interrogava se haveriam alguns seguranças (ao menos um?) em todo o Parlamento. Seria assim tão normal pessoas ficarem a trabalhar lá de noite, que os seguranças que nos vissem nas câmaras de vigilância nem nos ligavam? Duas pessoas a transportar caixotes de papéis às 3 da manhã... Não despertaria a atenção da segurança? Aparentemente não.
Quando tudo estava mesmo terminado, e depois de darmos mais umas voltinhas e de tirarmos umas fotos no hemiciclo com toalha de rosto na mão e sem sapatos (ainda pensei em vestir o pijama, mas o meu colega americano receou que isso fosse ir longe demais), lá decidimos abancar nuns sofás muito confortáveis que estão na ala dos Verdes e passar pelas brasas.
Talvez passada uma hora acordei com o som de heavy metal de alguém que usava headphones mas tinha a música demasiado alta. Aproximava-se rapidamente com o bater sequencial de portas ao longo do corredor. Percebi que era um segurança que andava a fazer a ronda e percebi que a nossa aventura estava a chegar ao fim. Um segurança novinho ficou estático a olhar para nós mas depressa se descontraiu quando percebeu que éramos só uns "verdes" malucos descalços a dormir no sofá. Divertido, perguntou-nos o que raio estávamos ali a fazer. Explicámos que tínhamos ficado até às 3 da manhã a trabalhar para a conferência que iria ter lugar de manhã, e que depois era tarde demais para irmos onde quer que fosse. Mostrámos-lhe os nossos passes e perguntámos se podíamos ficar. Ele disse que por ele não havia problema, mas que o superior dele não ia gostar nada. Então surgiu o superior e passámos por uma cena do tipo "good cop, bad cop". Ele era o "polícia mau", matulão, cara de poucos amigos... "Quem são vocês e o que estão aqui a fazer?". Explicou-nos que apesar de termos passe para os dois dias (logo, supostamente 48 horas) na verdade este não nos permitia passarmos lá a noite, apesar de por acaso até haver esse tipo de autorização especial a quem a pede - mas como é que nós poderíamos ter adivinhado? E mesmo sabendo, nunca saberíamos que iríamos precisar dela.
Apesar de tudo, mesmo o segurança mais velho no fim também já sorria, divertido com o caso. Afinal de contas o trabalho deles deve ser extremamente aborrecido e quando uns malucos como nós aparecem para animá-los, eles até agradecem. 
O meu colega americano estava em pânico total. Só perguntava "Estamos metidos em apuros? O que nos vai acontecer?". Ele já estava convencido que ia para a prisão e depois como seria para voltar a casa?  Eu disse-lhe "Relaxa, estás na Europa!" Até mesmo os seguranças tentaram acalmá-lo dizendo que não ia acontecer nada. Apenas iam registar o acontecimento e desde que não fosse registado nenhum outro incidente (tipo documentos desaparecerem), não sofreríamos qualquer punição.
O segurança senior disse que compreendia perfeitamente a nossa situação, mas que também tínhamos que compreender a situação dele, que ele não podia permitir que ficássemos, sob risco de recair sobre ele a responsabilidade de algo que acontecesse. Claro que eu compreendi. Fizemos um bocadinho de choradinho, pedimos para ficarmos algures num local vigiado por eles (lá fora estava a nevar e temperaturas negativas), mas ele quis ensinar-nos uma lição e meteu-nos mesmo na rua.
Disse-nos que caminhássemos para nos mantermos quentes e que às 5 da manhã abriria a Gare du Luxembourg (subterrânea, mesmo por baixo do Parlamento) e que poderíamos refugiar-nos lá do frio. Também disse que às 6 da manhã abria lá uma pastelaria onde podíamos beber um cházinho quente e comer uns croissants fresquinhos. O meu colega estava mesmo cheio de sono e desesperado por não poder dormir, mas eu estava super-divertida e a aproveitar cada momento. Claro que tive imenso frio e fome (é que para agravar a situação, o nosso jantar tinham sido umas "gummy bears" e o meu almoço do dia anterior foi só uma sandes que os meus colegas desencantaram algures no Parlamento, uma vez que eu tinha chegado demasiado tarde para ir à cantina). Fquei com dores de tentar dormitar sentada e reclinada  nos mais diversos sítios frios e desconfortáveis onde tentámos encontrar refúgio, mas aproveitei a experiência para imaginar o sofrimento diário das pessoas sem-abrigo e me sentir ainda mais solidária com elas. Ás 7 da manhã voltámos a entrar no Parlamento. Os seguranças na entrada já eram outros, pelo que se perdeu a oportunidade de nos rirmos juntos da situação. Uma lavagem à gato na casa-de-banho, uma muda de roupa e lá estava eu de pé a entregar as pastas aos participantes que chegaram a partir das 8h, sem imaginarem a aventura vivida por trás do meu olhar cansado.

Monday, August 16, 2010

Barcelona, um mundo à parte

"Barcelona - It was the first time that we met
Barcelona - How can I forget
The moment that you stepped into the room you took my breath away
Barcelona - La música vibró
Barcelona - Y ella nos unió
And if God willing we will meet again someday"

                 Barcelona - Freddie Mercury & Montserrat Caballé

Estive uma semana em Barcelona. Enfim, não foi uma experiência tão arrebatadora como a que canta a música, mas gostei muito de lá estar e espero regressar se as causas e condições se reunirem.
Na verdade fiquei alojada em casa de um amigo em Castellterçol, uma terrinha encantadora na serra, a 45 minutos de Barcelona. Inicialmente senti-me frustrada por isso não me permitir visitar a cidade quando e como me apetecesse, mas rapidamente me rendi aos ares do campo. Passeámos pelo bosque, atravessámos quintas, bebemos de nascentes, fizemos amizade com as borboletas...
Quando finalmente visitei Barcelona, tive mais um déjà vu onírico, como sempre tem acontecido quando viajo a um sítio novo. Uma ruela inclinada e com um certo ângulo de convergência com uma praça trouxe-me à memória um sonho que tinha tido meses antes sobre um local que então não me dizia nada. Na altura pensei: não faço ideia onde seja, mas ao chegar àquela rua em Barcelona, não tive dúvida nenhuma de que era aquele local. Até a densidade de pessoas que subiam e desciam a rua era idêntica à do sonho, a praça onde desaguavam idem e tudo o resto do sonho se encaixava agora na perfeição, incluindo o pormenor de ter sonhado que ficaria alojada fora da cidade e de estar numa paragem de autocarro à espera que alguém me viesse buscar. Enquanto todas essas imagens voltavam vívidas à minha memória, eu devia estar a fazer uma cara absolutamente chocada com a experiência, porque os turistas que passavam olhavam para mim com preocupação "será que ela está bem?"
Mas deixando estas coisas incredíveis de lado, vamos aos pontos de interesse na cidade: a arquitectura de Gaudi (dica: visitar La Pedrera depois de uma caipirinha tomada no Tijuana, ajuda a entrar no espírito da coisa); as construções modernistas que pululam pela cidade; a zona velha da cidade e o antigo bairro piscatório; as praias um tanto ou quanto sujas mas extremamente concorridas e com uma água deliciosamente calma e quente; e claro os museus, mas confesso que não vi nem um.
Na verdade não vi nem metade do que poderia ter visto, pois os meus recentes amigos catalães não me deram qualquer chance de vaguear livremente pela cidade e caminhar de sol a sol como é meu costume. Antes me arrastaram de esplanada em esplanada, de restaurante em restaurante, de convívio em convívio, obrigando-me a entrar nos estranhos horários que eles seguem.
Pequeno-almoço? Tive alguma dificuldade, pois não é coisa em que os meus amigos invistam muito. Uma caneca de chá com um fiozinho de leite de espelta e lá tinha que aguentar com isso até à hora de almoço. Almoço às 13h da tarde? Isso era o meu sonho. Na verdade levavam-me a beber uma orxata de xufa e ali ficávamos até às 15h, altura em que, se eu tivesse sorte, eles lá decidiam ir comer qualquer coisa. Por essa hora tudo o que eu queria era enfardar um bom prato de comida, mas estes meus amigos vivem na terra das tapas. Por isso levavam-me invariavelmente a um restaurante onde se pagava em média 20 EUR e se comia primeiro uma saladinha, depois um crepe, depois uma batata recheada ou outras combinações que apesar de deliciosas nem sempre me conseguiam deixar a barriga feliz e contente. À hora de jantar (no meu horário) correspondia (no deles) uma nova visita a um bar ou esplanada para mais uma orxata ou um granizado ou uma cervejola. Jantar mesmo, só lá para as 22-23h, se por acaso eles tivessem fome.
Não aderi de coração às orxatas porque eram incrivelmente doces, mas tarde demais percebi que era graças a elas que os meus amigos aguentavam horas a fio sem comer - andavam movidos a açúcar.
Dos poucos passeios guiados que os meus amigos me proporcionaram constaram uma visita ao estádio olímpico e ao exterior do estádio do Barça. Mesmo depois de eu repetir dezenas de vezes que não podia ter menos interesse em futebol e em estádios, ainda me convidaram a entrar no museu do Barça, dizendo entusiasmados que é o museu de Barcelona que recebe mais visitantes. Lá concluímos mais tarde que afinal estávamos perdidos na tradução. Quando eu dizia "chega! chega!" eles entendiam "siga! siga!" e por isso davam-me mais...

Tuesday, July 28, 2009

O sole mio!

A convite da minha amiga Fernanda, que vive num simpático "monte alentejano" na região italiana de Marche, eu e o meu namorado demos um pulinho à Itália para uns dias de repouso e aprendizagem.
Conheci a Fernanda em Bruxelas. Ela é daquelas pessoas que ilumina uma sala quando entra e que põe os mortos a mexer, mas é preciso não lhe tocar em certos nervos ou poderão ouvir das boas, que ela não tem papas na língua! Mas é uma kriiiiida :)
Pois bem, neste montezinho (quase) à beira-mar plantado, a Fernanda e o seu valente companheiro de caminhada Mário, tentam esforçadamente voltar às raízes, aprender como fazer, como viver, como estar, produzindo aquilo que é necessário e eliminando aquilo que é supérfluo.

Durante a minha estadia pude conhecer a família alargada da Fernanda, composta por um gato e uma gata, um cão e uma cadela, um cavalo e uma égua, um peixe e uma tartaruga e uns galitos que os vizinhos proprietários de um bed and breakfast querem ver bem longe dali porque incomodam os hóspedes com o seu cócóricó às 5h da manhã. Fica a questão: se não querem ouvir os bichos do campo, porque é que as pessoas não ficam no barulho da cidade? Desejarão também exterminar as cigarras que fazem um barulho ensurdecedor todo o dia? Qual é o limite de ruído campestre aceitável em redor de um turismo rural? Será que existem normas comunitárias com valores-limite de décibeis que os bichos podem fazer? Horário padrão que deverão respeitar?
Conheci os velhotes queridos da quinta mais próxima, com os seus 70 e tal anos de vida agrícola bem impregnados nos corpos rijos. Uma delegação de meninas, na sua maioria neo-campestres, vegetarianas e pró-biológicas invadiu-lhes a casa e eles ofereceram de imediato e com orgulho uma mão-cheia de garrafas de coca-cola para matarmos a sede. A Fernanda explicou que eles julgam ser esse o tipo de coisa que nós bebemos e apreciamos e sentem orgulho em mostrar que têm dinheiro para o comprar e oferecer às visitas. Estranharam por isso a nossa recusa e o pedido de vinho de produção caseira ou sumos biológicos ou até mesmo só água. Ficaram confusos com os nossos pedidos absurdos. Afinal o que os jovens bebem hoje em dia não é coca-cola? Por que raio haveriam de querer beber vinho feito em casa, sem cuidados nenhuns, sem aqueles químicos todos que os tornam merecedores de figurar no supermercado? Água? Mas de que planeta viríamos nós? Isso era dantes, quando não havia coca-cola!!! Acabámos a conversar sobre os problemas da industrialização da agricultura, da exploração e tratamento desumano dos animais, do porquê de preferirmos não comer carne e preferirmos consumir biológico, uma vez que não temos a sorte que eles têm de produzir de forma sustentável o nosso próprio alimento. Aí eles deviam estar a pensar "Sorte!???". Mas depois de todas as explicações, eles acharam que até fazia sentido. Guardaram as coca-colas e bebemos sumos de fruta.
Foram dias ricos em aprendizagem sobre cooperação, desenvolvimento, gestão, sustentabilidade e autonomia. E histórias que davam para não sei quantos filmes.
Pelo meio visitámos algumas terreolas em volta (Monsampolo del Tronto, Acquaviva Picena, Ascoli Piceno, Grottamare), passámos uma tarde na praia mais paradisíaca das nossas vidas banhada pelo Adriático (20ºC às 22h, sem ondulação), almoçámos na associação de produtores biológicos Aurora, comemos como só em Itália se consegue comer delícias de revirar os olhos e ainda tivémos oportunidade de passar por Bolonha e Veneza.
Podia falar muito mais de Bolonha e Veneza, mas não sinto que tenham sido os pontos principais de interesse desta viagem.
Bolonha "La Rossa" merece uma visita às suas infidáveis arcadas, aos palácios em cada esquina transformados em condomínios privados e à sua torre inclinada. Pois é, não é só Pisa que tem uma, existem várias na Itália!
E claro, escusado será dizer que Veneza merece uma visita. Não me deixou boquiaberta como vários amigos me tinham dito que ia deixar, porque quando as expectativas são elevadas, a realidade fica sempre aquém. Mas é bellissima. E se ignorarmos os milhões de turistas que se acotovelam nas ruas principais e mais estreitas, quase se diria que é uma cidade pacata. A não perder: o gueto judeu com as suas lojas de arte e um fantástico restaurante kosher que serve o melhor cappucino do mundo com leite de soja!
Como cereja no topo do bolo, no vôo de regresso reconheci uma das assistentes de bordo como sendo a minha colega Patrícia do curso de alemão, que nos ofereceu a possibilidade de nos sentarmos no cockpit durante a descida e aterragem do avião. Fiquei nas nuvens!!!!!