Thursday, November 16, 2006

Conectada!

Finalmente tenho internet em casa! E estou tão contente que a ocasião merece um "post" dedicado exclusivamente a ela.
Depois de um mês à espera de linha telefónica da Belgacom, lá vieram os técnicos instalá-la depois de muitas peripécias. Depois de mais 15 dias à espera da activação da internet da EDPNET, ontem lá a activaram. Mas eu ainda não tinha modem, porque o que a EDPNET vendia custava cerca de 70 euros e eu resolvi que isso era caro demais para mim. Procurei na MediaMarkt e na FNAC, mas ou só haviam routers wireless (parece que anda tudo a mudar-se para o sem-fios) ou eram tão caros como o da EDPNET. Então lembrei-me de ir ver ao ebay se havia alguma pechincha de ocasião e não é que havia mesmo? Alguém de Etterbeek (!) a leiloar um exactamente como eu queria (!!), pelo preço base de 10 euros (!!!) e cujo leilão acabava dali a 3 horas (!!!!!!!!). Claro que eu licitei, ganhei pelo preço final de 16.75 euros, marquei encontro com a pessoa, fizémos o negócio e vim a correr para casa instalar o modem. Em 5 minutos a net já estava a funcionar. E em 10 minutos estava a escrever-vos estas linhas.
Quando tudo se encaixa assim tão perfeitamente, sinto-me feliz :)
Mas comigo este tipo de coisas acontece muito frequentemente. Tenho pena que não muitas pessoas conheçam a sensação de se viver imerso em coincidências.
Ainda ontem o meu colega Damien ficou curioso sobre algo de que lhe falei e lhe prometi arranjar mais informação. Entretanto eu tinha comigo uma revista que não tinha ainda aberto e cujo conteúdo desconhecia e ele pediu-ma emprestada. No dia seguinte ele estava espantadíssimo com a coincidência de que nessa revista vinha um artigo precisamente sobre aquilo de que tínhamos falado e que lhe esclareceu as dúvidas todas. Ele estava abismado com a coincidência, porque sabia que eu não tinha olhado sequer para a revista e por isso foi mesmo pura coincidência que tenhamos falado do assunto, mas para mim foi perfeitamente normal e por isso sorri com um ar compreensivo "Sim, é giro não é, quando elas acontecem." Mas para mim as coincidências já não são apenas acasos engraçados, são sinal de que estou no caminho certo para chegar aonde é suposto chegar. Mas isso já é muito filosófico para hoje. Hoje só queria falar da internet...

And now for something completely different!

Os meus "posts" têm sido muito "light" e sinceramente nem tenho ligado muito à qualidade do meu português quando os escrevo. Mas na minha cabeça passam-se coisas mais sérias e complexas do que apenas os olhares que se cruzam no metro e as músicas que tocam na rádio. Por isso hoje deixo aqui um "post" completamente diferente.
No sábado à noite vi o filme "Children of Men" e fiquei em estado de choque. É demasiado verosímil e coincidente com as minhas piores previsões do futuro próximo.
Ainda nessa tarde tinha lido uma brochura duma associação belga de direitos humanos denunciando histórias terríveis de detenção de imigrantes ilegais e a situação crescente e grave de atropelos dos direitos humanos que estão a ocorrer em toda a Europa (e no mundo) sob o pretexto de combate à imigração ilegal. É apenas uma questão de escalada dos acontecimentos, porque as bases já foram assentes.
Os atentados à liberdade em todos os campos das nossas vidas sucedem-se e é uma questão de tempo até sermos prisioneiros neste mundo que de democrático já só começa a ter a aparência.
Outro exemplo de que tive conhecimento na 6ª feira: os EUA estão prestes a aprovar uma lei que diz que toda e qualquer pessoa que cometa actos que prejudiquem o negócio de produção de animais para qualquer fim (carne, peles, cobaias, etc) serão consideradas terroristas e punidas de acordo com isso. Em teoria, isso implica que se activistas dos direitos dos animais protestarem frente a uma loja, fábrica, laboratório por causa da forma como os animais são aí tratados, e se se considerar que isso "prejudica o negócio" vão todos de cana por uma boa temporada. Mesmo defender uma dieta vegetariana poderá ser considerado terrorismo, uma vez que isso prejudica o negócio da carne. Não só é ridículo como é bastante sério, pois abre um precedente para se generalizar a caça a todos quantos se oponham e se manifestem contra qualquer coisa neste mundo.
O mais provável é que daqui a poucos anos todos sejamos muito bem controlados e que quem não se portar de acordo com os padrões estabelecidos será estigmatizado e perseguido. E claro, quem não aceitar ter um chip debaixo da pele vai ser excluído da sociedade. Parece que na França já funciona tudo com chip - um cartão bancário magnético já não é aceite em praticamente lado nenhum, só com chip. Na Bélgica parece que há planos para fazer o mesmo para breve. OK, o chip em si não parece muito mau, o problema é que ele armazena toda a informação sobre os sítios por onde passámos, o que comprámos, etc, que depois pode ser lida por máquinas, à distância (nem precisamos de inserir lá o cartão), para que por exemplo ao entrarmos numa loja já saibam o tipo de cliente que nós somos, para que ao passarmos numa rua, a publicidade em ecrãs digitais se adapte ao nosso perfil de consumidor, etc. Lembram-se de ver isso no filme Relatório Minoritário? Pois é isso que andam a planear fazer aqui na Bélgica e um pouco por todo o lado. Por enquanto as pessoas vêem isso como uma curiosidade, algo divertido até, mas as consequências serão bastante sérias.
Eu e o Pedro costumamos dizer "na brincadeira" (na verdade é bem a sério) que daqui a uns anos quem ousar ter uma horta, guardar sementes, cultivar plantas medicinais, querer comer alimentos saudáveis, levar uma vida simples e ecológica, etc, será considerado terrorista, porque tudo isso é prejudicial para "o negócio" das indústrias agro-alimentares, farmacêuticas e por aí fora. Essa perseguição já começou, com as Monsantos deste mundo a processarem agricultores que "ousam" reproduzir sementes tradicionais e vendê-las aos seus vizinhos ou que vêem as suas culturas contaminadas por OGM e são acusados de violar a propriedade intelectual; com a proibição do uso de plantas pelos povos que durante milénios usufruíram e dependeram delas para a sua sobrevivência, porque de repente passaram a ser consideradas "drogas perigosas" ou porque alguma empresa decidiu patenteá-las e reclamá-las como suas. Basta estar atento para ver como cada dia perdemos um pouco mais da nossa liberdade e como a informação do passado e das alternativas do presente está a ser apagada a um ritmo alucinante. Não sei se é uma conspiração global bem planeada ou apenas uma tendência que se alimenta de si própria, mas os poderosos deste mundo estão a fazer tudo o que podem para que sejamos cada vez mais ignorantes da história, da realidade, das consequências e nos tornemos apenas e simplesmente consumidores apáticos e acéfalos.
É tão simples não pensar, não procurar saber, não querer saber! Mas é preciso resisitir, é preciso lutar. É preciso consciência de que há uma guerra silenciosa a decorrer e que estamos a perdê-la, porque quem pode mudar-lhe o rumo ignora que ela está a decorrer. Se ainda não se aperceberam dela ou acham que não é assim tão grave é porque ainda não viram o quadro completo. Investiguem, vejam com os vossos próprios olhos, juntem todas as peças e quando virem o puzzle completo, juntem-se à resistência, ousem não seguir a corrente!
Por coincidência (embora não por acaso) descobri este filme "America - Freedom to Fascism".

Não sei como, onde e quando o poderão ver, mas se puderem não deixem de o fazer. vejam também o "Inconvenient Truth", já agora e o "Children of Men", claro.

Tuesday, November 14, 2006

Música

Nos primeiros dias que ouvi rádio por aqui, não suportava ouvir canções em francês. Pareciam-me todas tão lamechas. Assim que começavam a tocar, mudava logo de estação. Mas aos poucos comecei a descobrir coisas interessantes e agora já cantarolo algumas chansons. Por exemplo, descobri esta menina - Olivia Ruiz - que tem umas cançõezinhas deliciosas e apaixonei-me assolapadamente pela Charlotte Gainsbourg. Há outras músicas porreiras em francês a passar na rádio, o problema é que raramente os locutores radiofónicos dizem quem é quem e eu fico sem saber o nome dos cantores ou grupos. Lá descobri a Olivia Ruiz, porque procurei pelo nome duma canção dela, que extrapolei a partir do refrão da canção - puro acaso, portanto.
Costumo ouvir a BXL La City Radio (Bê Ix Éle, Lá Cití Rádiôô!), que é uma espécie de Antena 3 belga, mas com mais bom gosto. Também há por cá a Radio Nostalgie, que é exactamente como a Rádio Nostalgia em Portugal - até o jingle da rádio é o mesmo (Nôôôs-tál-giiii!). Todos os dias em que não vou ao Friskis-Svettis, oiço a Radio Vibration ao fim da tarde, pois só passa música de dança e é por isso excelente para fazer exercício de forma divertida, dançando até cair pó lado ;)