Monday, February 19, 2007

Nuremberga biológica

Cheguei hoje de madrugada de Nuremberga, onde estive desde 4ª feira na Biofach 2007. Estou de rastos. Seis a sete horas de automóvel, soterrada debaixo de malas e sacos e caixotes de produtos biológicos de oferta. Quatro dias de correria dum lado para o outro na feira. Passeios matutinos em passos largos, na tentativa de ver o máximo possível da cidade antes de ir cada manhã para a feira. Festas de arromba noite dentro organizadas para os participantes da feira.
Fiquei com os pés desfeitos e até tive que comprar botas novas que as que eu levei comigo não aguentaram tanto uso e morreram prematuramente - buracos e rasgões e solas soltas... Devia ter tirado fotografia antes de as ter deitado fora, mas não me lembrei disso.
Nuremberga é lindíssima. Pelo menos os 2/3 que eu consegui ver do centro histórico. Tive a sorte de ficar na Pousada da Juventude no Castelo de Nuremberga, com vista sobre a cidade! Tirei um milhão de fotografias, claro.
A feira era enorme: 150.000 m² de área de exibição e 76.000 m² de área exterior. Cada vez que eu estava num pavilhão e me chamavam de urgência para outro no lado oposto, demorava sempre pelo menos 10 minutos em passo acelerado para lá chegar.
Falei com imensa gente, conheci a Comissária da Agricultura e o pessoal da sede da IFOAM. Adorei ver aquela diversidade de pessoas de todos os cantos do mundo, unidas pela agricultura biológica. Na Biofach vê-se que isto não é coisa de meia dúzia de hippies malucos - é um movimento global com pernas fortíssimas para andar e saltar e correr a maratona!

Friday, February 09, 2007

Línguas de gato

Acabei de atender um telefonema da Al-Jazeera. Sim, da Al-Jazeera!
Parece que querem realizar uma reportagem sobre OGM e Agricultura Biológica e querem falar com o meu Director sobre o assunto. E tive que falar en français, porque o senhor que me contactou ne se sentait pas a l'aise pour parler en anglais.
E a propósito de francês, estou a frequentar 2 aulinhas por semana de 3h cada, na EPFC. O teste de admissão colocou-me no nível 6 de 11, mas a professora que é desconfiada e diz que os testes vão ser redesenhados porque não são de fiar, sujeitou-nos a outro teste só para ter a certeza de que estávamos no nível certo. E tanto ela como eu ficámos surpreendidas. Parece que toda a gente passou o teste com distinção e eu só cometi 2 pequeníssimos erros de ortografia e um erro mais feio de conjugação verbal que ela achou perdoável. Por isso continuo no nível 6.
Pode não parecer um nível por aí além, mas é o último nível do grau intermédio. Depois deste seguem-se os níveis de aprofundamento da língua, por isso não fiquei nada mal colocada. Agora tenho que me portar à altura e evitar dar barraca.
Entretanto a professora já me deu nas orelhas porque eu li num texto mille neuf-cent quatre-vingt quatorze em vez de mille neuf-cent nonante quatre! Perguntou-me se eu tinha aprendido francês na Alliance Française ou em Paris, com algum desprezo na voz. Cá na Bélgica não se usam essas antiguidades linguísticas, q'hórrôr! Cá diz-se nonante! Curiosamente, os belgas também dizem quatre-vingt em vez de octante, por isso não percebo a razão de tanto escândalo. Se são assim tão mais evoluídos que os franceses, ao menos levavam isso até às últimas consequências.
Ainda relacionado com línguas, o meu professor de yoga julgava que eu era inglesa, porque acha que eu tenho "sotaque", não me explicou é se tenho sotaque de inglesa a falar inglês ou sotaque de inglesa a falar francês. Habitualmente dizem-me é que tenho sotaque americano, o que me parece mais lógico, devido à influência dos filmes e séries americanos na minha aprendizagem de inglês. Influência essa que se mostrou em todo o seu esplendor há dias, quando conversava com uma colega inglesa do escritório aqui do lado. Descrevi-lhe o padrão da minha camisola, de grandes bolas brancas sob fundo castanho, como big balls. Ela olhou para mim com aquele ar tão chocado mas ao mesmo tempo contido que só os britânicos conseguem fazer e corrigiu-me: "polka dots, we call it polka dots". OK, eu sabia que big balls tinha um significado completamente diferente e potencialmente chocante, mas não me ocorreu outra descrição...
E para finalizar, no sábado passado um iraniano perguntou-me se eu era indiana. Diz que desde a minha cara, ao meu cabelo, à minha roupa e maneira de estar, tudo indicava que eu era indiana. Essa eu ainda não tinha ouvido...

La blanche neige

Eh pá e não é que nevou mesmo?
Ontem de manhã, estava eu muito estremunhada a lavar a cara na casa-de-banho, quando reparo numa estranha luminosidade branca vinda da janela (o vidro é fosco e não me permitiu perceber logo o que era). Abri a janela ainda meio a dormir e POW, fiquei instantaneamente com ar de desenho animado japonês - olhos esbugalhados, queixo caído, um guincho atravessado na garganta! Estava a nevar!!! Imeeeenso! Estava tudo branquinho e caíam flocos quase do tamanho da palma da mão. Como disse a Lena: "This is how snow is supposed to be!"
Acho que estive uma hora à janela no escritório completamente absorta pela neve a cair. Nas traseiras do prédio há um pátio interior delimitado por prédios altos, que tem uma pequena passagem de ar exterior que provoca uma corrente de ar circular. Graças a este efeito e aos flocos de neve serem perfeitos como bolinhas de algodão, a neve dançou em círculos e espirais antes de finalmente assentar no chão. Lá pelo meio, consoante a corrente de ar variava, por vezes a neve voltava a subir e depois descia novamente e como por magia, por vezes ficava simplesmente suspensa no ar, pairando em frente ao meu nariz ou deslizava na horizontal vindo toda de encontro à minha cara. O efeito foi espectacular e as sensações indescritíveis!