Friday, August 17, 2007

O mundo sem nós

Para quem tem tendência a esquecer-se da insignificância das nossas vidas no tempo de vida do universo, aqui vai um link que deve ser explorado: The world without us.

Wednesday, August 08, 2007

Je parle français comme une vache espagnole!

Eis uma expressão francesa verdadeiramente interessante e com a qual eu me identificava completamente. Mas aparentemente o meu francês é muito melhor do que eu julgo, pois acabei de dar uma entrevista para uma televisão local de Mons e a jornalista disse-me que o meu francês é excelente. Enfim, não é excelente, mas tendo em conta que eu lhe dizia que não estava muito segura quanto a falar francês, ela ficou surpreendida por afinal eu até ser capaz de passar umas horinhas na conversa en français.
C'était vraiment chouette!

Além da entrevista propriamente dita, que foi demasiado rápida e não me deu tempo para desenvolver ideias nenhumas de jeito, fartei-me de fazer teatro: "vamos fazer de conta que acabaste de chegar ao escritório", "agora conversa qualquer coisa de trabalho com os teus colegas", "agora faz de conta que estás a cuidar das plantas", "agora faz de conta que estás a chegar d'algures à loja bio para fazeres as tuas compras".
Sou uma péssima actriz. Foi difícil fazer de conta que era a sério. Tive que repetir a minha entrada na loja bio umas 3 vezes. E a maior parte do tempo tive que me esforçar para não me desatar a rir.
Também desestabilizei um pouco o dia-a-dia no escritório da IFOAM EU, mas acho que toda a gente se divertiu com a quebra de rotina e por isso pas de problème.
No total, tudo isto durou umas 3h, mas a minha história será resumida a 4 minutos na reportagem final. Uau, nem sequer chegam a ser 15 minutos de fama...
E apesar de ser realizada por uma televisão local, a reportagem será transmitida em toda a Walónia (zona sul francófona da Bélgica), mas só lá para Novembro/Dezembro. Antes disso eles ficaram de me enviar a gravação como souvenir :) Se o resultado final não for muito embaraçoso, vou tentar partilhá-lo aqui em formato digital.
Et voilà, c'est tout pour le moment :)

Friday, July 20, 2007

Bolos e desertos

A língua oficial não-oficial do "quartier européen" em Bruxelas é cada vez mais o inglês. E talvez por isso o Exki aqui da esquina, tem uma placa à porta com a descrição em inglês do que lá se pode comer. Cada dia que por lá passo rio-me sozinha quando leio que entre as soups e as tarts, também lá servem cakes & deserts. (Para os mais distraídos, eles pretendiam dizer desserts=sobremesas e não deserts=desertos). Apetece-me pegar numa caneta e acrescentar lá o "s" que falta, mas ao mesmo tempo acho que a placa tal como está acrescenta uma pitada de poesia surrealista à vida. Não consigo evitar pensar que bolos e desertos é uma descrição adequada para o cenário da minha vida nestes últimos dias.
A 15 dias de terminar o meu trabalho e a mês e meio de deixar Bruxelas, as pessoas olham para mim quase como que preocupadas com o meu estado emocional, mas não é o fim do mundo, não vou ficar deprimida por deixar Bruxelas, apenas saudosista. E o futuro é um livro à espera de ser escrito, por isso quem sabe se não voltarei em breve a Bruxelas ou irei para algum outro local ainda mais fantástico?
No entanto todas as fases de transição se parecem um pouco com uma travessia do deserto e eu não consigo evitar sentir um pouco isso. Felizmente este é um deserto cheio de bolos!
Todos os dias alguém faz anos, alguém chega a ou parte de Bruxelas, alguém espirra e decide comemorá-lo, por isso todos os dias há festas e bolos! No fim-de-semana passado fui a um festival de música em Gent, onde dividi o meu tempo entre 2 grupos diferentes de amigos que não se quiseram juntar para me facilitar a vida; durante a semana fui várias vezes ao cinema, com amigos e desconhecidos; ontem houve um lanche de aniversário no escritório e bolo de morangos com chantilly; hoje vou a uma festa de mudança de casa; amanhã vou a outra festa de um aniversário que já teve lugar há 2 semanas - não importa!
Todos os dias devemos celebrar o simples facto de estarmos vivos e em Bruxelas parece que isso é realmente posto em prática!
O tempo é que não tem sido muito amigo das festas. Durante breves momentos, por vezes alguns dias, é possível apercebemo-nos de que já estamos no Verão, mas a maior parte das vezes parece que ainda estamos presos no Inverno.
Voltei a calçar as botas e mesmo a vestir o meu casaco mais quente em alguns destes últimos dias. Este está a ser oficialmente o pior mês de Julho de que tenho memória.
Mas é melhor não me queixar muito, pois parece que na América do Sul está um frio polar e que na América do Norte se debatem com 40ºC. Perante isso Bruxelas é um paraíso de temperaturas amenas.
Ainda hoje vi uma escuridão fora do normal aproximar-se por cima das nossas cabeças e passado um bocado um relâmpago caiu no pára-raios do prédio em frente, basicamente a 50 metros de distância da minha secretária. Parecia que uma bomba estava a explodir à minha frente. O estrondo foi simultâneo ao relâmpago e ressoou nas minhas entranhas todas. O flash de luz branca só não me deixou meio cega porque eu tinha as cortinas parcialmente corridas, mas foi pena porque na verdade eu gostava de ter visto o espectáculo todo...