Friday, January 25, 2008

Ich war ein Berliner

Tanta água passou por baixo da ponte desde o meu último contacto.
Já não estou no Porto. O meu estágio por lá não foi além dos 2 meses.

Em compensação comecei um novo trabalho para a GENET. É o emprego que eu andava a desejar: pode ser feito onde quer que que tenha acesso à net, o horário sou eu que defino, assim como o tempo que trabalho, tenho que viajar frequentemente pela Europa, cooperar com todas as pessoas interessantes que comecei a admirar durante o meu ano em Bruxelas e a quem eu aspiro igualar profissionalmente. Só espero fazer tudo por merecer esta oportunidade.
O primeiro docinho do meu trabalho foi a oportunidade de ir a Berlim. Curiosamente (há muitos curiosamentes na minha vida, n'est-ce pas?) Berlim era a cidade europeia que eu queria visitar em seguida. Tinha ficado triste de não ter conseguido lá ir durante as férias.
Berlim não é linda, em termos arquitectónicos não tem muito que se veja, mas a história dela assalta-nos em cada esquina. Estranhamente não senti a opressão de todos os acontecimentos que lá tiveram lugar. É uma cidade completamente nova que nasceu por cima dos escombros das guerras e conflitos, sem sentimentos de culpa ou de recriminação. Ou pelo menos assim me pareceu.
Daqui a menos de um mês tenho que lá voltar. Mais uma cidade na qual me sinto em casa.

Friday, December 14, 2007

As iludências aparudem

Depois de ouvir alguns comentários sobre os meus últimos posts fui lê-los para confirmar se era verdade que tinham um certo "tom". Por acaso o último pareceu-me bastante "convencido" e o outro anterior um pouco "amargo" demais, mas a vida é assim, nem todos os dias temos a mesma disposição e isso transparece. Em essência eu sou sempre igual, mas à superfície tenho mudanças de humor que por acaso gosto de explorar literariamente. Mas não se deixem chocar, eu sou o que sou e não aquilo que pareço.
Aproveito para deixar uma mensagem não de boas festas mas de não-consumismo. Vou tentar não dar prendas a ninguém e vocês deviam fazer o mesmo. Se tiverem um impulso irresistível de gastar dinheiro, então façam-se sócios de alguma organização ambientalista ou humanitária, ofereçam algo essencial aos que disso necessitam, etc. Não comprem mais tralha que isso não faz ninguém feliz. O Natal consumista dos nossos dias é uma deturpação duma festa católica de celebração do nascimento dum homem que por sua vez não passa duma deturpação da festa da celebração do nascimento do deus sol após o solstício do inverno, por isso vão para a rua apanhar sol e honrem aquele que dá vida a tudo nesta Terra :)

Saturday, November 17, 2007

Conexões

As pessoas no Porto são mais simpáticas. Pelo menos diz-se que sim e eu também tenho essa impressão. Mas ainda ontem ajudei um senhor a carregar as suas pesadas malas até à hospedaria onde ia ficar instalado e ele agradeceu-me, dizendo precisamente que as pessoas aqui são mais simpáticas, não são como em Lisboa. Ao que eu lhe respondi "Pois, mas eu não sou de cá, eu sou de Lisboa." O senhor ficou sem resposta para me dar.
Às tantas a ideia de que por aqui se é mais simpático acaba por contagiar quem cá chega e a simpatia cresce e multiplica-se, não é que esteja de facto incutida nos genes.
Por falar em pessoas simpáticas... o António descobriu que o café da esquina, aqui perto de casa, tem wi-fi gratuito. Que simpáticos! Pelo que agora somos frequentadores habituais do sítio, juntamente com os nossos laptops. Claro que tenho que consumir alguma coisa para poder cá estar, mas mesmo assim sai mais barato do que ir a um ciber-café. E é sem dúvida mais agradável. O espaço é amplo e quando consigo lugar junto à janela, apanho um belo solinho e tenho uma vista bastante interessante sobre a rua.
Só tem um problema, as opções de bebida e comida não são muito veggie-friendly. Perguntei à senhora do café se tinha leite de soja e ela disse "Não menina, eu só uso meio-gordo." Achei adorável a sua candura :) Resolvi pedir um chá, mas perante a minha pergunta sobre que chás tinham, ela disse que não sabia, porque os nomes estavam todos em inglês. Por isso tive que ser eu a informá-la sobre os chás que tinha. Será que nunca ninguém pediu um chá neste café antes de mim?
Aaaaah, sábado à tarde, sentada no café, ligada à net. Pode parecer estúpido, mas sinto-me bem com isso. Já me tinha adaptado a uma vida "desligada", mas confesso que o vício é grande e agora que o recuperei, sinto-me nas nuvens :) Ontem li cerca de 500 emails que deixei acumular na mailbox e percebi o quanto me faz falta estar "ligada" para manter aquela minha tão característica capacidade de "saber tudo" antes dos outros :) Já andava a ouvir bocas do tipo "então não leste o email que eu te mandei?", "então não soubeste do que se passou?". Isso não costumava acontecer! Senti que estava a ficar para trás. Maldita sociedade da informação! Se quero desligar-me, tenho mesmo que me refugiar numa gruta na montanha...