Já fui à sessão com a psicóloga. Durou 2 horas mas teria durado muito mais se eu não tivesse que interrompê-la para ir à aula de francês. A psicóloga parecia querer ouvir-me para sempre, porque esforçou-se imenso para que eu ficasse "só mais um bocadinho", "só mais um bocadinho"... Fiquei com a sensação de que aquela psicóloga estava a precisar de conversar com alguém...
Contei-lhe a traços largos a história da minha vida. No final achei que não valeu muito a pena, pois aquilo que ela me disse em conclusão, já eu tinha concluído sozinha: basicamente, que tenho tudo para me dar bem na vida, só tenho que continuar a esforçar-me para ultrapassar os meus receios e falhas, que são perfeitamente normais.
O único mérito desta conversa foi talvez o ter-me feito relembrar a minha maior falha por corrigir: a incapacidade de terminar projectos.
Desde miúda que inicio mil projectos, mas raramente termino algum. As desculpas que sempre arranjei para justificá-lo são variadas, mas todas se reflectem na perda de entusiasmo para prosseguir. Hoje percebo que a causa escondida é sempre a mesma: o medo de falhar.
O incentivo exacerbado que o meu paizinho me deu para ser "A Melhor", teve o efeito de me fazer duvidar constantemente das minhas capacidades intelectuais, da qualidade do meu trabalho, do interesse das minhas ideias, do meu valor como pessoa, ao ponto de eu preferir não fazer nada com receio de não ser suficientemente boa a fazê-lo. Nem mesmo abria a boca ao pé das pessoas pois julgava que o que quer que fosse que eu lhes dissesse soar-lhes-ia sempre ridículo.
Se eu tivesse 19 num teste, o paizinho "incentivava-me" a ter um 20 no próximo. Hoje sinto que se não tiver 20+ em tudo o que faço, mais vale estar quieta e como resultado perco sempre o entusiasmo a meio dos meus projectos e acabo por deixá-los pendentes ou por considerá-los um fardo e terminá-los às três pancadas.
É triste que pessoas que têm tanto para dar ao mundo tenham tanto medo de fazer, de se expressar, de arriscar, por falta de confiança em si mesmas.
Em Bruxelas não me posso dar ao luxo de não dar o meu melhor, porque disso depende o meu futuro a fazer aquilo que realmente gosto. Por isso vou esforçar-me mais do que alguma vez me esforcei, para me libertar desta prisão mental e trazer ao de cimo todo o meu potencial.
Se como eu és vítima de pais demasiadamente "bem-intencionados", tens toda a minha compreensão e solidariedade. Eu sei que vou conseguir ultrapassar isto e acredito que tu também :)
Contei-lhe a traços largos a história da minha vida. No final achei que não valeu muito a pena, pois aquilo que ela me disse em conclusão, já eu tinha concluído sozinha: basicamente, que tenho tudo para me dar bem na vida, só tenho que continuar a esforçar-me para ultrapassar os meus receios e falhas, que são perfeitamente normais.
O único mérito desta conversa foi talvez o ter-me feito relembrar a minha maior falha por corrigir: a incapacidade de terminar projectos.
Desde miúda que inicio mil projectos, mas raramente termino algum. As desculpas que sempre arranjei para justificá-lo são variadas, mas todas se reflectem na perda de entusiasmo para prosseguir. Hoje percebo que a causa escondida é sempre a mesma: o medo de falhar.
O incentivo exacerbado que o meu paizinho me deu para ser "A Melhor", teve o efeito de me fazer duvidar constantemente das minhas capacidades intelectuais, da qualidade do meu trabalho, do interesse das minhas ideias, do meu valor como pessoa, ao ponto de eu preferir não fazer nada com receio de não ser suficientemente boa a fazê-lo. Nem mesmo abria a boca ao pé das pessoas pois julgava que o que quer que fosse que eu lhes dissesse soar-lhes-ia sempre ridículo.
Se eu tivesse 19 num teste, o paizinho "incentivava-me" a ter um 20 no próximo. Hoje sinto que se não tiver 20+ em tudo o que faço, mais vale estar quieta e como resultado perco sempre o entusiasmo a meio dos meus projectos e acabo por deixá-los pendentes ou por considerá-los um fardo e terminá-los às três pancadas.
É triste que pessoas que têm tanto para dar ao mundo tenham tanto medo de fazer, de se expressar, de arriscar, por falta de confiança em si mesmas.
Em Bruxelas não me posso dar ao luxo de não dar o meu melhor, porque disso depende o meu futuro a fazer aquilo que realmente gosto. Por isso vou esforçar-me mais do que alguma vez me esforcei, para me libertar desta prisão mental e trazer ao de cimo todo o meu potencial.
Se como eu és vítima de pais demasiadamente "bem-intencionados", tens toda a minha compreensão e solidariedade. Eu sei que vou conseguir ultrapassar isto e acredito que tu também :)


3 comments:
Bom... eu também já comecei 1000 projectos diferentes e não os acabei. Mas nunca atribuí isso a medo nenhum. Raios partam os psicólogos, que têm que arranjar um trauma infantil para tudo o que a gente faz. Eu tenho plena consciência que aquilo que não acabei, foi porque perdeu o interesse para mim. Retirei de lá tudo o que poderia aprender e quando vi que já não me interessava, mudei-me para outras paragens antes que desperdiçasse mais tempo precioso de vida. Afinal ela é tão curta e há tantas coisas por experimentar! Acho que não devias ligar a essa psicóloga LOL. Aliás, dos muitos que já tive a infelicidade de conhecer, estavam todos demasiado ocupados a tentar explicar a si próprios as suas opções para as viver.
Oi!
Eu também sou um pouco assim. Tenho muita determinação no início, mas depois quando as coisas estão quase a cabar só me apetece desistir.... e manter-me na parada exige de mim sempre um esforço enorme! Muitas vezes digo a mim mesma: vou fazer uma pausa... mas a pausa nunca acaba! :p Mas para isso é que servem os amigos... Para nos agarrarem, puxarem por nós e nos dizerem cara a cara aquilo que estamos a fazer mal e a apontarem o melhor para nós! Nós sabemos, só que temos preguicite aguda! Deixa lá que em Jan eu apareço por aí e depois dou uma olhadinha por ti (e tu por mim)!
Como eu disse outro dia a uma amiga minha: Força aí, força aqui!
Voces sao uns amores :) Isto é q sao comentarios, hem? Obrigada.
Qt ao teu comment, Rita, nao foi a psi q me disse aquilo, esta é a minha opiniao ponderada sobre o assunto, q nem sequer discuti com ela, mas na qual pensei um pouco mais depois da psi.
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