Na 5ª feira à tarde comecei a sentir-me mal e ao fim do dia já não me aguentava em pé. Depois de uma reunião à qual não podia mesmo faltar, tive que ir para casa e pelas 19h já estava na cama a dormir.
Os sintomas que sentia eram os de uma gripe: febre, náuseas, fadiga, falta de força, dor de cabeça e de garganta. Decidi dar descanso absoluto ao organismo e dormi 14 horas.
Pela manhã já me sentia melhor, mas mesmo assim achei que era melhor ficar em casa para não ter uma recaída. A Lena disse-me que não fazia mal e concordou que eu precisava de descansar. O Marco também iria estar fora todo o dia e não teria tarefas urgentes para me dar.
No sábado já me sentia bem e o Stylanos passou por minha casa para me ajudar a montar a minha nova cama. Fiquei tão contente por finalmente poder arrumar a barafunda em que me encontrava e ter espaço para me mexer, que melhorei um pouco mais depois disso. Foi aí que pensei a sério que podia haver muito de psicossomático na minha doença súbita.
O rápido aparecimento e desaparecimento dos sintomas de gripe foram tão rápidos, que os meus colegas não acreditaram muito nesse diagnóstico inicial. Para eles estes sintomas foram apenas uma manifestação de exaustão do meu organismo. Acusaram-me de querer fazer demasiadas coisas num intervalo de tempo muito curto e que eu não podia continuar a viver àquele ritmo.
O factor vírus pode ou não ter entrado na equação, mas não faltaram outros factores que combinados podem ter levado a estes sintomas e nisso concordo com eles: o excesso de informação nova para assimilar, o calor extremo que se tem sentido e eu só com roupas de outono-inverno, a falta de rotina no meu dia-a-dia, a comida improvisada, o sono de má qualidade no sofá-cama, passeios e mais passeios, carregar compras e móveis até ficar de rastos, etc, etc.
No domingo a Lena tirou-me uma fotografia, mas eu estava com tão mau aspecto que nem a vou mostrar. Só então é que me apercebi do meu ar exausto, com umas olheiras 3 vezes piores que as habituais e uns papos debaixo dos olhos como se não dormisse há 3 noites.
Decididamente tenho que abrandar. Afinal vou estar cá um ano e ando a correr tudo como se só estivesse aqui a passar umas férias curtas.
Mas ainda não comecei a abrandar este fim-de-semana. Iam acontecer tantas coisas interessantes que eu não consegui simplesmente ficar em casa a descansar. Decidi abusar só um pouquinho mais de mim própria, mas juro que foi a última vez!
No sábado, encontrei outra feira da ladra - aqui há-as em todas as esquinas - três vezes maior que a da semana passada e percorri-a de fio a pavio. Comprei um ferro de engomar, uma varinha mágica, um candeeiro e uns sapatos, tudo pela módica quantia de 10 euros.
No domingo era o dia sem carros em Bruxelas e a Lena convidou-me para participar com ela numa série de actividades que iriam decorrer. Novamente ocorreu-me que devia descansar, mas como é que podia perder a oportunidade? Fomos ver Bruxelles Champêtre, uma espécie de feira de produtos agrícolas com animais da quinta e barraquinhas de todo o tipo de associações ligadas ou não à agricultura. Chegámos lá entusiasmadas, mas acabámos por achar aquilo deprimente. O Marché Biologique anunciado numa placa era afinal um grupo diminuto de barraquinhas que vendiam queijos e carnes grelhadas - aparentemente não produzem frutas e legumes biológicos na Bélgica. Lá havia uma barraquinha que vendia maçarocas de milho biológico na brasa, que comemos com agrado, mas nao havia mais nada de origem vegetal. As restantes barraquinhas da feira promoviam carne, leite e queijo e o "uso sustentável" de nitratos e outras patacoadas do género. Fascinante, portanto, para uma vegetariana e uma semi-vegetariana, adeptas de agricultura biológica. Trouxemos brochuras e panfletos, para tentarmos perceber se a agricultura belga é só isto ou se tem mais na manga que não estava ali representado.
A maioria dos animais em exposição estavam claramente a sofrer com aquela confusão. Uma vaca mugia em desespero e via-se claramente nos olhos dela que queria estar bem longe dali, enquanto dezenas de pessoas faziam fila para lhe tirar um pouco de leite. Uns porquinhos jaziam imóveis num canto, enroscados uns nos outros, tentando isolar-se do pesadelo em que estavam metidos e o seus corpos estavam cheios de arranhões e equimoses. Senti imensa pena dos bichos e repúdio pelo entusiasmo das pessoas em manipularem-nos como se fossem peluches, sem se aperceberem da inteligência e sensibilidade destas criaturas, que sofrem como nós a angústia de serem tratados como objectos.
Lá deixámos aquele sítio, que ao contrário do anunciado, mais parecia um circo que uma quinta e fomos até à Grand Place, pois a Lena disse que também lá estava a decorrer qualquer coisa. No meio de milhares de pessoas, encontrámos umas barraquinhas de vários grupos de Bruxelas, mas a confusão era tal e o interesse não era assim tão grande, que desistimos de as visitar e a Lena levou-me duas ruas abaixo, para eu conhecer o Manneken Pis. Chegámos mesmo no momento em que lhe mudavam a vestimenta e em que um grupo de tipos mascarados que estava na Grand Place, se dirigiu com pompa e circunstância até ao local da estatueta. O grupo entitula-se algo parecido com uma congregação dos amigos de Manneken Pis. Não sei qual é a história deles, mas à primeira vista era apenas um grupo de homens com fatos ridículos e grandes penachos na cabeça, a distribuir laranjas ao som de bombos. OK, deve haver um significado produndo por detrás disto e eu interrogo-me sobre qual seja. Vou ver se leio nalgum dos meus guias de Bruxelas.
Demos mais umas voltinhas, sem destino definido, só para vermos aquela gente toda sobre rodinhas, ruas abaixo, ruas acima, mas por fim decidimos separar-nos pois eu queria ir visitar uma feira medieval em Saint Denis e ela queria ir ver outra coisa qualquer.
Em Portugal nunca consegui ver nenhuma destas feiras, mas talvez tenha sido melhor ter-me guardado para esta, que já tem 10 anos de idade e me pareceu muito bem organizada. Comi um belo ravier des champignons grottes, que me deixou felicíssima por não ter gasto o dinheiro numa bugiganga qualquer que não me teria dado tanto gozo. Miam miam, eram mesmo deliciosos, quentinhos, picantes, com um belo molhinho e um paozinho cozido em forno de lenha, miam miam.
Cheguei a casa mais uma vez exausta, mas feliz e com 70 fotografias para descarregar da máquina fotográfica.
Entretanto prometi a mim mesma que vou arranjar uma rotina menos cansativa, em que possa passear aos fins-de-semana, mas com muito descanso à mistura, caso contrário ainda volto a adoecer e acabo por não aproveitar nada da minha estadia.
Os sintomas que sentia eram os de uma gripe: febre, náuseas, fadiga, falta de força, dor de cabeça e de garganta. Decidi dar descanso absoluto ao organismo e dormi 14 horas.
Pela manhã já me sentia melhor, mas mesmo assim achei que era melhor ficar em casa para não ter uma recaída. A Lena disse-me que não fazia mal e concordou que eu precisava de descansar. O Marco também iria estar fora todo o dia e não teria tarefas urgentes para me dar.
No sábado já me sentia bem e o Stylanos passou por minha casa para me ajudar a montar a minha nova cama. Fiquei tão contente por finalmente poder arrumar a barafunda em que me encontrava e ter espaço para me mexer, que melhorei um pouco mais depois disso. Foi aí que pensei a sério que podia haver muito de psicossomático na minha doença súbita.
O rápido aparecimento e desaparecimento dos sintomas de gripe foram tão rápidos, que os meus colegas não acreditaram muito nesse diagnóstico inicial. Para eles estes sintomas foram apenas uma manifestação de exaustão do meu organismo. Acusaram-me de querer fazer demasiadas coisas num intervalo de tempo muito curto e que eu não podia continuar a viver àquele ritmo.
O factor vírus pode ou não ter entrado na equação, mas não faltaram outros factores que combinados podem ter levado a estes sintomas e nisso concordo com eles: o excesso de informação nova para assimilar, o calor extremo que se tem sentido e eu só com roupas de outono-inverno, a falta de rotina no meu dia-a-dia, a comida improvisada, o sono de má qualidade no sofá-cama, passeios e mais passeios, carregar compras e móveis até ficar de rastos, etc, etc.
No domingo a Lena tirou-me uma fotografia, mas eu estava com tão mau aspecto que nem a vou mostrar. Só então é que me apercebi do meu ar exausto, com umas olheiras 3 vezes piores que as habituais e uns papos debaixo dos olhos como se não dormisse há 3 noites.
Decididamente tenho que abrandar. Afinal vou estar cá um ano e ando a correr tudo como se só estivesse aqui a passar umas férias curtas.
Mas ainda não comecei a abrandar este fim-de-semana. Iam acontecer tantas coisas interessantes que eu não consegui simplesmente ficar em casa a descansar. Decidi abusar só um pouquinho mais de mim própria, mas juro que foi a última vez!
No sábado, encontrei outra feira da ladra - aqui há-as em todas as esquinas - três vezes maior que a da semana passada e percorri-a de fio a pavio. Comprei um ferro de engomar, uma varinha mágica, um candeeiro e uns sapatos, tudo pela módica quantia de 10 euros.
No domingo era o dia sem carros em Bruxelas e a Lena convidou-me para participar com ela numa série de actividades que iriam decorrer. Novamente ocorreu-me que devia descansar, mas como é que podia perder a oportunidade? Fomos ver Bruxelles Champêtre, uma espécie de feira de produtos agrícolas com animais da quinta e barraquinhas de todo o tipo de associações ligadas ou não à agricultura. Chegámos lá entusiasmadas, mas acabámos por achar aquilo deprimente. O Marché Biologique anunciado numa placa era afinal um grupo diminuto de barraquinhas que vendiam queijos e carnes grelhadas - aparentemente não produzem frutas e legumes biológicos na Bélgica. Lá havia uma barraquinha que vendia maçarocas de milho biológico na brasa, que comemos com agrado, mas nao havia mais nada de origem vegetal. As restantes barraquinhas da feira promoviam carne, leite e queijo e o "uso sustentável" de nitratos e outras patacoadas do género. Fascinante, portanto, para uma vegetariana e uma semi-vegetariana, adeptas de agricultura biológica. Trouxemos brochuras e panfletos, para tentarmos perceber se a agricultura belga é só isto ou se tem mais na manga que não estava ali representado.
A maioria dos animais em exposição estavam claramente a sofrer com aquela confusão. Uma vaca mugia em desespero e via-se claramente nos olhos dela que queria estar bem longe dali, enquanto dezenas de pessoas faziam fila para lhe tirar um pouco de leite. Uns porquinhos jaziam imóveis num canto, enroscados uns nos outros, tentando isolar-se do pesadelo em que estavam metidos e o seus corpos estavam cheios de arranhões e equimoses. Senti imensa pena dos bichos e repúdio pelo entusiasmo das pessoas em manipularem-nos como se fossem peluches, sem se aperceberem da inteligência e sensibilidade destas criaturas, que sofrem como nós a angústia de serem tratados como objectos.
Lá deixámos aquele sítio, que ao contrário do anunciado, mais parecia um circo que uma quinta e fomos até à Grand Place, pois a Lena disse que também lá estava a decorrer qualquer coisa. No meio de milhares de pessoas, encontrámos umas barraquinhas de vários grupos de Bruxelas, mas a confusão era tal e o interesse não era assim tão grande, que desistimos de as visitar e a Lena levou-me duas ruas abaixo, para eu conhecer o Manneken Pis. Chegámos mesmo no momento em que lhe mudavam a vestimenta e em que um grupo de tipos mascarados que estava na Grand Place, se dirigiu com pompa e circunstância até ao local da estatueta. O grupo entitula-se algo parecido com uma congregação dos amigos de Manneken Pis. Não sei qual é a história deles, mas à primeira vista era apenas um grupo de homens com fatos ridículos e grandes penachos na cabeça, a distribuir laranjas ao som de bombos. OK, deve haver um significado produndo por detrás disto e eu interrogo-me sobre qual seja. Vou ver se leio nalgum dos meus guias de Bruxelas.
Demos mais umas voltinhas, sem destino definido, só para vermos aquela gente toda sobre rodinhas, ruas abaixo, ruas acima, mas por fim decidimos separar-nos pois eu queria ir visitar uma feira medieval em Saint Denis e ela queria ir ver outra coisa qualquer.
Em Portugal nunca consegui ver nenhuma destas feiras, mas talvez tenha sido melhor ter-me guardado para esta, que já tem 10 anos de idade e me pareceu muito bem organizada. Comi um belo ravier des champignons grottes, que me deixou felicíssima por não ter gasto o dinheiro numa bugiganga qualquer que não me teria dado tanto gozo. Miam miam, eram mesmo deliciosos, quentinhos, picantes, com um belo molhinho e um paozinho cozido em forno de lenha, miam miam.
Cheguei a casa mais uma vez exausta, mas feliz e com 70 fotografias para descarregar da máquina fotográfica.
Entretanto prometi a mim mesma que vou arranjar uma rotina menos cansativa, em que possa passear aos fins-de-semana, mas com muito descanso à mistura, caso contrário ainda volto a adoecer e acabo por não aproveitar nada da minha estadia.


2 comments:
Hmm eu tive umas coisas parecidas, vou contar talvez te dê pistas... a primeira vez foi na semana em que cheguei à Suécia, quando dei por mim estava completamente fatigada e a cair para o lado, e depois percebi que era simplesmente porque o sol se punha às 4 da tarde e a partir daí o meu corpo achava que devia estar a dormir, mas eu discordava. a 2ª vez foi quando estive uma manhã toda entretida a plaquear coisas ao pé de um bico de Bunsen e quando me levantei ia outra vez caindo para o lado - mais tarde explicaram-me que trabalhar ao pé do bico de Bunsen causa desidratação. Mta águinha, filha:) Mta águinha:)
Eu acho que os animais em feiras é quase como as crianças nos hipermercados! Faz-me muita confusão!
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