Thursday, December 07, 2006

Satori

Retirado da web: "Satori significa literalmente entender, em japonês. É uma iluminação, uma expansão da Consciência equivalente aos termos sânscritos Nirvana e Samadhi, usados na Índia. A consciência se projeta no plano mental, além do espiritual, se fundindo ao TODO, liberando-se do conceito de tempo, espaço e forma.
Geralmente usa-se os termos Satori ("entender") e Kensho ("despertar") para definir a mesma experiência. O Kensho é uma breve expansão da consciência, onde temos um pequeno vislumbre da verdadeira natureza das coisas. Terminado o Kensho, retornamos ao adormecimento profundo na nossa mente, que em si forma o EGO. Já o Satori é usado para um estado de iluminação mais profundo e duradouro.(...)"


A minha primeira experiência "kensho" (pelo menos a primeira de que tenho memória) foi aos 6 anos. Estava a brincar com a minha prima Sara, então com poucos meses de idade, no quarto dos meus pais e algo extraordinário aconteceu: ao observá-la, tão pequenina e frágil, tão dependente dos meus cuidados, de repente percebi quão longe ia a profundidade dessa ligação e interdependência. Ela existia através de mim e eu existia através dela. Num instante parado no tempo eu fui transportada para dentro dela, vi o seu passado e o seu futuro e vi o meu passado e o meu futuro, vi todos os seres humanos e todos os seres vivos, senti todos os pensamentos e sentimentos, vi os planetas habitados e desabitados, vi o Universo todo ao mesmo tempo e não mais me consegui distinguir de tudo isso, não mais fui capaz de sentir que eu sou a Irina. A partir daquele instante eu passei a ser Tudo e essa sensação não mais me abandonou.
A emoção duma experiência tão intensa fez-me chorar e quando a minha mãe entrou no quarto, ficou intrigada por isso. Mas como podia eu explicar verdadeiramente o que se passava comigo? Não saberia usar as palavras certas e mesmo que soubesse, de qualquer maneira não seria compreendida. Disse-lhe então que tinha dor de barriga e ela fez tudo o que pôde para me tentar tirar a dor, com muito amor e carinho, mas a "dor" era mais profunda e não havia massagem que a fizesse desaparecer :)
Desde essa altura que tive outras experiências semelhantes e apesar de não conseguir manter essa expansão da Consciência por muito tempo, sinto que vivo o meu dia-a-dia nesse limiar, uns dias mais livre, outros dias mais presa às ilusões. O desafio está em ultrapassar esse limiar, que é semelhante a encontrar um canto numa sala redonda. Mas sinto que um dia não muito distante o conseguirei.

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