Wednesday, April 04, 2007

Impermanência

A Eva vai voltar para Espanha este sábado. Após 3 anos em Bruxelas decidiu que era tempo de regressar e não pensa voltar mais. Não que esteja farta de Bruxelas, ela adora esta cidade e foi com muito sofrimento que ela percorreu a meu lado alguns locais de Bruxelas que queria ver uma última vez.
Ela diz que se vai embora para fugir da vida em que aqui se enredou. Quer começar de novo e para isso tem que deixar para trás Bruxelas, pois já não consegue desligar a cidade da sua própria existência. Voltar a Espanha será para ela um renascimento.
Quando nos despedimos no metro, como se fosse apenas até um dia destes, eu não consegui evitar perguntar se nos voltaríamos a ver e ela disse que claro que sim, que havemos de nos cruzar em Paris ou em Nova Iorque. É remotamente provável que isso aconteça, mas honestamente eu senti que não. Já estamos suficientemente ligadas para que o adeus seja doloroso como um murro no estômago, mas não o suficiente para evitarmos que daqui a uns meses nos deixemos de escrever e nos esqueçamos uma da outra.
Daqui a quatro meses poderei estar no lugar dela, a querer memorizar cada detalhe de Bruxelas, a querer trazê-la para dentro de mim. Acompanhar a Eva neste último passeio pela cidade foi como que uma pré-experiência desse sentimento de perda. Por causa disso a cidade pareceu-me ainda mais viva. Parecia-me que estava a ver Bruxelas pela primeira vez e fiquei surpreendida com a quantidade de coisas que nunca tinha visto nas ruas por onde já passei tantas vezes.
Vou ter um fim-de-semana prolongado de 4 dias e tinha pensado viajar para fora de Bruxelas, mas agora decidi ficar na cidade, pois há ainda tanto dela que eu quero viver e absorver.
Já ando a sonhar com outros destinos, na Europa, na América, na Lua talvez. Daqui a quatro meses não sei se vou ou se fico ou se volto para casa. Mas sei que todas as despedidas são difíceis e que não interessa realmente o lugar para onde se vai, o que importa é aprender a não sofrer por aquilo que se teve que deixar para trás.

2 comments:

Anonymous said...

Irina...situações insuportáveis, grandes transformações em pessoas frágeis, na busca de mais força... voçê é um exemplo de força para sua amiga, isso eu sei...
Continue se aperfeiçoando, voçê faz parte dO grupo de pessoas que buscam a perfeição. Seu histórico é lindo seu trabalho está sendo definitivo para as mudanças de rumo do estilo de vida e consumo das pessoas comuns, uma gigantesca ajuda para os que estão junto com tigo se dedicando nesta causa. Voçê está em um nível de desenvolvimento pessoal tão elevado que se tornou em pessoa única, isso não é solidão...voçê não está só...amplie seus pençamentos em direção ao nosso grupo e permaneça assim, continue pençando como todos nós pençamos.

Anonymous said...

Quanto ao lugar... uma opção...bom que seja America do Sul (Brasil).