Tuesday, November 14, 2006

Música

Nos primeiros dias que ouvi rádio por aqui, não suportava ouvir canções em francês. Pareciam-me todas tão lamechas. Assim que começavam a tocar, mudava logo de estação. Mas aos poucos comecei a descobrir coisas interessantes e agora já cantarolo algumas chansons. Por exemplo, descobri esta menina - Olivia Ruiz - que tem umas cançõezinhas deliciosas e apaixonei-me assolapadamente pela Charlotte Gainsbourg. Há outras músicas porreiras em francês a passar na rádio, o problema é que raramente os locutores radiofónicos dizem quem é quem e eu fico sem saber o nome dos cantores ou grupos. Lá descobri a Olivia Ruiz, porque procurei pelo nome duma canção dela, que extrapolei a partir do refrão da canção - puro acaso, portanto.
Costumo ouvir a BXL La City Radio (Bê Ix Éle, Lá Cití Rádiôô!), que é uma espécie de Antena 3 belga, mas com mais bom gosto. Também há por cá a Radio Nostalgie, que é exactamente como a Rádio Nostalgia em Portugal - até o jingle da rádio é o mesmo (Nôôôs-tál-giiii!). Todos os dias em que não vou ao Friskis-Svettis, oiço a Radio Vibration ao fim da tarde, pois só passa música de dança e é por isso excelente para fazer exercício de forma divertida, dançando até cair pó lado ;)

Monday, November 13, 2006

Portuguesa ou assim-assim

O meu francês melhorou um pouco, já não tenho receio de ir ter com as pessoas e falar com elas se for necessário. Nos primeiros dias tinha de estudar bem as deixas e consultar o dicionário mil vezes antes de sair de casa para ter a certeza daquilo que ia dizer quando ia aos correios, ao cinema ou ao supermercado. Pelo menos isso já ultrapassei, mas ainda estou longe de conseguir ter grandes conversas em francês. Se for sobre algum tema em que esteja à vontade, como quando tive que explicar o meu trabalho no seminário EVS, consigo arranhar uma conversa, mas se tiver que pensar depressa para responder a alguma questão sobre um tema inesperado, geralmente bloqueio.
Para compensar, toda a gente acha que o meu inglês é perfeito. Enfim, está longe de ser perfeito, mas desenrasco-me. E ficam sempre surpreendidos quando sabem que é a primeira vez que estou a viver fora do meu país, porque parece que não é habitual alguém falar bem inglês ou francês quando nunca teve que o praticar diariamente num país estrangeiro. Mas já há anos que eu penso em inglês e por vezes até sonho em inglês. Devo ter falado inglês numa vida anterior... Para mim é tão mais natural falar inglês que agora quando tenho que falar português com alguém, soa-me a língua estrangeira.
No sábado conheci a Vanessa, uma portuguesa colega de apartamento da Sevelina. Falámos um bocado e às tantas dei por ela a olhar para mim com ar estranho e lá percebi que estava a responder-lhe em inglês e nem me estava a aperceber disso. Não tive nenhuma consciência de que o estava a fazer. Pedi-lhe muitas desculpas e ela acabou por achar piada. Uma outra portuguesa, a Fernanda, tem estado estes últimos dias a ajudar-nos com a candidatura a uns financiamentos e sempre que ela começa a falar português comigo eu não a entendo, porque não estou à espera de ouvir português e o meu cérebro demora algum tempo a desligar do modo inglês. Voltando ao sábado, um senhor que estava a pintar as paredes interiores do prédio da Sevelina, queria pendurar um quadro na parede da sala-de-jantar, mas nós estávamos a almoçar e, como eu disse, o meu francês ainda não me permite grandes argumentações, pelo que foi difícil chegarmos a acordo. Depois de termos acabado o almoço ele lá veio pendurar o quadro e ouviu-me falar portugês com a Vanessa. Então virou-se para mim com um ar quase escandalizado "Atão, mas tu também falas português!!?"
É costume por aqui as pessoas fazerem esforços incríveis para se entenderem em inglês ou francês para no fim chegarem à conclusão de que falam ambos português, espanhol ou alemão.
Outro dia um brasileiro passou por mim e atirou-me um piropo original, tipo "Ai que lindo passarinho!". Eu desatei-me a rir e ele ficou embaraçado, porque não devia estar à espera que eu o entendesse.
Se calhar devíamos passar a usar bandeirinhas do nosso país para os outros saberem de onde somos e evitavam-se muitas confusões e embaraços.
Curiosamente, há dias pela primeira vez, alguém me identificou imediatamente como sendo mediterrânica. Um homem no metro aproximou-se de mim, muito muito sorridente. Primeiro fitou-me algum tempo sem me dizer nada e eu troquei uns olhares com um belga ao meu lado que se mostrou solidário, pensando como eu que o homem era maluquinho. Mas por fim ele lá abriu a boca para me perguntar "Ah! Tu es itallienne!?", ao que eu respondi "Non...". "Espagnole?", "Non...", "Ah, je sais! Morocaine!!!". Eh eh eh, acabei por lhe achar piada e lá lhe disse que era "portugaise". Ele ficou com um ar satisfeito, pois parecia ter a certeza de que eu era algures do mediterrâneo.
Depois fiquei intrigada, a pensar no que teria ele visto em mim para ter esse pressentimento certeiro. Concerteza que não foi pela minha pele bronzeada... Mas não tive tempo para mais conversas porque o metro chegou, eu entrei e ele ficou para trás.

Wednesday, November 08, 2006

Viver mais saudável

Outra razão (além da falta de tempo), porque não tenho escrito tanto, é que desde o aumento do nosso grupo de trabalho, eu tenho usado o meu portátil no escritório para trabalhar (por questões orçamentais, só no fim deste mês vão comprar um computador novo para mim) e por isso nos meus tempos livres em casa não tenho o portátil disponível para escrever. Só posso escrever emails e blogs se vier mais cedo para o escritório ou ficar mais tarde depois do trabalho, mas geralmente não tenho muita disposição para isso.
Comecei a frequentar aulas de Jimpa - é ginástica como outra qualquer, mas com um nome muito mais cool - da Friskis Svettis, uma organização sueca que pretende que todos tenham acesso ao exercício físico de qualidade por pouco dinheiro. E de facto é bem baratinho: 85 euros por 5 meses ou 170 euros por 10 meses. Em muitos sítios isso é o que se paga por um ou dois meses. A Lena é "hostess" (não estou a ver qual a melhor tradução para a palavra) da Friskis-Svettis e convidou-me para participar. Fui um bocado desconfiada, porque a Jimpa é basicamente aeróbica e eu estou farta de aeróbica, mas há uma turma de Ki-Jimpa, dada por uma professora japonesa, que mistura movimentos de yoga, tai-chi e artes marciais em geral no meio da aeróbica e eu decidi experimentar para ver se era realmente diferente. Foi bastante divertido e não me custou por aí além, embora a Lena pensasse que eu ia ficar de rastos, porque a turma é de nível de dificuldade médio. Mas eu tenho feito ginástica em casa todos os dias de manhã e por isso não estava completamente enferrujada pelo que aguentei perfeitamente a aula e nada me doía no dia seguinte.
Este fim-de-semana conheci o Parc Wolluwe e o Parc du Cinquantenaire (por onde só tinha passado de fugida), fui ao Musée Royal d'Art et Histoire, participei na Global Action On Climate Change, conheci uma biblioteca pública perto da Place de la Monnaie e fui à Bioshop fazer umas comprinhas. No resto do tempo fartei-me de dormir - 12 horas de sábado para domingo e 11 horas de domingo para 2ª. Devia estar mesmo cansada!
Para terminar, quero só informar duma decisão que tomei para começar este mês (espero que para continuar, mas isso só depois de um balanço o saberei): comprar apenas produtos ecológicos e biológicos. os mercados de pechinchas são óptimos, mas decidi continuar a frequentá-los apenas para roupas e outros bens em 2ª mão, pois a comida, produtos de limpeza e cosmética são algo demasiado importante para serem de má qualidade e cheios de químicos. Já tinha esta ideia quando cá cheguei, mas comecei a pensar mais seriamente nisto quando ao dar restos de comida ao meu rato, ele se recusava sempre a comer a comida do mercado, até estar mesmo a morrer de fome obviamente, mas comia sempre com gosto os meus restos de comida biológica. Há estudos e relatos anedóticos sobre o instinto dos animais para a qualidade dos alimentos, mas é sempre mais marcante quando vemos com os nossos próprios olhos isso acontecer à nossa frente. Pensei "Se o rato se recusa a comer estes vegetais, porque haveriam de ser bons para mim?" Então tomei a decisão de tentar comer apenas biológico.
OK, sei o que vão pensar "És maluca, não tens dinheiro para isso! Sai muito caro!", mas eu só tomei esta decisão depois de comparar os preços dos alimentos ao longo de 2 meses e de ver que a diferença é suportável e que os benefícios para mim e para o mundo são incalculáveis. Claro que serei obrigada a comprar apenas o estritamente necessário - ou seja, o que realmente alimenta e não pizzas e lasanhas congeladas e sanduíches no fast-food - mas isso não é um ponto negativo, é apenas mais um ponto positivo a favor desta opção. Já passou uma semana em que só comi biológico (no fim do mês apresento a conta) e além de não ter sido muito caro, reparei que me alimentei muito melhor do que habitualmente já tento fazer, porque me esforcei muito mais para não comer "porcarias" em snacks e cafés. Se lá pelas 3 semanas vir que começo a não ter dinheiro para o resto do mês, que remédio senão ir ao mercado, mas eu estou convencidíssima que isso não irá acontecer e vou prová-lo a toda a gente.