Wednesday, August 27, 2008

Procrastinação estruturada

Hoje vou revelar um segredo àqueles que me vêem como a mulher dos sete ofícios, que conhece tudo e todos, que está metida em tudo e mais alguma coisa, que é um sucesso profissional, etc e tal. Wrong! O que eu sou verdadeiramente é uma procrastinadora estruturada.
Descobri este belo conceito e imediatamente me reconheci nele.


Meto-me em tudo e conheço tudo, porque passo horas a inventar actividades paralelas e a ler tudo o que é livros, revistas, blogs, etc, para fugir de forma airosa a qualquer outra coisa verdadeiramente importante que tenha para fazer.
Como por exemplo agora, que tenho que responder a uma entrevista que me foi requisitada, mas como não estou nada inspirada e o prazo apertado me está a pôr nervosa, comecei antes a pensar nisto de fugir ao trabalho e acabei a escrever no blog sobre o assunto.
O que acho fascinante neste conceito de procrastinador estruturado é a afirmação de que é possível fugir ao trabalho e ainda assim construir-se uma imagem de sucesso. Eu diria que sou uma prova viva disso. Basta saber escolher bem as actividades que se fazem para fugir ao trabalho, de modo a parecerem elas próprias um trabalho importante. Não há nada como preguiçar de forma inteligente e construir uma carreira a partir disso!
Mas o melhor mesmo é deixar de procrastinar. Aqui ficam umas dicas para quem quer combater esse mau hábito.

Monday, August 25, 2008

Entre um pézinho de dança e uma remadela

As minhas férias foram curtas mas enriquecedoras. Depois de tanta indecisão quanto aos festivais (vou? não vou?), lá acabei por - numa decisão de última hora - ir ao Festival Andanças com a Rita.
Confesso que o que pesou mais na minha decisão foi o facto de pelo menos para o Andanças eu ter companhia e a certeza de lá encontrar mais umas quantas caras conhecidas, enquanto que se tivesse ido ao Sudoeste sozinha ia acabar por ser invadida pela melancolia entre um concerto e outro, desperdiçando o gozo sentido pelo meio.
O Andanças é mesmo fixe. O ambiente é electrizante, as pessoas irradiam alegria, mesmo o mais tímido dá por si a suar em bica ao som de ritmos tribais africanos ou a dançar músicas belgas com um perfeito estranho que lhe surgiu pela frente, para depois dar por si numa roda a fazer dança do ventre.
Desconfio que vou passar a ser frequentadora habitual destas "andanças".



Logo de seguida passei uns diazinhos com o Pedro em Belver/Gavião, perto de Abrantes, e em Coutada, perto da Covilhã. Quanto à Coutada, nada a assinalar - terra de emigrantes, chalés kitsch em cada colina, língua oficial: frantuguês, paisagem totalmente degradada à base de plantações de eucalipto e pinheiro alternadas por áreas queimadas e desertificadas... Nem me dei ao trabalho de tirar fotos. Já a zona de Belver e Gavião vale bem a pena uma visitinha. Até canoagem fizémos.


Tuesday, July 22, 2008

Pastel Cultural de Belém

Para aí há duas semanas fui com a minha mãe ao CCB para o aniversário do Museu Colecção Berardo. Ainda não tinha lá ido e como anunciavam entrada gratuita e festa toda a noite achei que devia aproveitar. Mas afinal era golpe publicitário porque só me deixaram ver a primeira e a última sala do museu - trial-version com limitações...
Mesmo assim foi instrutivo porque, do pouco que vi, pude aperceber-me que, ao contrário das minhas expectativas - de que iria achar tudo demasiado "artístico" (meaning: sem pés nem cabeça, nem ponta por onde se lhe pegasse) - até apreciei grande parte das obras. Mesmo o bizarro espectáculo silencioso de dança moderna em câmara lenta que se repetia ad infinitnum numa das salas, me pareceu estranhamente hipnotizante.
Penso que tenho sido muito influenciada pelos quantos amigos artistas que fui arranjando neste último ano - estava a precisar duns e foram-me providenciados ;)
Graças a eles, começo a apreciar mais a arte, mesmo aquela que me parecia totalmente absurda e/ou ridícula. Mas atenção, ainda tenho os meus limites - guinchos de violino com ruídos electrónicos dum laptop (memória duma tarde de Verão no Bacalhoeiro) sai um bocado fora do meu conceito de música e nem todos os riscos pretos numa tela vazia conquistam o meu respeito.
Voltando ao CCB, o ambiente estava quente, havia boa música no ar, mas eu estava com a mãezinha e por isso não fiquei a curtir a night. Tirei umas quantas fotos (espero eu) artísticas e fui comer uns pastéis de Belém por volta da meia-noite. Não sou fã de Pastéis de Belém, mas estes souberam-me especialmente bem.