Finalmente arranjei um tempinho para repôr a ordem neste blog :) Desde que fiz upload dos vídeos da 10ª dimensão que se gerou aqui uma grande confusão.
Sinto-me novamente de rastos, tive dois fins-de-semana de 4 dias, mas ao invés de descansar, trabalhei e viajei até cair para o lado outra vez e por isso não tive tempo nem disposição para dar notícias.
Há 3 ou 4 quintas-feiras atrás fui com alguns bexpats ao Centre Culturel Bruegel onde todas as 5ª feiras tem lugar o bizarro evento que dá pelo nome de Coiffure Liliane. Comida vegetariana e biológica, cerveja biológica e música experimental, num espaço muito improvisado em que não se fuma!!! It's my kinda place! Os concertos acabam às 22h, para não se incomodar os vizinhos, o que permite que possamos ir trabalhar sem muito cansaço no dia seguinte e ao mesmo tempo possamos gabar-nos de que fomos a um concerto na noite anterior ;)
E neste fim-de-semana que passou fui a Londres. Pois é, não quis dizer a ninguém, era surpresa :) Fui na 5ª e voltei no domingo à noite. Fiquei em casa do meu amigo Stephen. Não fui apenas pelo passeio, fui por outras razões que poderei revelar mais tarde, mas aproveitei ao máximo o resto do tempo para me passear pela cidade.
Comecei mal a visita, pois o metro parou no túnel, antes de chegar à estação onde era suposto eu sair, devido a um alerta de segurança. Resultado: de seguida passámos bem rapidinho e sem parar pela estação, cujos alarmes soavam estridentemente por entre alertas de evacuação da estação. Saímos na estação seguinte e eu tive que caminhar de volta, pelo que acabei por passar em frente à dita estação e pude perceber melhor o que se passava. Alguns muçulmanos distribuíam panfletos comparando os ingleses cheios de pecado e falsos ídolos aos muçulmanos cheios de virtude e adoradores do único e verdadeiro deus. Foi uma má primeira impressão do que me esperava em Londres, mas o Stephen desdramatizou dizendo apenas "Ah, pois, nesta zona há muitos muçulmanos", como se isso justificasse o que quer que fosse. Depois disso fui a um mercado comprar alguma comida e quando voltei estavam dois carros de bombeiros a combater um incêndio no prédio ao lado da casa do Stephen. Mais uma vez ele estava numa calma que raiava a total indiferença. Não sei se é um traço dos ingleses, mas têm fama disso... Talvez seja por isso que são o povo ideal para ser submetido ao controlo do Big Brother.
O CCTV (closed circuit television) tem olhos em cada esquina, loja, estação de metro, autocarro. Desconfio que mesmo nas casas-de-banho deve haver uma câmara escondida algures para controlarem quem é que se esquece de puxar o autoclismo.
É incrível ver como o estado policial se instalou e as pessoas ou nem dão por isso ou não se importam nem um bocadinho. A única diferença relativamente ao 1984 do George Orwell é na escala, mas eu creio que é uma questão de tempo até esse "problema" ser resolvido, pois é muito claro que a lavagem cerebral está a ser muito bem feita. Em cada loja as pessoas colocam placas de aviso aos ladrões, de que não vale a pena sequer tentarem assaltá-la, pois a loja está protegida pelo grande irmão CCTV. Em cada banca de jornais cartazes com os títulos dos jornais alternam entre "Criancinha de 8 anos vítima de torturas sexuais horríveis" até "Vêm aí as câmaras de alta velocidade!" (que vão pôr fim a estes crimes bárbaros, obviamente...). Nas estações de metro ouvem-se constantes apelos através dos altifalantes a que se esteja atento e se denuncie algo ou alguém suspeito. Em cada revista e jornal encontram-se artigos reverenciando o CCTV, como ele reduz o crime e protege as pessoas dos maiores horrores imagináveis. Alguém ousava num pequeno artigo desdramatizar a situação, mostrando que a taxa de crimes antes do CCTV era de facto relativamente pequena e que não se justificava tanta "segurança" por causa de meia dúzia de carteiristas e que o problema do terrorismo se resolve evitando-se as suas causas e não vigiando os cidadãos. Mas quem é que quer saber disso? A Nova Ordem Mundial vem aí mas ninguém quer saber dessas fantasias conspiracionistas. God save the CCTV!
Já estava a ficar um pouco deprimida com Londres e decidi esquecer estas questões por alguns dias e divertir-me como qualquer pessoa normal. Passeei no Hide Park, saltitei do Big Ben para a Westminster Abbey, do Millenium Eye para o Picadilly Circus, do cinema Odeon na Leicester Square para a exposição Star Wars no County Hall :)
Fui a uma festa no apartamento não sei de quem, seguindo as indicações do Stephen que disse que iria lá estar por volta das 20h e aonde só apareceu depois das 23h. Foi uma experiência enriquecedora, apesar de eu não ter conseguido desenvolver nenhuma conversa de jeito, pois já estavam todos bêbados quando lá cheguei. Nunca tinha experimentado "crashar" uma festa e acabar por comer uns snacks, beber uns sumos, esticar-me um pouco nos sofás e falar com uma dúzia de perfeitos desconhecidos que não fazem ideia quem eu sou e o que estou ali a fazer. É sem dúvida uma experiência memorável, de tão absurda. Acabei por deixar a festa antes mesmo do Stephen chegar, que aquilo já estava a ficar chato e eu tinha que descansar para poder caminhar durante todo o dia seguinte.
No domingo o Stephen mostrou-me o melhor de tudo! De manhã fomos a um mercado de rua, conheci lojas obscuras de segunda mão e uma feira da ladra num armazém bafiento. Depois fomos beber um café num bar estranho com ar de cantina, com deliciosos cupcakes e bagels, que escondia dois outros níveis de submundo. Eu nem desconfiava que por trás daquele ar acolhedor de café matinal, se escondia uma sala lounge decadente no segundo piso, com sofás cheios de pessoal a dormir, a petiscarem-se mutuamente, a fumarem todo o tipo de coisas e ainda uma discoteca totalmente undergroung por trás duma porta insuspeita, onde as pessoas dançavam entusiasticamente um trance psicadélico às 11h da manhã dum domingo! Nunca tinha visto semelhante coisa e fiquei fascinada. Estava a decorrer um festival e a música tocava ininterruptamente desde as 9 da manhã de sábado até à meia-noite de domingo! Se eu tivesse sabido antes, teria lá ficado o tempo todo e nem via Londres!)
By the way, o sítio era o Café 1001. Ainda hei-de lá voltar. Era mesmo de doidos.
Notícias fresquinhas:
'Talking' CCTV cameras for city - em Greater Manchester instalaram câmeras com altifalantes que lançam avisos às pessoas em caso de terem um comportamento anti-social.
Orwell rolls in his grave - Câmeras com raios-X, tecnologia de leitura de lábios, microfones ultra-sensíveis, câmeras autónomas voadoras... Não, não é ficção científica, são as próximas engenhocas a entrarem em acção nas ruas das terras de Sua Majestdade.
Sinto-me novamente de rastos, tive dois fins-de-semana de 4 dias, mas ao invés de descansar, trabalhei e viajei até cair para o lado outra vez e por isso não tive tempo nem disposição para dar notícias.
Há 3 ou 4 quintas-feiras atrás fui com alguns bexpats ao Centre Culturel Bruegel onde todas as 5ª feiras tem lugar o bizarro evento que dá pelo nome de Coiffure Liliane. Comida vegetariana e biológica, cerveja biológica e música experimental, num espaço muito improvisado em que não se fuma!!! It's my kinda place! Os concertos acabam às 22h, para não se incomodar os vizinhos, o que permite que possamos ir trabalhar sem muito cansaço no dia seguinte e ao mesmo tempo possamos gabar-nos de que fomos a um concerto na noite anterior ;)
E neste fim-de-semana que passou fui a Londres. Pois é, não quis dizer a ninguém, era surpresa :) Fui na 5ª e voltei no domingo à noite. Fiquei em casa do meu amigo Stephen. Não fui apenas pelo passeio, fui por outras razões que poderei revelar mais tarde, mas aproveitei ao máximo o resto do tempo para me passear pela cidade.
Comecei mal a visita, pois o metro parou no túnel, antes de chegar à estação onde era suposto eu sair, devido a um alerta de segurança. Resultado: de seguida passámos bem rapidinho e sem parar pela estação, cujos alarmes soavam estridentemente por entre alertas de evacuação da estação. Saímos na estação seguinte e eu tive que caminhar de volta, pelo que acabei por passar em frente à dita estação e pude perceber melhor o que se passava. Alguns muçulmanos distribuíam panfletos comparando os ingleses cheios de pecado e falsos ídolos aos muçulmanos cheios de virtude e adoradores do único e verdadeiro deus. Foi uma má primeira impressão do que me esperava em Londres, mas o Stephen desdramatizou dizendo apenas "Ah, pois, nesta zona há muitos muçulmanos", como se isso justificasse o que quer que fosse. Depois disso fui a um mercado comprar alguma comida e quando voltei estavam dois carros de bombeiros a combater um incêndio no prédio ao lado da casa do Stephen. Mais uma vez ele estava numa calma que raiava a total indiferença. Não sei se é um traço dos ingleses, mas têm fama disso... Talvez seja por isso que são o povo ideal para ser submetido ao controlo do Big Brother.
O CCTV (closed circuit television) tem olhos em cada esquina, loja, estação de metro, autocarro. Desconfio que mesmo nas casas-de-banho deve haver uma câmara escondida algures para controlarem quem é que se esquece de puxar o autoclismo.
É incrível ver como o estado policial se instalou e as pessoas ou nem dão por isso ou não se importam nem um bocadinho. A única diferença relativamente ao 1984 do George Orwell é na escala, mas eu creio que é uma questão de tempo até esse "problema" ser resolvido, pois é muito claro que a lavagem cerebral está a ser muito bem feita. Em cada loja as pessoas colocam placas de aviso aos ladrões, de que não vale a pena sequer tentarem assaltá-la, pois a loja está protegida pelo grande irmão CCTV. Em cada banca de jornais cartazes com os títulos dos jornais alternam entre "Criancinha de 8 anos vítima de torturas sexuais horríveis" até "Vêm aí as câmaras de alta velocidade!" (que vão pôr fim a estes crimes bárbaros, obviamente...). Nas estações de metro ouvem-se constantes apelos através dos altifalantes a que se esteja atento e se denuncie algo ou alguém suspeito. Em cada revista e jornal encontram-se artigos reverenciando o CCTV, como ele reduz o crime e protege as pessoas dos maiores horrores imagináveis. Alguém ousava num pequeno artigo desdramatizar a situação, mostrando que a taxa de crimes antes do CCTV era de facto relativamente pequena e que não se justificava tanta "segurança" por causa de meia dúzia de carteiristas e que o problema do terrorismo se resolve evitando-se as suas causas e não vigiando os cidadãos. Mas quem é que quer saber disso? A Nova Ordem Mundial vem aí mas ninguém quer saber dessas fantasias conspiracionistas. God save the CCTV!
Já estava a ficar um pouco deprimida com Londres e decidi esquecer estas questões por alguns dias e divertir-me como qualquer pessoa normal. Passeei no Hide Park, saltitei do Big Ben para a Westminster Abbey, do Millenium Eye para o Picadilly Circus, do cinema Odeon na Leicester Square para a exposição Star Wars no County Hall :)
Fui a uma festa no apartamento não sei de quem, seguindo as indicações do Stephen que disse que iria lá estar por volta das 20h e aonde só apareceu depois das 23h. Foi uma experiência enriquecedora, apesar de eu não ter conseguido desenvolver nenhuma conversa de jeito, pois já estavam todos bêbados quando lá cheguei. Nunca tinha experimentado "crashar" uma festa e acabar por comer uns snacks, beber uns sumos, esticar-me um pouco nos sofás e falar com uma dúzia de perfeitos desconhecidos que não fazem ideia quem eu sou e o que estou ali a fazer. É sem dúvida uma experiência memorável, de tão absurda. Acabei por deixar a festa antes mesmo do Stephen chegar, que aquilo já estava a ficar chato e eu tinha que descansar para poder caminhar durante todo o dia seguinte.
No domingo o Stephen mostrou-me o melhor de tudo! De manhã fomos a um mercado de rua, conheci lojas obscuras de segunda mão e uma feira da ladra num armazém bafiento. Depois fomos beber um café num bar estranho com ar de cantina, com deliciosos cupcakes e bagels, que escondia dois outros níveis de submundo. Eu nem desconfiava que por trás daquele ar acolhedor de café matinal, se escondia uma sala lounge decadente no segundo piso, com sofás cheios de pessoal a dormir, a petiscarem-se mutuamente, a fumarem todo o tipo de coisas e ainda uma discoteca totalmente undergroung por trás duma porta insuspeita, onde as pessoas dançavam entusiasticamente um trance psicadélico às 11h da manhã dum domingo! Nunca tinha visto semelhante coisa e fiquei fascinada. Estava a decorrer um festival e a música tocava ininterruptamente desde as 9 da manhã de sábado até à meia-noite de domingo! Se eu tivesse sabido antes, teria lá ficado o tempo todo e nem via Londres!)
By the way, o sítio era o Café 1001. Ainda hei-de lá voltar. Era mesmo de doidos.
Notícias fresquinhas:
'Talking' CCTV cameras for city - em Greater Manchester instalaram câmeras com altifalantes que lançam avisos às pessoas em caso de terem um comportamento anti-social.
Orwell rolls in his grave - Câmeras com raios-X, tecnologia de leitura de lábios, microfones ultra-sensíveis, câmeras autónomas voadoras... Não, não é ficção científica, são as próximas engenhocas a entrarem em acção nas ruas das terras de Sua Majestdade.

