Thursday, May 31, 2007

God save the CCTV

Finalmente arranjei um tempinho para repôr a ordem neste blog :) Desde que fiz upload dos vídeos da 10ª dimensão que se gerou aqui uma grande confusão.
Sinto-me novamente de rastos, tive dois fins-de-semana de 4 dias, mas ao invés de descansar, trabalhei e viajei até cair para o lado outra vez e por isso não tive tempo nem disposição para dar notícias.
Há 3 ou 4 quintas-feiras atrás fui com alguns bexpats ao Centre Culturel Bruegel onde todas as 5ª feiras tem lugar o bizarro evento que dá pelo nome de Coiffure Liliane. Comida vegetariana e biológica, cerveja biológica e música experimental, num espaço muito improvisado em que não se fuma!!! It's my kinda place! Os concertos acabam às 22h, para não se incomodar os vizinhos, o que permite que possamos ir trabalhar sem muito cansaço no dia seguinte e ao mesmo tempo possamos gabar-nos de que fomos a um concerto na noite anterior ;)
E neste fim-de-semana que passou fui a Londres. Pois é, não quis dizer a ninguém, era surpresa :) Fui na 5ª e voltei no domingo à noite. Fiquei em casa do meu amigo Stephen. Não fui apenas pelo passeio, fui por outras razões que poderei revelar mais tarde, mas aproveitei ao máximo o resto do tempo para me passear pela cidade.
Comecei mal a visita, pois o metro parou no túnel, antes de chegar à estação onde era suposto eu sair, devido a um alerta de segurança. Resultado: de seguida passámos bem rapidinho e sem parar pela estação, cujos alarmes soavam estridentemente por entre alertas de evacuação da estação. Saímos na estação seguinte e eu tive que caminhar de volta, pelo que acabei por passar em frente à dita estação e pude perceber melhor o que se passava. Alguns muçulmanos distribuíam panfletos comparando os ingleses cheios de pecado e falsos ídolos aos muçulmanos cheios de virtude e adoradores do único e verdadeiro deus. Foi uma má primeira impressão do que me esperava em Londres, mas o Stephen desdramatizou dizendo apenas "Ah, pois, nesta zona há muitos muçulmanos", como se isso justificasse o que quer que fosse. Depois disso fui a um mercado comprar alguma comida e quando voltei estavam dois carros de bombeiros a combater um incêndio no prédio ao lado da casa do Stephen. Mais uma vez ele estava numa calma que raiava a total indiferença. Não sei se é um traço dos ingleses, mas têm fama disso... Talvez seja por isso que são o povo ideal para ser submetido ao controlo do Big Brother.
O CCTV (closed circuit television) tem olhos em cada esquina, loja, estação de metro, autocarro. Desconfio que mesmo nas casas-de-banho deve haver uma câmara escondida algures para controlarem quem é que se esquece de puxar o autoclismo.
É incrível ver como o estado policial se instalou e as pessoas ou nem dão por isso ou não se importam nem um bocadinho. A única diferença relativamente ao 1984 do George Orwell é na escala, mas eu creio que é uma questão de tempo até esse "problema" ser resolvido, pois é muito claro que a lavagem cerebral está a ser muito bem feita. Em cada loja as pessoas colocam placas de aviso aos ladrões, de que não vale a pena sequer tentarem assaltá-la, pois a loja está protegida pelo grande irmão CCTV. Em cada banca de jornais cartazes com os títulos dos jornais alternam entre "Criancinha de 8 anos vítima de torturas sexuais horríveis" até "Vêm aí as câmaras de alta velocidade!" (que vão pôr fim a estes crimes bárbaros, obviamente...). Nas estações de metro ouvem-se constantes apelos através dos altifalantes a que se esteja atento e se denuncie algo ou alguém suspeito. Em cada revista e jornal encontram-se artigos reverenciando o CCTV, como ele reduz o crime e protege as pessoas dos maiores horrores imagináveis. Alguém ousava num pequeno artigo desdramatizar a situação, mostrando que a taxa de crimes antes do CCTV era de facto relativamente pequena e que não se justificava tanta "segurança" por causa de meia dúzia de carteiristas e que o problema do terrorismo se resolve evitando-se as suas causas e não vigiando os cidadãos. Mas quem é que quer saber disso? A Nova Ordem Mundial vem aí mas ninguém quer saber dessas fantasias conspiracionistas. God save the CCTV!
Já estava a ficar um pouco deprimida com Londres e decidi esquecer estas questões por alguns dias e divertir-me como qualquer pessoa normal. Passeei no Hide Park, saltitei do Big Ben para a Westminster Abbey, do Millenium Eye para o Picadilly Circus, do cinema Odeon na Leicester Square para a exposição Star Wars no County Hall :)
Fui a uma festa no apartamento não sei de quem, seguindo as indicações do Stephen que disse que iria lá estar por volta das 20h e aonde só apareceu depois das 23h. Foi uma experiência enriquecedora, apesar de eu não ter conseguido desenvolver nenhuma conversa de jeito, pois já estavam todos bêbados quando lá cheguei. Nunca tinha experimentado "crashar" uma festa e acabar por comer uns snacks, beber uns sumos, esticar-me um pouco nos sofás e falar com uma dúzia de perfeitos desconhecidos que não fazem ideia quem eu sou e o que estou ali a fazer. É sem dúvida uma experiência memorável, de tão absurda. Acabei por deixar a festa antes mesmo do Stephen chegar, que aquilo já estava a ficar chato e eu tinha que descansar para poder caminhar durante todo o dia seguinte.
No domingo o Stephen mostrou-me o melhor de tudo! De manhã fomos a um mercado de rua, conheci lojas obscuras de segunda mão e uma feira da ladra num armazém bafiento. Depois fomos beber um café num bar estranho com ar de cantina, com deliciosos cupcakes e bagels, que escondia dois outros níveis de submundo. Eu nem desconfiava que por trás daquele ar acolhedor de café matinal, se escondia uma sala lounge decadente no segundo piso, com sofás cheios de pessoal a dormir, a petiscarem-se mutuamente, a fumarem todo o tipo de coisas e ainda uma discoteca totalmente undergroung por trás duma porta insuspeita, onde as pessoas dançavam entusiasticamente um trance psicadélico às 11h da manhã dum domingo! Nunca tinha visto semelhante coisa e fiquei fascinada. Estava a decorrer um festival e a música tocava ininterruptamente desde as 9 da manhã de sábado até à meia-noite de domingo! Se eu tivesse sabido antes, teria lá ficado o tempo todo e nem via Londres!)
By the way, o sítio era o Café 1001. Ainda hei-de lá voltar. Era mesmo de doidos.

Notícias fresquinhas:
'Talking' CCTV cameras for city - em Greater Manchester instalaram câmeras com altifalantes que lançam avisos às pessoas em caso de terem um comportamento anti-social.

Orwell rolls in his grave - Câmeras com raios-X, tecnologia de leitura de lábios, microfones ultra-sensíveis, câmeras autónomas voadoras... Não, não é ficção científica, são as próximas engenhocas a entrarem em acção nas ruas das terras de Sua Majestdade.

Thursday, May 10, 2007

Wageningen

Pois é, não fui a Amesterdão como tinha dito, mas no sábado seguinte (logo, passado) fui a Wageningen. O Damien tinha que lá ir despedir-se duns amigos, antes de voltar para França e depois partir para a Turquia, e convidou-me, à Sevelina e à Mari - para irmos com ele.
A Universidade de Wageningen é a principal atracção, mas neste sábado havia algo mais com que nos entretermos.
A cidade estava mergulhada na comemoração do Dia da Libertação, uma festa de arromba que se estende literalmente por todas as ruas da cidade.
Parece que o fim da 2ª Guerra Mundial teve lugar nesta cidade a 5 de Maio de 1945. Por isso organizam por lá um desfile com pessoal trajado a rigor, jipes a condizer, veteranos hiper-medalhados e B52s a cruzar os ares, com aquele roncar de motores fascinante que nos transporta para os filmes de época.
Foi uma sensação estranha, observar aquele desfile. Havia no ar um sentimento contagiante de entusiasmo pela guerra, que sentimos que se propagava até a nós e o qual comentámos com algum desconforto.
Além do desfile, vimos toda a cidade e passeámos pelo incrivelmente bonito arboretum, conheci as famosas torres residenciais universitárias de Wageningen, dançámos até cair para o lado (bem, pelo menos eu dancei) e aproveitámos o lindo dia de sol e passámos também alguns bons momentos deitadinhos nos inúmeros relvados à beira rio. Soube-me a um dia no paraíso.
O Pedro perguntou-me se aproveitei o facto de estar na Holanda (perdão, nos Países Baixos, que Holanda é apenas uma região deste país) para fumar umas coisas... Como sempre, nem tal coisa me passou pela cabeça. Eu bem queria, juro que queria! Mas sou tão santinha que essas coisas nem me ocorrem. A certa altura eles foram todos para a tenda da shisha e dos narguilés e perguntaram-me se eu também queria ir, mas não vi qual era o interesse de ir com eles quando estava um DJ no palco a dar um show fabuloso. Então fiquei a dançar, debaixo das árvores e do sol radiante e no final penso que alcancei um estado de transe psicadélico bem mais intenso que algum deles experienciou fumando umas coisas.
Já tenho planos para voltar aos Países Baixos outras duas vezes, incluindo uma passagem por Amesterdão, pelo que irei ter oportunidade de aprofundar mais a minha impressão deste país que tem nome de vários países.
Por enquanto posso adiantar que os holandeses têm bom gosto para a música, sabem fazer festas de arromba que arrombam mesmo, pareceram-me todos muito parecidos (desculpem o pleonasmo, mas até parece que vestem todos a mesma roupa) e são ainda mais obcecados e perfeccionistas com os seus jardins que os belgas.

Wednesday, April 25, 2007

Home is where the heart is...


...or heart is where the home is?