Na 6ª feira à noite jantei em casa da Lena e aproveitámos para discutir os meus primeiros 6 meses de EVS. Chegámos a muitas conclusões interessantes que irão constar dum relatório que estamos a escrever, mas o mais interessante foi aquilo que ela me disse sobre as expectativas iniciais que ela e o Marco tinham de mim.
Ela disse que literalmente não esperavam muito de mim. Enfim, tive que me rir, porque afinal escolheram-me de entre dezenas de candidatos e mesmo assim não estavam muito convencidos das minhas capacidades. Ela explicou-me que não só eu superei as expectativas em termos intelecto-profissionais (também não era preciso muito... considerando o nível de expectativa) como superei as expectativas em termos de resistência psicológica e emocional. Estavam ambos convencidos que ao fim do primeiro mês eu quereria desistir ou pelo menos precisaria de apoio psicológico para me aguentar por cá mais tempo.
Fiquei tão surpeendida com isso que perguntei porquê. Ela disse-me que nos primeiros 6 meses em Bruxelas ela não conseguiu arranjar amigos, estava sempre enfiada no quarto a chorar, que odiava tudo e queria voltar para casa e que partindo do pressuposto que eu era mais nova, que nunca tinha saído do país, que nunca tinha estado longe da família por tanto tempo, que vinha fazer algo que nunca fiz na vida e que tinha que aprender a falar outra língua (além de ser portuguesinha e vir dum "país de 3º mundo" para uma "metrópole europeia") só poderiam esperar que eu desatasse a chorar e a chamar pela mamã.
Mas eu já estou habituada a ser menosprezada. As pessoas baseiam-se nas aparências e nas suas próprias vivências e não imaginam nem sonham o que se esconde debaixo daquilo que projetam em mim. Tão calada, tão sossegada, nunca foi a lado nenhum, não tem ambições, não deve saber nada da vida, deve ser tão ingénua, não se irá safar lá fora no mundo...
Tempos idos eu costumava dizer que tinha a experiência de mil vidas dentro de mim e o meu paizinho ficava imensamente chateado quando ao querer ensinar-me sobre as pessoas e o mundo eu alegava sempre que já sabia tudo isso e mais. Ele achava que eu estava a ser arrogante, mas eu não estava apenas a teimar, eu sabia mesmo. Hoje continuo certa daquilo que eu afirmava.
Ela disse que literalmente não esperavam muito de mim. Enfim, tive que me rir, porque afinal escolheram-me de entre dezenas de candidatos e mesmo assim não estavam muito convencidos das minhas capacidades. Ela explicou-me que não só eu superei as expectativas em termos intelecto-profissionais (também não era preciso muito... considerando o nível de expectativa) como superei as expectativas em termos de resistência psicológica e emocional. Estavam ambos convencidos que ao fim do primeiro mês eu quereria desistir ou pelo menos precisaria de apoio psicológico para me aguentar por cá mais tempo.
Fiquei tão surpeendida com isso que perguntei porquê. Ela disse-me que nos primeiros 6 meses em Bruxelas ela não conseguiu arranjar amigos, estava sempre enfiada no quarto a chorar, que odiava tudo e queria voltar para casa e que partindo do pressuposto que eu era mais nova, que nunca tinha saído do país, que nunca tinha estado longe da família por tanto tempo, que vinha fazer algo que nunca fiz na vida e que tinha que aprender a falar outra língua (além de ser portuguesinha e vir dum "país de 3º mundo" para uma "metrópole europeia") só poderiam esperar que eu desatasse a chorar e a chamar pela mamã.
Mas eu já estou habituada a ser menosprezada. As pessoas baseiam-se nas aparências e nas suas próprias vivências e não imaginam nem sonham o que se esconde debaixo daquilo que projetam em mim. Tão calada, tão sossegada, nunca foi a lado nenhum, não tem ambições, não deve saber nada da vida, deve ser tão ingénua, não se irá safar lá fora no mundo...
Tempos idos eu costumava dizer que tinha a experiência de mil vidas dentro de mim e o meu paizinho ficava imensamente chateado quando ao querer ensinar-me sobre as pessoas e o mundo eu alegava sempre que já sabia tudo isso e mais. Ele achava que eu estava a ser arrogante, mas eu não estava apenas a teimar, eu sabia mesmo. Hoje continuo certa daquilo que eu afirmava.


1 comment:
Voçê... é como uma índia que vê o mundo civilizado e acha maneiras de voar em pensamentos de vida. Essa é a forma e o caminho de te ver, de te encontrar, e de ter-te por dentro dos pençamentos também de vida...
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