Thursday, October 02, 2008

I'm going deeper underground

Tenho estado ocupada. Entre a natação, curso de alemão e agora dança oriental, lá vou trabalhando e tentando estar a par do que acontece no mundo. Uma vez que dificilmente consigo fazer tudo o que quero - desenhar, escrever, meditar mais, ler mais, desenvolver projectos megalómanos para salvar o ser humano de si próprio - tomei a decisão de cortar nas coisas que além de consumirem o meu tempo precioso, contribuem para a minha alienação do "mundo real", ao mesmo tempo que me expõem demasiado a ele.
Falo da minha participação na web. Facebooks, hi5s, last.fms, iReads, iGoogles, Yahoos, Flixters,... chega! Vou manter apenas o útil e indispensável à comunicação com amigos distantes e o resto vai às urtigas. Estou farta de voluntariamente esparramar informação pessoal na internet.
Há dias um homem comentava num fórum que o Google sabe mais sobre ele do que a sua própria mulher alguma vez saberá. E eu senti o mesmo: não tenho nenhum amigo ou familiar que me conheça tão bem como a internet me conhece. A internet sabe a história da minha vida, que filmes vejo, que música ouço, que personalidade tenho, em que causas me envolvo, as minhas opiniões sobre tudo e sobre nada... Quase tenho inveja das pessoas sobre as quais o Google encontra "0 resultados". É como se não existissem, deveriam sentir-se tão livres!
Até aqui tive algum gozo em experimentar as redes sociais e as milhentas ferramentas online que hoje existem para o nosso entretenimento, mas não só começo a sentir que perco demasiado tempo com isto, como atingi o meu limite de aceitação da exposição pública. Além dos malefícios óbvios, a exposição também tem o inconveniente de alimentar o meu ego, algo no qual não quero de forma alguma investir o meu tempo.
Um amigo entendido nas artes da internet descobriu que a maior fatia de tráfego que vai parar ao site dele é reencaminhado a partir dum link num dos meu blogs e após mais alguma pesquisa sobre as origens dessas pessoas concluiu que muitas vão ter aos meus blogs googlando pelo meu nome. Diz ele com um sorriso sarcástico que isso não é muito comum e que tudo indica que eu sou famosa.
Até agora foi útil estar disponível para ser encontrada e fiz uns quantos amigos novos por causa dos blogs e redes sociais, mas acho que as desvantagens superam as vantagens. É giro ouvir constantemente "Ah, tu é que és a Irina!" quando conheço alguém que já "ouviu falar de mim" na net, mas eu não quero ser "célebre", quero apenas paz de espírito e o amor dos amigos que me foram conhecendo aos poucos, em carne e osso e olhos nos olhos.

No comments: