Depois de ter dado água e comida ao rato e de ele ter explorado os 4 cantos à casa, escondeu-se atrás dos móveislá ficou durante 2 dias. Entretanto preparei uma caixa de cartão para lhe servir de casa e quando percebi que ele não se deixaria apanhar tão facilmente como quando estava mais para lá do que para cá, decidi construir uma ratoeira.
Depois de muitas ideias impraticáveis, lá descobri que poderia fazer uma ratoeira eficaz a partir do meu caixote do lixo. Após algumas desconfianças iniciais, o rato lá entrou no caixote e ficou aprisionado. Julguei que não conseguiria manter um rato numa caixa de cartão por muito tempo, mas estranhamente, desde que ele percebeu que foi apanhado, deu-se por vencido e nunca tentou sequer roer a caixa.
No sábado passado passei por uma loja de artigos em 2ª mão, na esperança de encontrar alguma gaiola, mas nada. Vou tentar noutra e depois talvez nas feiras.
Entretanto a minha exploração de Bruxelas continuoou.
No sábado à tarde fui ao Festival India no Palais des Beaux-Arts, tal como tinha prometido. A Mari apareceu com mais duas das nossas colegas de EVS, mas acho que elas não gostaram muito do festival, porque se foram embora passado pouco tempo. Eu tinha avisado que era um festival só para apreciadores de música indiana, porque não é uma música que entre logo no ouvido. É preciso abrirmo-nos completamente a ela para a deixar entranhar-se e então é pura magia, sentimos um arrepio na espinha e somos transportados para um outro mundo.
Drums from Bengal foi uma batucada de tal forma hipnótica e alucinante que um africano de fato e gravata que estava entre o público sentado no chão, levantou-se e começou a dançar freneticamente como se fosse um xamã em transe numa aldeia remota da savana. Os músicos Dagar tocaram o estilo de música mais antiga da Índia - um ritmo completamente diferente, etéreo e místico - que me fez recordar a Índia, não só como se já lá tivesse estado, mas como se lá tivesse raízes profundas.
Arrepender-me-ei sempre de não ter ficado para os espectáculos da noite, mas o bilhete custava 25 euros (ao contrário dos concertos de abertura, que foram gratuitos) e eu decidi não ficar. Mas tenho a certeza de que teria sido uma noite inesquecível: Talvin Singh, State of Bengal, entre outros. Música electrónica e muito Drum'n'Bass misturados com música indiana.
Vagueei um pouco ao acaso pelas ruas, para conhecer melhor a zona do Palais de Beaux-Arts e acabei por encontrar a festa de encerramento da Semaine du Commerce Equitable (Semana do Comércio Justo). Estavam lá os "alternativos" todos a dançar animadamente e barraquinhas vendiam paparoca e bedidas deliciosas de comércio justo. Voltei a encontrar a Mari - sempre é verdade que facilmente tropeçamos em pessoas conhecidas em Bruxelas! - e ela convidou-me para irmos a um Centro Comercial (nada mais adequado quando se sai duma festa que defende um comércio mais justo, lol). Eu aceitei, porque ainda não tinha tido oportunidade de viver o ambiente da baixa bruxelense. Compras feitas e conversa em dia, ela decidiu ir para casa, mas eu ainda fui até ao Jardim Botânico, onde está a decorrer um festival de cinema da ATTAC, ver o filme "The Constant Gardener".
Gostava de poder ver os filmes todos do festival, mas durante a semana tem sido muito difícil conciliar o trabalho com outras actividades, porque o trabalho prolonga-se sempre para lá da hora programada ou porque eu fico tão cansada que só quero ir para casa.
Mas a 3ª feira foi uma excepção: apesar de ter sido o meu dia mais atarefado, ainda tive tempo e disposição para sair à noite. Tinha prometido à Eva acompanhá-la a um bar em Ste. Catherine, onde iria acontecer algo organizado pela namorada dum colega dela. Fiz-lhe a vontade a pensar que seria horrível - gente a beber cerveja, a fumar que nem chaminés e a berrar no meio de muito barulho - mas afinal encontrei exactamente o oposto: uma sala silenciosa, meia dúzia de "meninos bem comportados" e jogos de tabuleiro nas mesas. Ainda fiquei mais aterrorizada: "Socorro, é um convívio de totós!!!!" lol
OK, de certa forma era, mas não tão mau como imaginei de início. O jogo nas mesas era o New Amigos, uma espécie de Trivial Pursuit desenhado especificamente para melhorar o nosso conhecimento de línguas. Todas as 3ª feiras, em várias cidades da Europa (Paris, Berlim, Oslo, Bruxelas, entre outras) decorrem estes jogos do New Amigos. Os participantes escolhem a língua que querem aprender/melhorar e jogam com outras pessoas interessadas na mesma língua. Como resultado acabam por fazer novos amigos, enquanto aprendem alguma coisa útil.
No final da noite (ficámos até às 23h) concluí que tinha sido bastante divertido e que a ideia era excelente. Como companheiras de jogo (além da Eva) tive 3 raparigas, uma chinesa, uma peruviana e uma húngara, todas biólogas(!) a fazerem mestrado aqui em Bruxelas. Mais uma coincidência. Combinámos voltar a encontrar-nos por lá na semana que vem.
A Lena disse-me que quando cá cheguei ela sentia alguma preocupação por eventualmente eu me poder sentir só e aborrecida, mas que entretanto já deixou de se preocupar com a minha vida social, que parece estar a andar a 100 à hora e não precisar de nenhum empurrãozinho. Na verdade, já tenho tanta fama de ser uma agenda cultural ambulante (e páginas amarelas também) que sempre que alguém não sabe onde ir e o que fazer, pergunta-me o que é que está a acontecer em Bruxelas (e também onde pode ir comprar roupa barata, cortar o cabelo, etc). Ao fim de uma semana por cá eu já estava a dar dicas à Lena (que está cá há um ano), sobre bons sítios e eventos aonde ir e participar e estava a dar explicações sobre a história e os monumentos de Bruxelas aos meus colegas.
Eu não tenho uma mente enciclopédica, porque nunca decoro os detalhes todos, apenas as referências gerais. Para pormenores tenho que ir consultar as fontes novamente. Mas além dos muitos guias de Bruxelas que eu tenho, recolho tudo o que é jornal, revista e panfleto que é distribuído gratuitamente em Bruxelas e passo os olhos por tudo em busca de informações importantes. Penso que eles não têm paciência para fazer isso e daí apenas conhecerem uma ponta do grande icebergue que é Bruxelas.
Depois de muitas ideias impraticáveis, lá descobri que poderia fazer uma ratoeira eficaz a partir do meu caixote do lixo. Após algumas desconfianças iniciais, o rato lá entrou no caixote e ficou aprisionado. Julguei que não conseguiria manter um rato numa caixa de cartão por muito tempo, mas estranhamente, desde que ele percebeu que foi apanhado, deu-se por vencido e nunca tentou sequer roer a caixa.
No sábado passado passei por uma loja de artigos em 2ª mão, na esperança de encontrar alguma gaiola, mas nada. Vou tentar noutra e depois talvez nas feiras.
Entretanto a minha exploração de Bruxelas continuoou.
No sábado à tarde fui ao Festival India no Palais des Beaux-Arts, tal como tinha prometido. A Mari apareceu com mais duas das nossas colegas de EVS, mas acho que elas não gostaram muito do festival, porque se foram embora passado pouco tempo. Eu tinha avisado que era um festival só para apreciadores de música indiana, porque não é uma música que entre logo no ouvido. É preciso abrirmo-nos completamente a ela para a deixar entranhar-se e então é pura magia, sentimos um arrepio na espinha e somos transportados para um outro mundo.
Drums from Bengal foi uma batucada de tal forma hipnótica e alucinante que um africano de fato e gravata que estava entre o público sentado no chão, levantou-se e começou a dançar freneticamente como se fosse um xamã em transe numa aldeia remota da savana. Os músicos Dagar tocaram o estilo de música mais antiga da Índia - um ritmo completamente diferente, etéreo e místico - que me fez recordar a Índia, não só como se já lá tivesse estado, mas como se lá tivesse raízes profundas.
Arrepender-me-ei sempre de não ter ficado para os espectáculos da noite, mas o bilhete custava 25 euros (ao contrário dos concertos de abertura, que foram gratuitos) e eu decidi não ficar. Mas tenho a certeza de que teria sido uma noite inesquecível: Talvin Singh, State of Bengal, entre outros. Música electrónica e muito Drum'n'Bass misturados com música indiana.
Vagueei um pouco ao acaso pelas ruas, para conhecer melhor a zona do Palais de Beaux-Arts e acabei por encontrar a festa de encerramento da Semaine du Commerce Equitable (Semana do Comércio Justo). Estavam lá os "alternativos" todos a dançar animadamente e barraquinhas vendiam paparoca e bedidas deliciosas de comércio justo. Voltei a encontrar a Mari - sempre é verdade que facilmente tropeçamos em pessoas conhecidas em Bruxelas! - e ela convidou-me para irmos a um Centro Comercial (nada mais adequado quando se sai duma festa que defende um comércio mais justo, lol). Eu aceitei, porque ainda não tinha tido oportunidade de viver o ambiente da baixa bruxelense. Compras feitas e conversa em dia, ela decidiu ir para casa, mas eu ainda fui até ao Jardim Botânico, onde está a decorrer um festival de cinema da ATTAC, ver o filme "The Constant Gardener".
Gostava de poder ver os filmes todos do festival, mas durante a semana tem sido muito difícil conciliar o trabalho com outras actividades, porque o trabalho prolonga-se sempre para lá da hora programada ou porque eu fico tão cansada que só quero ir para casa.
Mas a 3ª feira foi uma excepção: apesar de ter sido o meu dia mais atarefado, ainda tive tempo e disposição para sair à noite. Tinha prometido à Eva acompanhá-la a um bar em Ste. Catherine, onde iria acontecer algo organizado pela namorada dum colega dela. Fiz-lhe a vontade a pensar que seria horrível - gente a beber cerveja, a fumar que nem chaminés e a berrar no meio de muito barulho - mas afinal encontrei exactamente o oposto: uma sala silenciosa, meia dúzia de "meninos bem comportados" e jogos de tabuleiro nas mesas. Ainda fiquei mais aterrorizada: "Socorro, é um convívio de totós!!!!" lol
OK, de certa forma era, mas não tão mau como imaginei de início. O jogo nas mesas era o New Amigos, uma espécie de Trivial Pursuit desenhado especificamente para melhorar o nosso conhecimento de línguas. Todas as 3ª feiras, em várias cidades da Europa (Paris, Berlim, Oslo, Bruxelas, entre outras) decorrem estes jogos do New Amigos. Os participantes escolhem a língua que querem aprender/melhorar e jogam com outras pessoas interessadas na mesma língua. Como resultado acabam por fazer novos amigos, enquanto aprendem alguma coisa útil.
No final da noite (ficámos até às 23h) concluí que tinha sido bastante divertido e que a ideia era excelente. Como companheiras de jogo (além da Eva) tive 3 raparigas, uma chinesa, uma peruviana e uma húngara, todas biólogas(!) a fazerem mestrado aqui em Bruxelas. Mais uma coincidência. Combinámos voltar a encontrar-nos por lá na semana que vem.
A Lena disse-me que quando cá cheguei ela sentia alguma preocupação por eventualmente eu me poder sentir só e aborrecida, mas que entretanto já deixou de se preocupar com a minha vida social, que parece estar a andar a 100 à hora e não precisar de nenhum empurrãozinho. Na verdade, já tenho tanta fama de ser uma agenda cultural ambulante (e páginas amarelas também) que sempre que alguém não sabe onde ir e o que fazer, pergunta-me o que é que está a acontecer em Bruxelas (e também onde pode ir comprar roupa barata, cortar o cabelo, etc). Ao fim de uma semana por cá eu já estava a dar dicas à Lena (que está cá há um ano), sobre bons sítios e eventos aonde ir e participar e estava a dar explicações sobre a história e os monumentos de Bruxelas aos meus colegas.
Eu não tenho uma mente enciclopédica, porque nunca decoro os detalhes todos, apenas as referências gerais. Para pormenores tenho que ir consultar as fontes novamente. Mas além dos muitos guias de Bruxelas que eu tenho, recolho tudo o que é jornal, revista e panfleto que é distribuído gratuitamente em Bruxelas e passo os olhos por tudo em busca de informações importantes. Penso que eles não têm paciência para fazer isso e daí apenas conhecerem uma ponta do grande icebergue que é Bruxelas.


1 comment:
Uau! Esta ideia do jogo é muita gira mesmo! :p E só biólogas?!?!!? Que fixe!!!! Acho que a partir de Janeiro haverá mais uma bióloga adepta do jogo aí por BXL! :)
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