A semana passada iniciou-se a temporada de Nocturnes, que consta da abertura de museus durante a noite a preços reduzidos. Na noite de arranque dos Nocturnes, ofereceram entrada gratuita em 5 museus na área da Grand Place. Eu tinha pensado chegar às 17h, hora de abertura e vê-los um a um, mas logo por azar este foi também o primeiro dia de mudança do escritório e tive que ficar até tarde a empacotar dossiers e a desmontar móveis, pelo que só consegui chegar à Grand Place por volta das 21h.
Tive que escolher um de entre os dois locais que para mim eram os mais interessantes: o Museu da Cidade (Hôtel de Ville) e a Câmara Municipal (que não é bem um museu, uma vez que é um local de trabalho, mas que é um dos edifícios mais impressionantes de Bruxe1as). A Câmara tinha uma fila bem maior, por isso escolhi o Museu da Cidade, apesar de estar convencida de que estava a fazer uma má escolha. No final não me arrependi, porque a Lena disse-me que foi ver a Câmara e que achou uma seca, porque tudo o que há para ver é a arquitectura interior do edifício. No Museu da Cidade, além de ter aprendido um pouco mais sobre a história da cidade, pude visitar a sala-de-vestir do Manneken Pis. Esta estatuetazinha do menino a fazer xixi é pequena e nada impressionante, mas consegue atrair muitas atenções. De tal forma, que cada vez que alguém vem à Bélgica em visita oficial traz uma fatiota representativa do seu país ou organização para oferecer ao menino. A sala-de-vestir do Manneken Pis é o local onde estão guardadas estas centenas de fatiotas. E é, literalmente, de mijar a rir! Desde um fatinho de Elvis Presley, até um fato completo de samurai, com armadura, capacete e espada japonesa em miniatura, não faltam roupinhas para vestir à estátuazita. Homens crescidos a brincar às bonecas, é o que isto me parece.
Quando terminei a visita, a noite estava fantástica, quente e animada, pelo que decidi dar mais umas voltinhas antes de ir para casa. Passei pelas Galerias Reais de St. Hubert que, segundo li, foi o primeiro centro comercial a ser construído.
Faz sentido que o conceito de centro comercial tenha nascido aqui. A chuva frequente pela qual Bruxe1as é famosa devia ser muito má para o negócio, porque tal como hoje, ninguém devia gostar de ver montras debaixo de chuva. Alguém teve então a brilhante ideia de pôr um telhado de vidro sob as ruas com lojas, et voilá, nasceu o centro comercial.
O ambiente nestas galerias é lindíssimo. As montras são verdadeiras obras de arte e as pessoas páram para tirar fotografias em frente a elas.
Apaixonei-me por uma loja de roupa em particular, de uma estilista com um nome estranho que não consegui fixar. Os preços devem ser exorbitantes, mas hei-de lá voltar para a ver com atenção. Fiquei completamente apaixonada, principalmente pelo vestido vermelho da montra, que eu gostaria de usar todos os dias :)
No sábado foi a Nuit Blache, uma iniciativa que decorreu em diferentes dias em várias grandes cidades da Europa. Basicamente Bruxelas esteve acordada toda a noite, com exposições, concertos, raves e coisas bastante mais exóticas a acontecer por todo o lado. Eu tencionava ter uma noite branca também, mas pela 1h30 da manhã lá estava eu a dormir, porque nem os meus companheiros de aventura (Stylianos e Sevelina) quiseram continuar a pé, nem o clima ajudou pois começou a chover a potes.
Mas ainda tive oportunidade de estar um tempo na Place de Ste Catherine, onde decorreu uma animada festa cubana-brasileira, com capoeira (um dos melhores grupos de capoeira que já vi), batucada, muita caipirinha e picanha (não que eu lhe tenha tocado, claro). Perto da praça encontrei as Créations Spontanées: um grande salão, uma dúzia de estilistas, uma pilha de roupa em 2ª mão até ao tecto, a oportunidade de pedirmos a um dos estilistas que fizesse algo só para nós e uma sessão fotográfica do resultado para mais tarde recordar. Lembrei-me logo que me faziam ali falta as minhas queridas amigas! Teriam adorado isto!!! O Srylianos e a Sevelina limitaram-se a esperar por mim numa esplanada cá fora.
Infelizmente não escolhi o estilista que mais me agradou, mas um dos menos concorridos, porque o tempo de espera era apenas de 1 hora em vez de 2... Peguei em 3 vestidos e disse à estilista "faça qualquer coisa a partir disto". Resultado: fundiu-me os 3 vestidos num só que infelizmente era horripilante, mas que chamou a atenção das centenas de pessoas que estavam naquele pavilhão. Fiz a sessão fotográfica, mas ainda não fui buscar as fotos ao fotógrafo. Seja como for, acho que fiquei com os olhos fechados em metade das fotos e nas que fiquei de olhos abertos, concerteza serão as outras pessoas a fechá-los quando olharem para elas. Ah, participar nesta brincadeira custou 2 euros e mesmo que o resultado final seja impróprio para usar na rua, valeu a pena pela diversão.
De segunda a quarta-feira estive alojada no Centre d'Hébèrgement Waterman, junto ao Canal, onde decorreu o I Seminário do EVS a que eu deveria comparecer como parte do voluntariado. Não foi muito útil em termos de aprendizagem, porque não me disseram lá nada que eu já não soubesse sobre Bruxelas ou sobre o Programa Juventude e o EVS, mas valeu muito a pena pelos amigos que lá encontrei. Especialmente a Eva! Foi amizade à primeira conversa e não nos largámos mais todo o seminário. Além de ser vegetariana-a-dar-para-o-vegan como eu, conhece bem Portugal, pois já lá trabalhou, está a fazer o voluntariado numa organização ligada à defesa das montanhas e do mundo rural, sediada na mesma rua que o meu novo escritório, entre mil e uma outras coincidências interessantes.
Para este fim-de-semana já convidei os meus novos amigos a acompanharem-me à abertura do Festival India que vai animar Bruxelas durante os próximos tempos, mas ainda não sei se alguém me acompanha pois convidei-os em cima da hora. Mas só ou acompanhada, lá estarei. Depois conto como foi :)
Ups, ia-me esquecendo doutra novidade. Ao regressar do seminário, encontrei um rato no meio do passeio, frente à porta do meu prédio. Julgando que ele iria fugir a sete pés aproximei-me devagarinho mas ele não fugiu como previsto. Toquei-lhe ligeiramente com o pé e ele começou a roer o meu sapato. Percebi imediatamente que era um animal domesticado, perdido ou abandonado, esfomeado e desorientado. Depois de praguejar um bocado enquanto dava voltas a pensar no que fazer, lá lhe atirei o casaco para cima e trouxe-o para casa. Dei-lhe pão duro e água e fiquei logo apaixonada - apesar do aspecto arrepiante ele não passa de um hamster em ponto grande. Mede cerca de 15-20 cms, não incluindo a cauda e é albino, branquinho de olhos vermelhos. Espalhei cartazes pelo bairro perguntando se alguém perdeu um rato, mas ainda ninguém o reclamou, ou porque não o quer de volta ou porque ele veio de mais longe. Por isso amanhã vou comprar-lhe uma gaiola, pensar num nome para lhe dar e num veterinário para o levar (convém certificar-me que ele não tem parasitas que possa passar para mim). Depois de hamsters, periquitos, tartarugas, cães e gatos faltava realmente experimentar o que é ter um rato. Depois disto, começo a imaginar que outro animal me irá um dia bater à porta.


1 comment:
Olá, também sou portuguesa e amiga da NOKAS...e tb estou por cá hà 7 anos. Sei que por vezes é difícil para cerats pessoas, mas só te escrevo para te dizer que est´s no bom caminho para te dares muito bem por aqui e para te dizer que penso que podes comprar cartões de carregamento do telemóvel nos supermercados... sei de certeza que dá para o proximus, não tenho acerteza para o Mobistar!
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