Gostava de poder ficar no Japão um ano ou dois ou (quem sabe) para sempre. Claro que ajuda o facto de eu ser naturalmente fã do Japão antes mesmo de cá ter metido os pezinhos, mas a sério... é fabuloso.
Tenho encontrado pessoas, incluindo japoneses, que não conseguem pensar numa única razão para se gostar do Japão. Eu cá acho que eles devem ter batido com a cabeça, mas gostos nao se discutem..
Estou maravilhada com a beleza, o bom gosto, as maneiras, o sentido de conforto e a limpeza que esta gente tem. Quero comprar o Japão todo, embrulhá-lo e levá-lo para casa!
Ao contrário do comummente aceite, o Japão não é assim tão caro. Depende. Por exemplo, após vários dias sem ver uma peça de fruta e quase nenhuns legumes, finalmente encontrei um supermercado com esses itens. Vendem uvas ao preço de mirtilos em Portugal. Fotografei uma caixa de uvas pretas que devia ter para aí meio kilo e custava o equivalente a 17 EUR. Uma maçã custava cerca de 1 EUR e as cenouras eram vendidas individualmente a cerca de 70-90 cts cada. Também procurei intensivamente pão com textura de pão e não a massa branca gelatinosa que eles comem como pao - e hoje finalmente encontrei pacotes de 3 fatias de pão de forma pelo preço absurdo de 1 EUR! Em compensação, o tofu, os cogumelos, as massas e todo o tipo de peixe são super-baratos. Ou seja, o que é caro é aquilo a que nós estamos habituados. Quem se adaptar à comida local, não terá dificuldades em comer barato. Hoje, por exemplo, comprei um pacote de cogumelos amarelos que soltavam uma espécie de baba ao serem cozinhados e fiz um jantar bastante gourmet por 2 EUR.
O alojamento pode ser caro, mas para quem não precisa de luxos, consegue-se dormir em sítios simpáticos por 20 EUR e mesmo menos. Comida nos restaurantes também pode ser cara - muitos sítios com pratos a quase 20 EUR - mas também há muitos onde se come bem por 5 EUR, É uma questão de saber escolher.
Os japoneses também não são avessos a coisas em 2ª mão. Parece que têm umas feiras da ladra muitos boas. Não sei se vou ter oportunidade de ver alguma, mas encontrei uma loja de kimonos em 2ª mão ao preço da chuva e aviei-me deles.
Este fim-de-semana que passou era impossível ficar em Nagoya, porque havia competição de fórmula 1 e todos - mesmo todos - os quartos e camas de Nagoya estavam reservados há semanas e eu não tinha onde dormir. Como me tinha sido recomendado o festival de Takayama que decorria precisamente nesses dias, decidi aproveitar a necessidade de dormir fora para sair mesmo de Nagoya.
| Takayama |
Escusado será dizer que valeu mesmo a pena. Takayama é lindíssima, rodeada por montanhas, cruzada por rios e pontes, com o seu centro histórico de casas antigas medievais, um percurso de templos e santuários budistas e xintoístas de tirar o fôlego e um festival colorido e tipicamente japonês que trouxe milhares de japoneses cá durante o fim-de-semana. Sim, porque 99% dos turistas no Japão são japoneses.
Não se vêem por cá muitos ocidentais e na verdade quando me cruzo com algum, quase que fazemos uma festa. Os que já cá estão instalados e integrados são os que fazem o ar mais surpreso, como se há anos não vissem um ocidental. Claro que isto sucede mais em locais "remotos" como Takayama.
Além de Takayama propriamente dita, visitei também os arredores. Um dos funcionários do hostel, o Kenji, leva os hóspedes de carro a visitar as redondezas, quando há inscritos suficientes para um determinado tour. Fomos visitar Shirakawago, que era exactamente o que eu tinha em mente visitar além de Takayama. Património mundial da UNESCO. Uma foto vale mais que mil palavras :)
| Shirakawago |
O Kenji conduziu todo o tempo em excelentes auto-estradas sem passar dos 90 km/h. Quando lhe perguntei se todos os japoneses conduzem devagar em todas as estradas, ele perguntou-me ingenuamente "O que queres dizer com devagar?" Tive que o esclarecer que em Portugal numa auto-estrada daquelas, os carros circulariam de 140 km/h para cima ao que ele exclamou incrédulo "O quê? Mas porque fazem isso?" Tão fofinho!
Amanhã parto para Tokyo. Depois disso para Kyoto. Este último destino não estava nos meus planos, mas como o mundo é mesmo pequeno, em Nagoya dei de caras com o meu amigo Wen (chinês) que me fez alterar os planos. Conheci-o o mês passado na Bélgica. Na altura sentimos uma grande afinidade mas não tivemos tempo para conversar por causa do trabalho avassalador em que estávamos envolvidos e despedimo-nos com alguma tristeza. Quando nos vimos em Nagoya, apontámos um para o outro com os olhos esbugalhados e exclamámos em uníssono: "No way!", "No way!"
Concluímos que ele estava alojado na mesma Ryokan que eu. "No wayyyy!" Isso já era demasiada coincidência. Encontrámo-nos lá nessa noite, comparámos planos de viagem e agendámos uma ida a Kyoto, lá para o final desta semana. Foi-nos dada uma segunda oportunidade. Penso é que tenho que o esclarecer que não é suposto ser uma viagem romântica pois acho que ele tem esperanças que seja.


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