Estou em Tokyo. Aterrei directamente em Shinjuku, a estação de comboio e metro mais movimentada de Tokyo, logo, possivelmente do mundo! É a famosa estação em que, nas horas de ponta, uns senhores simpáticos empurram as pessoas para dentro das carruagens para que fiquem bem compactadinhas.
Felizmente cheguei às 19h, mesmo no fim da hora de ponta e apesar de ter sido complicado movimentar-me no meio do mar de gente que àquela hora ainda circula, consegui bater o meu recorde pessoal de desenrascanço e em apenas meia hora tinha comprado bilhete, encontrado a linha de comboio e apanhado o comboio certo para chegar ao hostel, sem ter pedido ajuda a ninguém. Numa estação gigantesca como esta (cerca de 20 linhas de comboio e 5 ou 6 de metro) em que os mapas são um emaranhado de linhas, números e caracteres japoneses que deixam qualquer um de olhos em bico, 30 mins foi uma espécie de milagre. Lembro-me que em Londres demorei 10 minutos só para descobrir que linha de metro devia seguir. e a informação estava toda em inglês. Afinal, a experiência sempre serve para alguma coisa. Depois disto acho que posso conduzir naves espaciais e ir à Lua.
Vim de autocarro desde Takayama. Ficava muito mais barato que o comboio e só demorava mais uma hora, com a vantagem de que provavelmente ofereceu paisagens mais bonitas. Atravessámos várias montanhas, muitos túneis super inclinados (ainda nós dizemos mal do do Marquês!), passámos por rios e lagos azul turquesa e vimos as cores de Outono a instalarem-se. Como ontem dizia o Kenji: as cores estão a descer os montes. No topo já se vê tudo dourado e a meio das encostas convive uma sinfonia de laranjas e vermelhos com alguns verdes mais resistentes.
A cerca de duas horas de Tokyo vi finalmente o Monte Fuji e o meu coração palpitou mais forte. Eu julgava que as montanhas que tinha atravessado e que me acompanharam no horizonte durante todo o caminho, já eram enormes e imponentes, mas o Monte Fuji meteu-as a todos a um canto. Que monstro! Mas um monstro lindo, com o cume rodeado de nuvens de algodão doce.
Chegada a Tokyo, POW! Outro impacto profundo: a explosão de gente, os arranha-céus impressionantes e os néons que ofuscam a vista. Aquela Tokyo dos filmes na qual desejamos secretamente desaparecer por algum tempo para voltar a emergir como se tivéssemos voltado de outra dimensão. No momento em que saí do autocarro, desejei logo deixar-me levar pela corrente sanguínea de Tokyo, mas precisava mesmo de pousar as malas e tomar um duche.
A minha mãe perguntou-me numa mensagem se esta viagem não é a maior loucura. Curiosamente tudo tem fluido tão naturalmente que a maior parte das vezes nem me lembro que estou no Japão. Quando me relembro a mim mesma "Estás no Japão, pá!", nessas alturas penso de facto que é de doidos, mas fora esses breves momentos de hiper-consciência, ando por aqui como se fosse um passeio como outro qualquer.
Felizmente cheguei às 19h, mesmo no fim da hora de ponta e apesar de ter sido complicado movimentar-me no meio do mar de gente que àquela hora ainda circula, consegui bater o meu recorde pessoal de desenrascanço e em apenas meia hora tinha comprado bilhete, encontrado a linha de comboio e apanhado o comboio certo para chegar ao hostel, sem ter pedido ajuda a ninguém. Numa estação gigantesca como esta (cerca de 20 linhas de comboio e 5 ou 6 de metro) em que os mapas são um emaranhado de linhas, números e caracteres japoneses que deixam qualquer um de olhos em bico, 30 mins foi uma espécie de milagre. Lembro-me que em Londres demorei 10 minutos só para descobrir que linha de metro devia seguir. e a informação estava toda em inglês. Afinal, a experiência sempre serve para alguma coisa. Depois disto acho que posso conduzir naves espaciais e ir à Lua.
Vim de autocarro desde Takayama. Ficava muito mais barato que o comboio e só demorava mais uma hora, com a vantagem de que provavelmente ofereceu paisagens mais bonitas. Atravessámos várias montanhas, muitos túneis super inclinados (ainda nós dizemos mal do do Marquês!), passámos por rios e lagos azul turquesa e vimos as cores de Outono a instalarem-se. Como ontem dizia o Kenji: as cores estão a descer os montes. No topo já se vê tudo dourado e a meio das encostas convive uma sinfonia de laranjas e vermelhos com alguns verdes mais resistentes.
A cerca de duas horas de Tokyo vi finalmente o Monte Fuji e o meu coração palpitou mais forte. Eu julgava que as montanhas que tinha atravessado e que me acompanharam no horizonte durante todo o caminho, já eram enormes e imponentes, mas o Monte Fuji meteu-as a todos a um canto. Que monstro! Mas um monstro lindo, com o cume rodeado de nuvens de algodão doce.
Chegada a Tokyo, POW! Outro impacto profundo: a explosão de gente, os arranha-céus impressionantes e os néons que ofuscam a vista. Aquela Tokyo dos filmes na qual desejamos secretamente desaparecer por algum tempo para voltar a emergir como se tivéssemos voltado de outra dimensão. No momento em que saí do autocarro, desejei logo deixar-me levar pela corrente sanguínea de Tokyo, mas precisava mesmo de pousar as malas e tomar um duche.
A minha mãe perguntou-me numa mensagem se esta viagem não é a maior loucura. Curiosamente tudo tem fluido tão naturalmente que a maior parte das vezes nem me lembro que estou no Japão. Quando me relembro a mim mesma "Estás no Japão, pá!", nessas alturas penso de facto que é de doidos, mas fora esses breves momentos de hiper-consciência, ando por aqui como se fosse um passeio como outro qualquer.


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